Capítulo 20

4001 Words
Valéria, em frente ao balcão de recepção da Basílica, na frente das suas autoridades, no centro das atenções, como uma maestrina, empunhou o seu bastão e fez o enorme tonel de cobre, que estava encostado nos grandes portões de madeira do antigo quarto de Kanahlic, flutuar. Cesar ficou nervoso, estava angustiado pelas mortes, o seu rosto estava lavado de lágrimas e ele queria muito encontrar a Belisa, mas precisava fazer alguma coisa, urgente. O pior estava por vir. — Meu Deus! — exclamou o rapaz a enrugar a testa, via-se sem saída para aquela situação. — O que ela vai fazer agora? — ele pensou tão alto que alguém à sua frente respondeu-lhe. — Aquele era o fluido da desmagnificação, foi transformado para fluido da conversão, todos os feiticeiros das luzes vão se transformar em Tenecae. Se você é das luzes, se prepare. — Não — sussurrou Cesar. Ele necessitava de tomar uma atitude agora, o fluido não afetaria a quem era das trevas, mas os das luzes com certeza não sairiam dali os mesmos. Valéria, então, derramou o líquido que virou uma fumaça densa antes mesmo de tocar o chão. — Belisa! — gritou Cesar em um ato desesperado de encontrar a garota. Não demorou nada para ela aparecer, ela empurrou o pessoal para chegar até à voz que a chamou. Veio pelo lado direito e se encontrou com Fabiana que era a última da fila que fizeram de mãos dadas. — Rasec, ela está aqui — falou Fabiana. Sem esperar mais um segundo, Cesar pegou o seu bastão mágico, mas a fumaça preta já havia os alcançado e ficaram todos e todas na total escuridão. Tudo parecia perdido, quando uma luz germinou no meio da escuridão naquele lugar, Kanahlic e a sua comitiva foram pegos de surpresa. — O que é aquilo? — indagou Valéria perplexa, dava para enxergar no escuro, contudo, bem embaçado. Repentinamente, a luz expandiu-se tão depressa que Valéria quase perdeu a respiração. A garota arregalou os olhos e usou as duas mãos para manipular as trevas e tentou desfazer aquela fumaça branca e cheia de ** dourado, mas era muito forte que ela quase se entregou. Ela usou toda a sua potência, mas a briga estava muito acirrada. Kanahlic e o seu pessoal puseram-se ao lado da Allogaj e conjuraram as trevas para ajudá-la a desfazer a fumaça que se avançasse mais poderia atingi-los e causar-lhes alguns efeitos colaterais. No entanto, a fumaça branca com ** dourado, se tornou um furioso tornado reluzente, e quando as treva estava a tomar espaço, toda a Basílica estremeceu, as paredes se racharam e uma terça parte do teto explodiu. O tornado reluzente fugiu pelo enorme buraco que causou, e todo o encantamento da Basílica se desfez, ou seja, um portal das luzes foi aberto bem ali. Aquele lugar nunca mais teria as suas propriedades mágicas que sempre teve, desde que foi fundado. Assim que tudo acalmou-se, que todas as fumaças dissiparam-se e que a luz do sol inundou o ambiente, o silêncio desconfortante foi quebrado quando Vincent falou: — Minha nossa! Quem teria tamanho poder? *** Talita, a Suma-Sacerdotisa de Dorbis, estava no Templo dos Trealtas, no salão redondo, a meditar com outros sete Sacerdotes. Ela estava no centro da estrela de doze pontas e algo a despertou. — Sacerdotes? — assim que ela falou, os homens que a cercavam abriram os seus olhos e também se despertaram da meditação. Ela ficou de pé e interrogou: — Vocês sentiram isso? — O que, Suprema Sacerdotisa? — perguntou um deles. Ela fez uma careta pela decepção, não era possível que ela era a única sensitiva naquele lugar sacro. — Levantem-se — ordenou a Suprema. — Peguem os Pégasos e voem para a Organização Mundial de Magia, os Vinte e Quatro Anciões não são oniscientes e precisam saber de umas coisas. Obedeceram. Depressa, Talita pegou o seu Cajado Edmóz, uma bola de cristal qual gravou uma mensagem e a entregou a um dos Sete Sacerdotes, ele montou num dos cavalos alados e partiu. Ela nem se aprontou direito, também pegou um casaco e foi para fora do templo, daí, chamou o dragão Tianlong por meio da magia e de longe o avistou pelos céus. Assim que o dragão pousou, perguntou: — Sentiu também, Vossa Superioridade? — Parece que só eu — respondeu Talita com ar de decepção. — Os Sacerdotes estão insensíveis? — Infelizmente. Tianlong já estava vestido com a sua sela. — Para onde vamos exatamente, Suprema? — interrogou. — Para uma certa Basílica — Talita montou no dragão e ele pediu para que ela se segurasse bem firme, pois, ele voaria bem rápido. *** No patamar da escadaria do salão da mansão da Feiticeira Sal, um majestoso tornado branco e reluzente, repleto de ** dourado, surgiu. Era o portal que Cesar abriu na Basílica, o que quebrou todo o encantamento daquele recinto, a magia Protekti de Valéria já que a de Sal não estava mais a ser sustentada por causa da sua morte. Gisele, Belisa, Fabiana e Tainara caíram ao redor de Cesar, enquanto ele continuou de pé a empunhar o seu bastão para o alto, entretanto, pegaram bem a cena em que quatro criaturas demoníacas estavam em cima da Transcendentis Nabyla em sua forma vítrea. As criaturas sibilaram para Cesar, por intuito ele sabia o que eram e como acabar com aquilo. Ele colocou o joelho direito no chão, dobrou o esquerdo e bateu a ponta inferior do seu bastão no patamar, que também ligava duas escadarias, uma dava para um corredor do lado esquerdo e outro para o lado direito. Cesar conjurou: — Ekstrema Lumo. Uma luz forte iluminou o chão e se espalhou rapidamente por toda a mansão até tomá-la por completo, as criaturas tentaram fugir, mas a luz as pegou e as desintegrou até virarem nada. Cesar não parou, a mansão inteira, além de estar completamente fluorescente, passou a fumegar. Em seguida um vórtice de fumaça tomou toda a residência de Sal, como se fosse um furacão. O Allogaj estendeu a mão esquerda para o alto e fez em gesto como se estivesse a puxar uma alavanca, conjurou: — Ponardi. A mansão inteira sumiu num portal. Dentro da ala de poções, Zadahtric e Érrio sentiram rapidamente a falta da gravidade, depois sentiram um terremoto que fez todos os vasos de vidro das prateleiras se quebrarem no chão, eles também caíram, desnorteados. Em seguida, a ala qual estavam deixou de fluorescer. — O que foi este fenômeno? — perguntou a rainha assustada. Érrio se pôs de pé e a ajudou a se levantar. — Eu acredito que a mansão foi transportada por um portal, Majestade — respondeu o rapaz. — A mansão inteira? — os olhos azuis de Zadahtric quase caíram das pálpebras de tão impressionada que ela ficou. — Foi o Allogaj? — Eu tenho certeza que foi — ele falou com indiferença, não conseguia mais esconder a sua inveja. — Então, vamos sair, ele deve ter espantado os demônios — Zadahtric abriu a porta da ala e saiu às pressas, Érrio a seguiu. Nabyla flutuou e regulou o seu medalhão para voltar ao estado normal, ela aproximou-se de Cesar a subir à escadaria bem devagar. Cesar estava cabisbaixo e chorava, não somente ele como também as outras meninas, Nabyla entendeu o que houve no mesmo instante e sentiu a dor. Do corredor esquerdo apareceram a rainha destronada e o porta-voz Érrio. — Ai! — gritou Zadahtric de alívio. — Pelos Trealtas, vocês voltaram. Graças aos céus. Onde está a Feiticeira Sal? — Zadahtric não teve um resquício de empatia, mesmo a perceber que a tristeza era nítida no ambiente. Cesar levantou-se e olhou para ela com os olhos vermelhos. — O que a senhora acha que aconteceu? Mataram ela, mataram o Beltenor e os seus amigos, além de tudo, fizeram a gente assistir tudo, seja menos antipática, por favor, pelo menos hoje — Cesar já não conseguia mais tratá-la com respeito, sendo ela uma mulher totalmente desrespeitosa. Érrio tomou a frente da mulher de cabelos prateados para mostrar que era o seu protetor e apontou o dedo indicador para o Cesar a tentar intimidá-lo. — Veja lá como fala com a Sua Majestade — encenou o rapaz. De longe, puderam ouvir alguém gritar o feitiço Svenante e atingir o Érrio bem no peito, o rapaz, que era um pouco forte, de início assustou-se, depois olhou na direção e viu que a Naty fora quem o enfeitiçou, logo, ele apontou o dedo para ela a falar, já grogue: — Você... — foi a única palavra que ele disse antes de desmaiar. — Natybinle, você ficou maluca? — questionou a rainha exaltada. — Não Majestade, a última coisa que queremos neste momento é criar confusão, Rasec acabou de salvar as nossas vidas e devemos ser mais que gratas a ele. Cesar olhou para ela com desalento, ela subiu às escadas às pressas e o abraçou bem forte. — Ele não fez mais que a obrigação — insistia Zadahtric em querer ter razão. Naty tinha paciência para falar com ela, mas quem respondeu dessa vez foi a Layra, acompanhada pela Fama e pela Dulca, elas se encontraram no caminho. — Não mesmo, Majestade, ele não teve obrigação nenhuma, quem se comprometeu a resolver tudo fomos nós, suas servas fiéis, nós o encontramos por um acaso do Destino. Ele é um voluntário, assim como as meninas que vieram da Terra e estão aqui a se arriscarem pela tua causa. A medida ela que falava, as outras meninas iam aparecendo, Zadahtric até mesmo se assustou quando viu o leão-das-cavernas com juba de tranças. Zadahtric comprimiu os lábios e com relutância falou para Cesar: — Muito bem, me desculpe e obrigada, agora, com licença que eu vou dormi um pouco, estou cansada — ela puxou a bainha do vestido subiu às escadas a bater os pés bem forte no assoalho como uma criança a fazer birra. Nem esperaram que ela se retirasse por completo, reverenciaram o Cesar a bateram palmas para ele, e a "leoa" rugiu, para demonstrar o seu contentamento. — Gente, não precisa disso — falou Cesar humildemente. — Sério. — Precisa, sim — falou Layra. — Você salvou as nossas vidas. Vou ser eternamente grata. As demais foram confirmando as palavras da porta-voz. — Estão todas bem? — perguntou o rapaz. — Está todo mundo aqui? — Deve ter alguém escondido ainda — sugeriu Naty. — Hum! — exclamou Nabyla de forma negativa. — Creio que não, eu vi quando alguns demônios foram embora, parece que capturaram alguém. Sinto muito. — Ah, não — Cesar queria chorar novamente. — Quem está faltando em nosso meio? — Todos os meninos prodígios — respondeu Aina —, exceto o Érrio: o Saban, o Camar, o Syntro, o Sonze e o Lamel. E também a Zera, não está aqui com a gente, nem sei qual foi o último momento que a vi. Aquilo deixou o Cesar mais preocupado. — d***a, d***a, d***a — o rapaz lamentou. — Eu vou voltar lá. — Rasec, não faz isso — pediu Layra. — Você não vai poder enfrentar todos eles sozinho, nem sabe para onde foram levados. — Não! Os nossos amigos serão mortos. — Tenha calma, vamos pensar direto no que fazer... Cesar não ouviu nem mais uma palavra e sumiu num portal. — Uau! Ele é muito rápido — falou Bala. — Espero que ele seja cauteloso — disse Layra com o coração apertado. — Ele é a nossa única esperança. O silêncio reinou até alguém quebrá-lo. — Ah, não — exprimiu Tainara e todas voltaram a sua atenção para as meninas terráqueas. As quatro fumegavam uma fumaça cinzenta e vários filetes de raios amarelos percorriam pelos seus corpos. — O que está acontecendo? — falou Fabiana. — Estou me sentindo estranha. As terráqueas ficaram tontas e se sentaram no chão, não podiam serem tocadas no momento, por isso, as demais tiveram que se afastar. — Oh! Meus Trealtas — falou Nabyla. — Vocês foram convertidas. — Somos das trevas agora? — questionou Gisele a olhar para as suas mãos e ver os filetes de raios amarelos serpentearem por elas. — Não, meu bem, das cinzas — respondeu Nabyla. Belisa explicou depois que o fluido da desmagnificação foi transformado em fluido da conversão das trevas e que foram atingidas com ele antes que Cesar pudesse conjurar a luz e abrir um portal. No meio da conversão, um Allogaj das luzes conjurou a Luz e causou um erro de processo, todos que foram banhados pelo fluido se tornaram Cinecae, feiticeiros das cinzas. Do nada Escálius apareceu de algum a questionar: — O que eu perdi? *** Na Basílica, a agitação do pessoal era mútua e incontrolável. Todos que foram atingidos pelo fluido e receberam a luz conjurada por Cesar se transformavam em Cinecae. Kanahlic, desolada por mais um fracasso, sentou-se na escada do salão e tapou o rosto com as mãos. — Majestade... — Legard tentou animá-la. — Todo viraram das cinzas. Que ódio, Legard, que ódio — repetiu a Rainha. — Vamos demorar mais sete meses para produzir outro fluido fora não podermos mais converter estes jovens, eu não estou acreditando que isso está acontecendo. — E o que faremos com estes alunos? — perguntou Legard. — Até mesmo os seus guardas atingidos foram convertidos. A rainha suspirou e levantou a cabeça. — Dêem-lhes os seus bastões mágicos de volta e mandem-nos para casa, provavelmente os traidores já foram embora. A maioria é adolescente, é jovem, eles vão se entender mais tarde e os guardas serão dispensados dos seus serviços, vai causar uma subtração, mas ainda temos um exército e poderosos feiticeiros e feiticeiras conosco. Não quero esse pessoal das cinzas comigo, dois ou três é tolerável, mas uma multidão vai me comprometer. Ainda parada em frente ao balcão de recepção. Valéria, a tentar entender o que aconteceu, ficou parada, decepcionada consigo própria. — Valéria — chamou uma voz conhecida. — Sarah — Valéria ficou contente por ver alguém que aprendeu a prezar e que considerava muito, aproximou-se da garota que estava no mesmo estado que o restante do pessoal e a tocou no braço, mas a soltou imediatamente. — Ai! Você está dando choque. — Não sou eu, foi a conversão. Maldita hora que inventei de vir para este mundo, agora virei uma Cinecae e não tem como reverter esta m***a. — O que veio fazer aqui? — Vim atrás de vocês. Depois que você tocou fogo no hospital mais rico de Uberlândia aquilo virou notícia nacional. A sua mãe está inconsolável pensando que você morreu e o Alejandro está quase morto, continua em coma. Só você pode despertá-lo. — Ainda não posso voltar, eu tenho um propósito de vida aqui e depois do que aconteceu, não vou voltar tão cedo. — O quê? — Sarah analisou a sua amiga por completo. — Você está diferente, não vai me contar o que aconteceu? — Sarah olhou à sua amiga com os olhos apertados. — Você não vai conseguir ouvir os meus pensamentos, eu aprendi a bloqueá-los, agora tenho outros dons. Você vai saber mais tarde, nas deixa eu te dizer uma coisa, você tinha razão. — Sobre o quê? — Sobre tudo. — Nem lembro mais, eu falo tantas coisas — Sarah parou de fumegar e os filetes de raios amarelos sumiram do seu corpo. — Eh! Agora eu sou uma feiticeira renegada, que porcaria, eu vou voltar para a Terra. — Ainda não, fique comigo por um tempo, você é a pessoa mais inteligente que conheço, fora que pode ouvir pensamentos, e n******e ser morta porque é uma Ressurgentis, agora pode fazer magia das luzes e das trevas. Você é uma pessoa completa, Sarah. Sarah ficou de queixo caído? — O quê? Isso foi um elogio? Me desculpe, mas eu nunca vi ninguém tão bipolar quanto você. Enquanto os estudantes e os guardas eram dispensados da Basílica, para que sobrasse apenas o pessoal das trevas, Larissa saltitou até Valéria e a agarrou pelo braço enegrecido. — Você está bem, meu amor? — Larissa mediu Sarah com os olhos de maneira antipática. — Quem é esta daí? Valéria deu uma cotovelada na coitada que se curvou de dor. — Respeite ela, Sarah possui a marca da serpente e é a minha segunda mãe. Sarah ficou com os olhos a brilhar, apesar de que sabia que aquilo iria acabar bem cedo. Nesse momento, a rainha chamou a Allogaj e todas se reuniram ao redor dela, Kanahlic, já de pé, e com expressão de angústia perguntou: — Você sabe por que isso aconteceu, Audaxy? — todo o pessoal das trevas ficou sozinho na Basílica agora que os convertidos foram dispersados. — Não faço ideia, Majestade, até eu fiquei surpresa. Talvez a nova Suma-Sacerdotisa tenha se infiltrado em nosso meio e estragado os nossos planos — Valéria percebeu que o pessoal a olhava de soslaio. — Gente, eu não tenho culpa de nada. Tereya tomou a fala: — Eu pensei que você era a feiticeira mais poderosa deste mundo, já que é a única Allogaj. Você pode ter mais poder que a nova Suma-Sacerdotisa. — Se me permitem falar — disse Sarah —, eu vi o que aconteceu e infelizmente acabei sendo vítima da conversão. Tenho certeza que outro Allogaj surgiu neste mundo, e é das luzes. O pessoal desatou a murmurar sobre aquilo. — Minha queria Sarah — disse a rainha —, me alegra a sua presença aqui. Sinto muito por ter se tornado Cinecae, e sobre o que você disse, faz sentido, na verdade, faz todo o sentido, mas, é muita coincidência outro Allogaj surgir neste mundo, além de ser das luzes, e justamente estar do lado de Zadahtric nesta guerra pelo trono de Ic, que os céus o tenha. — Entendo, Majestade, só foi uma teoria minha, mas não há outra explicação, ele conseguiu dispersar as trevas que Valéria manipulou no auge do seu poder. — E como você sabe que foi ele e não ela? — interrogou Legard. — Não há provas para sustentar a sua teoria? O pessoal esperou a resposta de Sarah, dentre eles, ela era uma das mais inteligentes, de repente, ouviram um barulho no teto na Basílica, como se alguma coisa grande e pesada estivesse a correr por cima dele, tanto que alguns cacos começaram a despencar e do buraco que Cesar abriu por causa do portal desceu um gigantesco Lobo extremamente preto, apenas os seus olhos dourados era o que se destacavam naquele ser. Ele parecia ameaçador, mas o seu ato de reverência à Kanahlic deixou o pessoa despreocupado. — Saudações, Majestade — falou o Lobo. — Saudações, Senhor dos Lobos, a que devo a honra da sua súbita visita e em plena luz do dia? — Kanahlic se contentou um pouco, o Senhor dos Lobos era uma poderosa Entidade encarnada e era aliado dela. — Trago-lhe notícias, minha rainha, um novo Allogaj surgiu neste mundo, é um jovem muito poderoso e é das luzes — falou o Lobo. O pessoal olhou para Sarah que sorria com orgulho por estar certa. — Obrigado pela informação, Senhor dos Lobos — agradeceu Kanahlic. — Mas infelizmente chegou muito tarde, ele esteve aqui sem que ninguém percebesse e modificou o processo de conversão, agora vou ter que esperar mais sete meses para fazer mais fluido e prosseguir com os meus planos, isto se as lutas vindouras não nos atrapalharem. Conto com a sua ajuda, Senhor dos Lobos. — Vou ajudar como puder, Majestade, só não pude vir antes porque fui desmaterializado por um Primevo, o rapaz havia sido solicitado para um Plenário Solene justamente no momento em que fui atacá-lo. — Muito obrigada pela sua ajuda, Senhor dos Lobos, que a nossa aliança seja tão poderosa quanto a aliança dos nossos inimigos e traidores. — Sim, Majestade, mas ainda tenho mais uma informação, o nome do Allogaj. Os olhos de Kanahlic brilharam. — Revele-nos. — Rasec. — Eu me lembro deste nome — falou Valéria. — Sal foi quem trouxe ele para cá, ele deve estar registrado aqui já que também apareceu quando eu conjurei o chamado-portal. Kanahlic sorriu, ter o nome e o DNA do inimigo era muito importante. — Agradeço mais uma vez, Senhor dos Lobos, a sua ajuda é fundamental para mim. O Senhor dos Lobos fez uma reverência e foi embora, correu para fora da Basílica pelos portões da entrada que estavam escancarados. Kanahlic se voltou para o pessoal a dizer: — Sarah estava certa e espero que ela continue conosco nesta batalha, parece que ela pensa melhor que vocês, será fundamental tê-la aqui — Sarah não queria, mas não podia negar uma ordem de uma rainha e curvou-se perante a decisão. — E Audaxy, precisará estudar mais e não poderá mais fugir das nossas reuniões e nem reclamar. — Ah! Que saco — Valéria acabou de fazer o que a rainha pediu para ela não fazer. — Estudar é chato, ir para reuniões é mais chato ainda. Deixa eu fazer as coisas do meu jeito, eu garanto que posso ser bem mais poderosa que este novo Allogaj. — Que jeito é este qual você se refere? Exatamente nessa hora, seis demônios entraram a correr desenfreadamente para dentro da Basílica. — Chegaram os meus bebês — falou Valéria a descer os degraus para o salão e o pessoal a seguiu. — Pelos Trealtas! — exclamou Azaryn. — Audaxy agora pode invocar demônios? — Como ela conseguiu? — perguntou Legard, mas ele tinha ideia de como. — Onde ela aprendeu a fazer isto? — Depois eu explico, também posso dominar a matéria escura. — A nossa fonte de poder? — berrou Kanahlic sem acreditar, mas não obteve respostas. As criaturas pararam diante da sua mestra e se agitaram como símios excitados. Valéria fez um gesto com a mão direita e as criaturas derreteram como cera até sumirem e revelarem as seis pessoas quais eles haviam capturado. Estavam desmaiadas e cobertas de muco transparente. — Estes são Feiticeiros Prodígios do Castelo na época do reinado de Zadahtric — falou Azaryn. — Só isto? — resmungou a rainha. — Onde está o resto? Onde estão as meninas de Sipritiah e de Syanastiah? — Eu invoquei vinte e três demônios — falou Valéria. — O Allogaj deve ter impedido de os outros capturarem o restante. Se é mesmo que ele está ajudando elas. — Já não está óbvio, Audaxy? — falou a rainha. — Então ele voltou para a mansão de Sal — sugeriu Valéria. — Eu senti um feitiço meu ser quebrado, foi na mansão com certeza. Sarah, que era a mais observadora, comentou: — Estes prodígios são filhos de nobres, olhem os anéis — o pessoal a deu atenção. — Estes anéis burlam a magia para os ricos terem acesso a coisas vetadas magicamente pela Organização Mundial. Talvez, os seus demônios tenham conseguido capturar somente aqueles que possuíam alguma coisa corruptível que lhes atraiu. — Faz sentido — falou Azaryn, que entendia sobre o assunto. Kanahlic então falou: — Vamos todos e todas para a mansão de Sal, eles não terão paz enquanto estiverem com Zadahtric, isto se eles próprios não a entregarem — ela riu e os demais a imitaram. — Ela é mimada e nojenta demais para suportarem-na, conheço a irmã que tenho — a rainha olhou para Grupat, a Líder das Bruxas Verdes. — Grupat, vá até à Secretaria, abra o armário de registros e pegue uma placa de vidro com o nome de Rasec, depois, vá para o Castelo, os demais, venham comigo. — E os prodígios aqui? — perguntou Valéria. — Traga-os conosco, aposto que vão querê-los de volta e vamos tentar barganhar. É provável que não estejam na mansão, então vamos tentar procurar pela residência lugares onde recentemente e provavelmente abriram portais. Primeiro, foi a rainha, segundo, um por um foi sumindo num portal. E abandonaram a Basílica que agora não servia mais para eles.
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