NARRAÇÃO DE KAITO... Apesar de sentir o peso da raiva e da mágoa do meu pai acumuladas dentro daquele quarto, eu compreendi a sua dor. O quanto guardou tudo em silêncio e transformou esse sofrimento em ódio e desprezo. Ainda assim, em seus olhos havia apenas tristeza. Aproximei-me e o peguei de surpresa com um abraço carinhoso, em empatia à sua dor. Ele ficou surpreso, mas retribuiu o abraço em silêncio. — Eu sinto muito por tudo o que passou… Agora entendo o porquê de querer tanto que eu fosse aceito por todos, o quanto você me monitorava para ter certeza de que eu estivesse bem. Eu sinto muito, pai. Soltei-o. Seus olhos agora estavam submersos em lágrimas. — Eu não permitiria que ninguém atacasse você. Ninguém, filho. Franzi os lábios e me sentei ao seu lado. Mesmo fragilizado pela

