Capitulo 16

1047 Words

Eu não podia voltar. Não de mãos vazias. Não com a sentença de morte da minha irmã carimbada na minha testa. Apoiei-me na parede fria do comércio fechado e forcei as minhas pernas a darem o próximo passo, mudando a rota. O sol já havia despencado no horizonte, e a noite engoliu São Paulo com a sua costumeira falta de piedade. As luzes dos postes acenderam, fracas e amareladas, iluminando as calçadas sujas onde a escória da cidade começava a rastejar. A fome rasgava o meu estômago com garras invisíveis, mas eu tranquei essa dor em uma caixa no fundo da minha mente. Caminhei sem rumo pelas ruas do centro, adentrando as zonas onde a moralidade desaparece assim que o sol se põe. O cheiro de lixo acumulado misturava-se ao odor enjoativo de perfumes baratos e fumaça de cigarro. Fachadas descas

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