— Você não prestou atenção, Bastos. Você não viu como ela me olhou hoje quando eu entrei naquele quarto. Você não sentiu a textura da tensão dela — murmurei, a minha voz engrossando com uma crueldade sombria, quase palpável de tão densa. — Ela está aterrorizada, sim. É evidente. Ela treme, ela chora, o corpo dela entra em colapso quando eu chego perto. Mas ainda tem algo escondido lá no fundo daqueles olhos cinzentos. Uma resistência de merda. Um fiapo nojento de esperança. Uma faísca de rebeldia silenciosa que não foi completamente esmagada pelas minhas ameaças. Eu vi isso no hospital quando ela teve a audácia inaceitável de agarrar o meu pulso, e eu vi isso de novo agora, quando eu apertei a garganta dela e ameacei a vida da irmã. Ela abaixa a cabeça, mas a alma dela ainda está de pé. E

