Ricardo narrando… A rua tava quieta daquele jeito que só domingo à noite consegue: um cachorro latindo longe, panela batendo em alguma cozinha, vento passando e levando cheiro de comida que sobrou. Eu não ouvia nada disso direito. Minha cabeça tinha ficado ali no portão com ela, no gosto do beijo ainda aceso e na p***a do corpo pedindo mais. Vitória encostada na grade, vestido azul colando no corpo do jeito certo, cabelo liso jogado pro lado, boca vermelha de beijo. Tive que respirar duas vezes antes de falar qualquer coisa que prestasse, porque senão eu dizia besteira, dessas que entregam demais. — Cê sabe o que tá fazendo comigo, né? — soltei, baixo, rouco. Ela levantou o queixo um tiquinho, sorriso torto, olho que provoca sem precisar de palavra. A mão ainda tava no meu peito, sent

