— Então deixa eu servir do meu jeito, Feroz... — sussurra, mordendo o lábio inferior, pintado de um vermelho berrante que parece sangue fresco de traidor. Puxo o cigarro, trago fundo até o filtro queimar meu pulmão e solto a fumaça direto na cara dela, nublando aqueles olhos pintados e baratos. Ela tosse, mas não recua. É teimosa, mas não é a teimosia de elite da russa; é a teimosia da sobrevivência rasteira. — Serve e vaza. Só isso. Sem gracinha, sem papo furado, sem gemidinho fingido. Se eu ouvir um pio teu que não seja o barulho do serviço, eu te jogo no micro-ondas e assisto de camarote. O silêncio na sala pesa dez toneladas. A navalha brilha sob a luz, a carreira de pó está ali, me desafiando. Eu imagino a russa ali, naquela posição, com aquele queixo erguido e os olhos castanhos f

