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A BARRIGA DE ALUGUEL DO BILIONÁRIO

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Blurb

Catarina Azevedo precisava de 300 mil reais para salvar a vida da irmã.Sem dinheiro, sem tempo e sem ninguém disposto a ajudá-la, ela aceita a proposta mais absurda e perigosa que já recebeu: ser a barriga de aluguel de um bilionário.Leonardo Ferraz, 32 anos, é frio, poderoso e acostumado a conseguir tudo o que quer. Para manter seu império e garantir seu futuro, precisa de um herdeiro.E Catarina parece ser a solução perfeita.O contrato é claro:Nove meses.Ela carregará o bebê.Ele pagará os 300 mil.Depois do nascimento, Catarina seguirá sua vida.Sem sentimentos.Sem envolvimento.Sem direito de olhar para trás.Mas o primeiro ultrassom destrói todas as regras.Não existe apenas um bebê. São dois.Gêmeos.A partir daquele momento, Leonardo decide que Catarina não pode mais ficar sozinha. Ele a leva para sua mansão, coloca segurança ao redor dela e passa a controlar cada detalhe de sua gravidez.O que ele chama de proteção, Catarina chama de prisão.Ela sabe que é apenas a mulher escolhida para gerar os herdeiros Ferraz.E Leonardo faz questão de lembrá-la disso.Até que os meses passam.Catarina sente os primeiros chutes. Ouve dois corações batendo dentro dela. Cria uma ligação impossível de ignorar.E quando os nove meses chegam ao fim, Leonardo cobra aquilo que o contrato sempre deixou claro:os filhos.Só que Catarina não consegue simplesmente entregar os dois bebês e desaparecer.Porque, durante aqueles nove meses, eles deixaram de ser apenas os herdeiros de Leonardo.Tornaram-se o mundo dela.Agora, o homem que comprou seu silêncio está disposto a usar todo o seu poder para ficar com os filhos.E Catarina está disposta a perder tudo para não perdê-los.Mas quando um inimigo de Leonardo descobre a existência dos gêmeos, a disputa deixa de ser apenas uma batalha pela guarda.Os bebês se tornam o alvo.E Catarina percebe que, para proteger os filhos que nunca deveria ter amado, talvez precise confiar justamente no homem que transformou sua vida em uma prisão.O contrato dizia que, depois de nove meses, Catarina iria embora.Só não dizia que, até lá, ela poderia se apaixonar.Nem que Leonardo poderia descobrir que o dinheiro compra quase tudo.Menos o amor de uma mulher que está disposta a lutar pelos seus filhos.

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Capitulo 1 Leonardo
NARRAÇÃO LEONARDO O poder tem um cheiro peculiar. Não é o aroma de notas recém-impressas ou o perfume amadeirado de charutos cubanos caros que impregna as paredes dos clubes exclusivos de São Paulo. O verdadeiro poder exala o cheiro do medo alheio. É a transpiração fria, a respiração contida, o tremor quase imperceptível nas mãos de homens que se julgam donos do mundo, mas que, diante de mim, sabem que não passam de inquilinos. E era exatamente essa a atmosfera que empesteava a sala de reuniões principal no quinquagésimo andar do edifício sede da Ferraz Corp. Eu não estava sentado. Sentar-se à cabeceira daquela imensa mesa de mármore n***o importado da Itália seria conceder a eles uma igualdade que não existia. Ficar de pé, próximo à imponente parede de vidro blindado que ia do chão ao teto, me dava a vantagem visual e psicológica. A cidade de São Paulo se estendia sob meus sapatos de couro feito sob medida em Londres, um tapete cinzento de concreto, fumaça e formigas correndo em círculos. Eles lutavam por sobrevivência lá embaixo. Eu ditava as regras do jogo aqui em cima. Observei o reflexo do meu próprio rosto no vidro. A mandíbula travada, a linha dura dos ombros sob o paletó de lã fria e seda que custava mais do que a maioria daqueles conselheiros ganhava em um ano de dividendos. Meus olhos escuros, implacáveis e desprovidos de qualquer traço de compaixão, fuzilavam o reflexo dos sete homens sentados à mesa. Eles não eram idiotas recém-saídos da faculdade. Eram lobos velhos do mercado financeiro. Homens duros, de feições marcadas por décadas de negociações brutais, fusões agressivas e falências forçadas. Eles tinham dentes afiados. Mas eu era o predador alfa, e eles sabiam disso. No entanto, hoje, eles não estavam ali para recuar. Eles vieram armados com a única coisa que poderia me ferir: o testamento de um morto. O silêncio se arrastava como uma lâmina cega cortando carne. O tique-taque ritmado e preciso do meu Rolex Daytona de platina era o único som a perfurar o ar condicionado gélido. Eu os deixei cozinhar. Deixei que a ansiedade devorasse suas entranhas. O controle do tempo em uma negociação é a primeira arma de dominação. Finalmente, Roberto, o presidente do conselho administrativo e outrora o cão de guarda mais leal do meu falecido pai, quebrou a barreira do silêncio. Ele não limpou a garganta. Ele não demonstrou a fraqueza física que os outros tentavam esconder. Ele endireitou a postura, cruzando as mãos enrugadas, porém firmes, sobre a cópia impressa do documento maldito. — A encenação de intimidação não vai funcionar hoje, Leonardo. — A voz de Roberto soou grave, ressoando pela acústica perfeita da sala. — Nós não somos seus estagiários, e você não está lidando com um de seus concorrentes que pode ser esmagado com uma compra hostil. Você está lidando com a estrutura legal da sua própria corporação. Girei o corpo lentamente. Cada movimento meu era calculado, felino, pesado. Caminhei a passos lentos até ficar atrás da cadeira vazia na cabeceira, apoiando as duas mãos espalmadas no encosto de couro. — Você está muito confiante para um homem que depende do meu intelecto para manter a própria esposa coberta de diamantes, Roberto. — Minha voz não se elevou um único decibel. O tom baixo e rasgado era infinitamente mais letal do que um grito. — Explique-me o motivo dessa insubordinação coletiva antes que eu decida expurgar este conselho inteiro antes do almoço. Henrique, o diretor financeiro, um homem de quarenta e poucos anos com ambições que excediam sua inteligência, bateu a caneta de prata contra o mármore. Ele era outro que se achava inatingível. — Você não pode expurgar o conselho, Leonardo. Esse é exatamente o ponto. — Henrique retrucou, sustentando meu olhar com uma audácia que me fez desejar arrancar a cabeça dele do pescoço. — O seu poder absolutista tem um prazo de validade. E esse prazo está se esgotando rapidamente. Dei um passo à frente, contornando a cadeira. — Eu dobrei o patrimônio líquido dessa empresa nos últimos três anos. — Falei, pausadamente, garantindo que cada palavra fosse um prego no caixão da audácia deles. — Comprei a infraestrutura de logística na Europa que vocês disseram que era impossível. Esmaguei nossos dois maiores concorrentes na Ásia. O lucro trimestral que eu entrego a vocês, cambada de sanguessugas, é maior do que o PIB de alguns países. O meu poder não tem prazo de validade. Ele é alicerçado em resultados absolutos e dominância de mercado. — O mercado não reescreve testamentos, Leonardo! — A voz de Roberto subiu de tom, a paciência do homem velho finalmente cedendo ao peso da pressão. Ele agarrou a pasta de couro e a atirou para o centro da mesa. — O seu pai fundou isso aqui. Ele estipulou regras irrevogáveis. Nós não viemos aqui pedir um favor. Viemos lhe dar um ultimato legal.

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