Território proibido

948 Words
NARRAÇÃO DE BELA... Às vezes sinto que estou sendo a protagonista de um episódio de C.S.I. Não apenas eu, mas também Kaito. Ele entrou na propriedade da nossa família usando outra identidade, e agora farei o mesmo. Gosto disso, principalmente da química que alimentamos durante essa “investigação”. Kaito disse que descobriu muitas coisas. Falou deixando subentendidos, mas, no intervalo, eu o pressionei, e então ele contou tudo em detalhes. Meu semblante caiu ao imaginar meu pai agredindo o pai dele por algo que não fez. Acho que nunca senti tanta raiva de alguém que morreu há quase vinte anos… Josh, o filho da p**a do século. Papai foi bobo, mas não é mais. Tudo o que viveu o tornou forte, e acredito que será um choque descobrir, um dia, que seu maior vilão não era Dom Louis. Planejei tudo. Primeiro, liguei para meu pai avisando sobre o desejo de passar o dia na casa da Emma. Afinal, meu primo e ela sabiam dos nossos planos. Foi até divertido falar com ele durante o intervalo das aulas. Ele perguntou do Seo-Jun, perguntou até se ele havia comido no refeitório. Jesus… Papai está encantado com Kaito a ponto de se preocupar como se ele fosse o filho homem que nunca teve. Eu o acalmei e, claro, ele não implicou com o fato de eu ficar algumas horas na casa da minha nova amiga “Emma”. Quando a aula terminou, senti aquele frio na barriga normal… Afinal, eu iria conhecer os pais do Kaito. E, claro, o inimigo do meu pai. Dentro do carro, Kaito não mentiu. Ele colocou os óculos de grau em mim, sorriu e beijou meus lábios. Depois, ele mesmo fez tranças nos meus cabelos longos. Era como se o príncipe dos contos de fadas estivesse trançando os cabelos de Rapunzel. Minha roupa não era um problema: calça jeans, botinas, bem agasalhada. Enquanto dirigia, os olhos de Kaito me analisavam a cada minuto. — Está confiante? — Sim… mas um pouco nervosa. — É normal. Apenas sorria, fale pouco e deixe que eu me vire. Aaah, intercâmbio… De qual país vieste? — perguntou, rindo. — Não sei… Portugal! — Sabe falar português? — sorri, sem graça. — Não. — Então descarte. Algum lugar que fale inglês. — Inglaterra! Eu sei fazer o sotaque. Vi muitos filmes — afirmei, sorridente. Ele apertou minha coxa, causando uma pequena pulsação em minha i********e. — Perfeito! Inglesa, pais separados… melhor ainda: mortos. Assim ele não procura o histórico a fundo. Se ele desconfiar, consigo uma identidade falsa. Seu pai pediu no primeiro dia, mas nem chegou a checar, apenas confiou. Só tente fingir extrema timidez e fale o mínimo. Eu te ajudo no que for. Sorri, mas sabia que estava prestes a pisar em um vespeiro. Certamente, se meu pai sonhasse que eu estava prestes a entrar na mansão de seu maior inimigo… não consigo nem imaginar. Quando chegamos, Kaito me incentivou a caminhar e sussurrou em meu ouvido: — Seu nome é Brenda. Toquei na trança, incomodada. — Brenda? Eu já tive uma professora particular chamada Brenda, e ela era insuportável. — Só… aceite ser Brenda — murmurou, abrindo a porta. Entrei com ele. A mansão era diferente, mais clara. Os pisos brilhavam a ponto de refletirem minha imagem. Havia muito mais empregados; meu pai sempre evitou isso por conta do passado, de pessoas o traírem. Logo à frente, vi os pais de Kaito. Dom Louis era maior do que imaginei, com uma mão no bolso e a outra segurando a cintura da japonesa, mãe de Kaito. Forcei um sorriso, sentindo meu coração palpitar. — Pai, esta é a Brenda. Ela pode confirmar sobre o dia do tornado, foi uma loucura… — levantei os olhos, tentando ser o mais doce possível. Ajustei os óculos e sorri de leve. — Oi… me desculpe pelo transtorno. Eu queria muito terminar o trabalho e me sentia pressionada pelos professores. Kaito chegou a comentar que achava seguro voltar logo, mas a tempestade cresceu. Então achei mais seguro mantê-lo em meu apartamento. Eu estava acompanhando as notícias, e diziam que todos deveriam estar abrigados. Respirei aliviada quando Dona Hana sorriu, compreensiva. Em seguida, lançou um olhar afiado para Dom Louis. — E disse que ele ficaria seguro, amor. Olha o resultado do seu desespero… Observei o curativo em sua testa. Dom Louis me encarou, agora mais calmo. — Obrigado por abrigar meu filho. Às vezes, o desespero de um pai nos faz cometer loucuras. Bom… a senhorita gosta de carne vermelha? — Gosto — respondi, sorrindo sem graça. Kaito me incentivou a caminhar, e seguimos até a sala de jantar. Sentamo-nos, e eu estava tão nervosa que m*l conseguia segurar um simples garfo. Dona Hana me olhou sorridente. — Seus cabelos são lindos, tão compridos. — Obrigada. Sou muito ciumenta com eles, não gosto de cortar… só aparo as pontas por obrigação. Percebi Dom Louis sorrir de lado. Kaito parecia confiante naquela reunião à mesa. Ele pigarreou antes de falar: — Pai, ela comentou que faz intercâmbio. Veio da Inglaterra para melhorar o sotaque americano. Dom Louis, meu sogro que nem imagina, arqueou as sobrancelhas, animado. — Que bacana… e seu sotaque já está perfeito. — Estudo esse sotaque há alguns anos — respondi. Kaito sorriu, orgulhoso. — Pai, depois do almoço gostaria de apresentar os cômodos da mansão a ela. Brenda é uma boa amiga. — Claro, filho. Fique à vontade. Segurei a vontade de rir, pois, no fundo, sei muito bem o que Kaito quer fazer. Eu pedi algo extremamente proibido e, quando ele olhou em meus olhos, mostrou um pouco do desejo de querer ficar a sós comigo.
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