O painel de vidro blindado do meu escritório no Morumbi oferecia a visão panorâmica e privilegiada de São Paulo, a selva de pedra onde eu mandava e desmandava, mas os meus olhos não estavam focados nas luzes da p***a da cidade. Eu encarava o meu próprio reflexo rígido, pálido e inabalável contra o vidro escuro. O relógio de platina maciça no meu pulso marcava o tempo com uma lentidão do c*****o, testando os limites da minha paciência já esgotada. O meu celular corporativo vibrou sobre a mesa de mogno pesado com um zumbido áspero. O nome de Bastos brilhou na tela daquele bagulho. Atendi no primeiro toque, levando o aparelho ao ouvido com a expressão travada, o maxilar trincando. — Manda a letra — ordenei, a voz fria, rasgando o silêncio de necrotério daquela sala. — Procedimento concluí

