NARRAÇÃO LEONARDO O clique metálico e pesado da tranca eletrônica da suíte leste soou nas minhas costas como a batida seca e definitiva de um martelo de juiz em um tribunal de inquisição, selando de uma vez por todas o destino sombrio daquela garota. Eu deixei Catarina lá dentro, trancada na sua jaula de ouro, chorando, encolhida, aterrorizada e prestes a receber a agulha fria com a primeira dose cavalar de hormônios sintéticos que fixariam a minha herança no fundo do útero dela. Enfiei as mãos nos bolsos da minha calça de alfaiataria italiana e comecei a caminhar pelo longo corredor de mármore branco com passos pesados, duros e cadenciados. O meu sangue ainda estava fervendo de uma maneira que eu não conseguia racionalizar. A sensação tátil e quente da pele macia da garganta dela debaix

