Ricardo narrando O dia já clareava quando larguei a boca. O chão ainda fedendo a pólvora de tanto tiro que rolou de madrugada. Resolvi voltar pra casa. Precisava de silêncio, precisava de ar que não tivesse fumaça de cigarro e maconha. Subi as escadas devagar, cada passo ecoando na madeira. Passei pelo corredor e parei na porta do quarto dela. Vitória tava ali, encolhida de lado, o rosto meio escondido no travesseiro. A respiração calma, a boca entreaberta… dormia como se o mundo não existisse. Fiquei parado, só olhando. Não sei explicar o que essa menina tem. Já vi tanta mulher se jogando em mim, se oferecendo de todo jeito, e nunca perdi meu tempo reparando. Mas ela… só de ver ali, dormindo, parecia que meu peito pesava. De repente, ela deu um pulo. Sentou na cama com os olhos arrega

