A porta dupla de vidro fosco da luxuosa clínica de reprodução humana fechou-se hermeticamente atrás de mim com um silvo baixo, bloqueando qualquer ligação com o mundo real. O ambiente era de um branco tão imaculado, estéril e ofuscante que feria os olhos e dava a sensação de estar dentro de um laboratório futurista. Não havia janelas. Não havia sequer o menor som distante de trânsito. Apenas o zumbido gélido e constante do ar-condicionado central e o bipe rítmico de máquinas cujo valor eu não conseguia sequer conceber. Bastos ficou do lado de fora da sala de procedimentos, postado no corredor como o cão de guarda implacável e sombrio que era, garantindo com a própria presença que o investimento reprodutivo do seu patrão não tentasse recuar ou fugir no último segundo. Uma enfermeira de

