Depois, refleti: esse é o mundo em que vivemos! Sobrevivemos através de todos os meios possíveis. Se aproveitar é elementar para todos, ou estou estudando para quê, afinal? Você está fazendo tudo para quê? Luta por uma liberdade tão efêmera quanto por aquele amor utópico cujo cônjuge é idealizado imperfeitamente perfeito para afugentar sua solidão, satisfazer seus desejos tanto carnais quanto de momentos seus e garantir outra prole ou continuidade a árvore genealógica. Pode dizer que você não busca um amor e quer estar em paz com você? Sim! Encontrou amor em si, ou talvez não, mas luta pelo que acredita e o que acha melhor para si. Ainda assim, não significa que seja você mesmo, não significa que seja suas próprias decisões enraizadas no que você realmente é e quer (ou pode ser, não sei. Você é você). A sociedade não foi feita para você ser totalmente livre! Você não é livre, você luta por uma migalha de liberdade que pode dar acesso a coisas prazerosas, a sonhos e fuga de uma realidade medíocre e tediosa. Você quer esquecer que por dentro você morre de vazio... ou não, isso é eu. Mas estaria pronto para admitir isso? Enfim, quem criou este mundo, quis que reconhecêssemos nossa insignificância para se compadecer do próximo e ajudar os desesperados a lidar com o caos: essa é uma visão otimista. A verdade é que somos meros seres originados da natureza por elementos biológicos, físicos e químicos assim como o universo. Estudos comprovam que o tempo avança continuamente para um sentido. Se ele avança, então é inevitável que algo não entre colapso e se destrua. Já ouviu falar dos Big Bang? Acredito hipoteticamente que sim, então assim, “Big Crunch” é o seu irmão, porém! É uma hipótese que está quase desusada por causa que alguns cientistas afirmaram que o universo está expandindo de forma acelerada. Mesmo que possamos desacreditar no Big Crunch o tempo ainda aponta para a destruição de tudo isso. Isso é fato e inevitável! A não ser que você descubra uma forma de fazer o tempo ceder a seus caprichos. MASSSSS, tudo bem: você ainda é livre para esquecer isso e deleitar-se da efemeridade como eu. Não admito que haja razões para se enaltecer exacerbadamente e tampouco de abraçar causas desse mundo, mas liberdade é liberdade: mesmo no seu estado mais caótico.
Uau... realmente nos perdemos em meias-palavras, não é? Ora, ora, deixa eu ver onde parei... ah! Então, voltando a minha vida escolar e início das minhas paixonites, meus círculos de amizade e novas lições, claro. Tive muitos problemas quando cheguei no ensino médio: e o pior deles era problemas com certos professores e adversidades com amizades. Não sou o típico antissocial, sério mesmo! Eu era bem extrovertido e carismático... quando queria. A verdade (outra palavra que falo muito) é que em muitos momentos, eu era muito introspectivo e me distraía com meus preciosos animes, jogos ou vivia sonolento, então acabava optando por ficar só para dormir ou essas coisas aí. Entretanto eu era comunicativo até, desde o fundamental. As pessoas diziam que se sentiam seguras quando estavam comigo, (pelo menos, no fundamental) embora eu me sentisse indiferente ao lado delas. O problema não é se sentir indiferente, o problema é você explicar para elas que as coisas importantes delas não importa para você, que você não sabe como fingir estar compadecido ou até sentir pena delas em certas circunstâncias. Você já falou, falou, falou e notou que, na verdade, a pessoa não se importava e nem prestou atenção em seus choramingos? E tampouco com seu martírio? Eu era a pessoa que não ligava e demonstrava isso de imediato. Sabia que era um problema e dizia que não sabia como ajudar e tentava falar sobre outra coisa, mas ela queria alguma coisa..., um abraço? Um beijo? O quê? Então optava pelo silêncio. Sim, era a única coisa que me restava, já que não entendia: carregar as merdas que nem eles estavam dispostos a resolver, quero dizer, lidar com problemas que nem eles queriam resolver. Era sempre a mesma coisa, eu entrava naquele loop diariamente e não demorou muito pra eu simplesmente ignorar: nesse momento, só cheguei à conclusão de que ela ficaria satisfeita com meus ouvidos à disposição dela, já que falar sobre algo da magnitude “problema” só precisava extravasar seus sentimentos e pensamentos expressando-os. Então, ela notou minha ausência cada vez mais, mais e mais..., e um dia, enquanto eu jogava no meu emulador de Game Boy, ela simplesmente tirou meu fone!
OBS: c*****o, eu só coloquei o fone de um lado e ela sabia disso! Eu dei um ouvido e ela ainda sim queria os dois? p***a, e o clímax do meu jogo?!
Obviamente, eu olhei pra ela e ela disse tristonha, nossa querida Marcela: (não vou descrever aparência e f**a-se, quero dizer, sua aparência era indescritível e simplesmente impossível de colocar em palavras, em minhas miseráveis palavras. Portanto, ela era muito fofa)
- Artur, minha amizade realmente importa pra você, mano? p***a, cara –
disse ela enquanto começava a desabar –, você só fica calado, não faz nada: não conversa comigo, não diz como se sente, você só fica nesse jogo e******o.
Eu olhei pra baixo e fiquei pensando “ela sabe que estou jogando Zelda?”, de qualquer forma, disse tranquilamente:
- Sim, Marcela, ele é e******o, mas gosto dele. Era só isso que queria dizer?
Ela ficou calada e eu coloquei os dois fones. Não demorou muito até ela me abraçar e ficar chorando nas minhas costas e marcar meu uniforme com batom (você não vai se perguntar como eu sei da mancha, né? Pelo amor). Ela tirou um dos meus fones e disse com pesar:
- Me desculpa, eu não quis ofender (eu fiquei ofendido??). É que a escola é difícil. Nossa turma fica brincando com coisas que não gosto só porque gosto de certas coisas.
- Que coisas? – questionei rispidamente.
- Por causa das minhas roupas, por causa do meu cabelo colorido e o jeito que me olham. Eles acham isso engraçado e não quero parecer chata. – disse Marcela com os olhos inchados de tanto chorar.
Eu respirei fundo e pensei profundamente: o que eu posso fazer? Sério! O quê? Eu não sabia. Disse então para ela um pouco hesitante.
- Marcela, é só falar com eles.
Ela fechou seu rosto e perguntou:
- Você ouviu o que eu disse?
E eu respondi amargamente:
- Sim. Na verdade, você fala as mesmas coisas e nem é novidade mais. Não é problema meu. Então sinto muito.
Ela emudeceu e engoliu a seco minhas palavras que a engasgaram. Ela saiu de perto de mim e desde aquele dia, ela não andava mais comigo, não falava mais comigo e saiu da minha vida como os dados corrompidos de um jogo (caraaaalho, meus dados). Ela saiu da escola depois e aí eu não soube de mais nada.
Um fato marcante do fundamental; depois dessa ocasião, pude questionar coisas sobre bullying e comecei a sofrer também por eu ser largado. Mas era diferente; recorria a direção da escola para dar um jeito nisso, já que mesmo eu falando que não gostava da brincadeira de PEGAR meu celular não estava funcionando com o coleguinha. O diretor vinha com papo tipo “é só falar com ele ou com o professor, não tem que falar calado também” e eu ficava tipo “eu também não queria ver sua cara de cu”, enfim, então ligava para polícia HAHAHAHAHAHAHA. E imprensa. Assim eu resolvia meu problema e até problemas futuros, e até o diretor ficava frustrado comigo, mas f**a-se? Enfim, isso não parou! E quando eu pude criar meu escudo anti-bullying (que ainda serviu pra chacota, mas não liguei, pois ninguém tocaria no meu celular de novo e nem tocaria em mim, só iria falar coisas), sempre que avistava uma briga ou confusão, sempre tentava separar. Eu fazia isso antes, mas não com tanta frequência. A prova disso foi quando conheci Marcela: estávamos na quadra na aula de educação física. Ela subiu em uma plataforma de madeira – que mais parecia algo pra salva-vidas, aquele negócio da praia – e tinha um menino empurrando-a. Eu podia ignorar? Sim! Tinha esse direito? Sim, mas pensei “p***a, não é justo ficar olhando isso” e então comprei uma briga. Subi lá e perguntei um pouco frustrado:
- Opa, tudo bem?
O menino, enraivecido, respondeu:
- Sai daqui senão sobra pra tu.
E Marcela começou a chorar. A situação a pressionou negativamente, de fato.
Eu mantive a calma e disse:
- Pô, irmão, calma, é que vi você empurrando-a. Se ela cair e morrer, você sabe o que acontecer? Por mais que seja um local não tão alto, ela pode bater a cabeça e podemos ver uma cachoeira de sangue. Pior: você será culpado e seus pais vão ficar tão triste que podem abandonar você por aí (quis assustar ele). Mas... podemos jogar, o que acha? Tenho joguinhos no meu celular. Você a deixa aqui e você desce para ficar jogando até acabar a aula. O que acha?
Ele ficou com muito medo e chamou-me de perturbado, e até disse que ia chamar a mãe ou dizer a diretoria, mas o que eu fiz, afinal? A meu ver, eu sou inocente. Enfim, ele disse que ia querer jogar depois. Então deu tudo certo. Conversei com Marcela e assim nos tornamos amigos. Que nostalgia! O fundamental teve algumas partes f**a.
Voltando; sempre que avistava situações conflituosas, eu tentava ser o remediador, apartava brigas e afins. Quando presenciava confusões na rua, optava em chamar a polícia, enquanto as pessoas filmavam e até riam. Se deleitar da violência: esse sadismo faz parte de nós e nos mantém entretidos desde o império Romano. É divertido e hoje não é diferente! Se tiver “sorte”, você pode ver alguém m***r uma pessoa pelas ruas gratuitamente e filmar isso. UFC é um evento para dizer “é esporte, então não é sádico”, isso é o mesmo que dizer “ele é branco, então não sofre racismo”, se você abraça causas iguais, não pode cuspir em uma e defender a outra: isso se chama desigualdade. Se você é desigual, então vale a pena falar de igualdade? Enfim, RETOMANDO: teve um dia que eu presenciei uma briga na sala de aula e tentei separar. Foi difícil e levei alguns pontapés, mas isso não foi o pior... pior foi quando me puxaram com sangue nos olhos e disseram:
- Não se mete na briga deles, mano, isso não problema teu! Tá batendo em você?? Não, né! Então deixa eles resolverem – disse nosso representante de turma, cheio de autoridade.
Fiquei calado não porque ele foi todo autoritário, mas porque todos o apoiaram. Então isso os representava? Foi o que indaguei. E então, engoli a sua lição: não é problema meu. Nunca mais fiz isso, mas não era uma promessa, mas sim um reconhecimento: a humanidade se merece, e isso não é problema meu e eu não podia comprar consequências que não pertenciam a mim.
Teve um dia que sonhei que avisava que uns caras estavam a procurar o nosso representante. No sonho salvei ele e eu sabia um pouco dos meus sonhos, ou o “poder” deles. Entretanto, eu escolhi ignorar! Não era problema meu, era? Não teria culpa e nem assumiria responsabilidade. Não avisei ele e uma semana se passou – foi um inferno, pois os sonhos ficavam mais intensos a cada dia, durante uma semana, como se dissesse “FAÇA”