Capitulo 23

951 Words

NARRAÇÃO CATARINA A pesada porta de vidro fumê e caixilhos de aço escovado fechou-se hermeticamente às minhas costas com um clique abafado, sugando instantaneamente o oxigênio e o barulho dos corredores caóticos do hospital público, trancando-me de forma irreversível em uma realidade paralela. O interior daquela ala executiva reservada não cheirava a doença, a sangue ou à miséria suada das filas do SUS; o ambiente inteiro cheirava a produtos de limpeza cítricos caríssimos, a café expresso recém-moído, a couro novo e a dinheiro intocável. O piso era forrado por um carpete espesso que abafava qualquer passo, as paredes eram revestidas com painéis de madeira clara e elegante, e o ar-condicionado central mantinha o espaço em uma temperatura fria, estéril e calculada, exatamente como um labora

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