NARRAÇÃO LEONARDO O silêncio no quinquagésimo andar da Ferraz Corp mantinha-se denso, o tipo de calmaria controlada que antecede uma decisão drástica nos negócios. Eu estava de pé junto à imensa parede de vidro blindado, segurando uma xícara de café expresso que esfriava intocada na minha mão, enquanto observava a imensidão cinzenta e caótica de São Paulo estendida lá embaixo. Já passava das três da tarde. O meu herdeiro biológico já estava há quase vinte e quatro horas alojado com segurança no útero de Catarina Azevedo, a garota que agora se encontrava trancada na suíte leste da minha mansão, recebendo a dosagem rigorosa de progesterona para garantir a fixação da gravidez. O problema sucessório imposto pelo testamento do meu pai estava tecnicamente resolvido. Era para eu estar concentra

