Dei um passo desesperado à frente, apoiando as duas mãos espalmadas sobre a mesa dele. As minhas lágrimas, que eu havia jurado para mim mesma que conseguiria segurar, começaram a cair, grossas, quentes e incontroláveis, manchando a madeira suja e os papéis espalhados. — Eu trabalho em dobro! Eu faço o turno da madrugada inteira, eu descarrego os caminhões de carga sozinha nas docas, eu lavo o chão dessa loja de joelhos todos os dias se o senhor quiser! — implorei, sentindo a minha dignidade se estilhaçar em mil pedaços no chão daquela sala imunda. — Mas eu preciso de um empréstimo, senhor Osvaldo. Um adiantamento total do meu salário, das minhas férias, qualquer quantia que o senhor puder me dar hoje para eu tentar dar entrada na clínica particular! Eu assino uma promissória com o valor d

