Sombra narrando Eu puxo a arma da mão dela no mesmo segundo em que o disparo estoura dentro da casa, o tiro acertando o teto e espalhando estilhaço, poeira e um cheiro pesado de pólvora que toma tudo. Jogo a arma pra longe com força, sentindo o coração quase sair pela boca, o sangue fervendo numa mistura de susto, raiva e desespero que eu nunca tinha sentido daquele jeito. — Tá maluca, p***a! Tá maluca! Você tá ficando louca! — eu começo a gritar fora de controle, a voz ecoando pela casa inteira, enquanto olho pra ela tentando entender como a gente chegou nesse ponto. Ela vem pra cima de mim chorando, me enchendo de socos no peito, nos braços, sem força nenhuma, mas com uma raiva acumulada que parecia guardar anos de sofrimento engasgado. Cada tapa dela não doía no corpo, mas rasgava

