Episódio 16

1408 Words
Nos dias seguintes, após o início da circulação da revista, o grupo de trabalho reuniu-se algumas vezes para discutir o conteúdo da próxima edição. Dante não compareceu a essas reuniões porque Amanda havia solicitado alguns dias antes. — Manteremos o mesmo conteúdo, exceto pelas poucas colunas marcadas no quadro. Mostrando um grande quadro branco no fundo da sala de reuniões, Amanda começou a discutir com a sua equipe algumas mudanças que Dante havia sugerido no primeiro dia da sua chegada e que ela, fechada pelo ódio que sentia por ele, não aceitou. — Essas colunas têm certas falhas e, como uma revista voltada para o público feminino, precisamos inovar... Então, o que você propõe? Rita, uma das responsáveis pelas colunas que seriam eliminadas, levantou a mão e, após receber a ordem de Amanda para falar, disse: há uma semana, conversei com o Sr. Dante, a quem comuniquei que queria mudar o meu conteúdo, e ele me deu algumas sugestões muito boas... Com todo o respeito, Sra. Granfort, a senhora deveria convidá-lo para a reunião. Acho que ele teria material interessante para compartilhar conosco. Amanda engoliu em seco ao ouvir a moça, que trabalhava ao seu lado há três anos e sempre fora conhecida por seu bom trabalho. Convidar Dante para a reunião com a sua equipe certamente seria constrangedor, mas, usando a lógica, e depois de relembrar alguns demonstrativos financeiros que vira da sede no exterior, esse homem manteve a revista no topo graças às suas constantes mudanças, então ela pensou que talvez ter os seus conselhos ajudasse. Amanda, após permanecer em silêncio por alguns segundos, ligou para Melissa e, após pedir que ela buscasse o marido, ele chegou alguns minutos depois. — Amanda... Pessoal, obrigada por considerarem as minhas ideias. Dante, após assumir o seu lugar, iniciou uma discussão com toda a equipe e, sugerindo alguns tópicos, Amanda aceitou um deles. — Gosto da ideia de moda curvilínea. Nunca tocamos nesse assunto, e muitas de nossas leitoras são mulheres com esse tipo de corpo. Tanto Dante quanto Rita sorriram, percebendo que a ideia era realmente atraente. Levantando a mão, a moça disse: o Sr. Dante pode trabalhar comigo? Sei que a sua área aqui é contabilidade, mas entendo que a senhora é uma ótima editora e gostaria de aprender com ele. Amanda não viu nada de errado nisso, então, após aceitar, todos voltaram aos seus postos para começar a preparar as suas propostas, que seriam entregues em dois dias. Depois de revisar alguns relatórios pré-preparados, Amanda retornou ao seu escritório. Seu motorista bateu na porta e pediu licença para entrar. — Sra. Granfort... queria lhe dizer que o seu veículo está com um problema e precisamos consertá-lo o mais rápido possível. Para Amanda, isso era uma bobagem que não merecia a sua atenção, então, depois de pedir ao motorista que levasse o veículo para uma revisão, ela pretendia dizer a Melissa para pedir que alguém a buscasse, mas esqueceu. — Sra. Amanda, já é noite e a minha hora de ir chegou, então, se não precisar de mais nada, eu posso ir? Parada na beira da porta com as mãos entrelaçadas, acrescentou a sua assistente, e depois de balançar a cabeça em ne*gação, enquanto revisava mais alguns relatórios, a moça saiu da empresa, esquecendo-se de avisar a Amanda que pedisse a alguém que a buscasse. Assim que terminou, Amanda levantou-se e, depois de olhar pela janela para a noite que varria a cidade, bufou ao se lembrar que não tinha como ir embora. — Melissa. Ela pensou em voz alta. Tentando ligar para a sua assistente, ela não atendia porque o seu telefone estava sem bateria. E percebendo que seria tarde demais para pegar um táxi, Amanda não teve escolha a não ser sair e tentar chamar um na rua. Despedindo-se do segurança, Amanda caminhou por uma rua afastada da empresa e, ao ouvir um carro parar aos seus pés, alguns minutos depois de esperar por um táxi que nunca chegou, Granfort sentiu um medo mortal. — Amanda! A voz de Dante soou ao seu lado e, após um sobressalto, ela olhou para ele, reconhecendo-o dentro do veículo, apesar da escuridão. — O que você está fazendo aqui? Entre no carro agora! Está muito tarde e esta área é muito perigosa. Amanda olhou ao redor, tentando refutar algo contra ele, e percebendo que a alguns metros dela estava um homem que lhe inspirava um pouco de medo, tentou recusar, mas Dante acrescentou: eu vou levar a Rita também. Estavamos trabalhando até tarde, e eu vou levá-la para casa. Olhando novamente na direção do homem desconhecido, ele se moveu levemente na sua direção, deixando-a um pouco assustada. Depois de se convencer mentalmente de que era louca por entrar no carro de Dante, ela simplesmente caminhou até ele e entrou no banco de trás. O caminho até a casa de Rita foi imerso numa conversa entre Dante e ela, e depois de deixá-la em casa, ele a convidou para ir com ele no banco da frente. — Agora, vamos para a sua casa... Eu não entendo o que você estava fazendo lá sozinha, a esta hora. Amanda lembrou-se do que o motorista lhe dissera e, depois de soltar um bufo, explicou: o meu carro quebrou e eu o mandei para o conserto. Eu estava tão ocupado que esqueci de chamar um táxi. Dante deu uma risadinha, lembrando-se de como a sua esposa costumava ser esquecida. Depois de observá-la enquanto dirigia, disse: você não mudou nada, Amanda. Você ainda se esquece de certas coisas. Por mais que ela quisesse responder, havia muitas coisas que ela tendia a esquecer, e ele a conhecia, então apenas sorriu quase imperceptivelmente e permaneceu em silêncio. Chegando à mansão Granfort, Dante parou o veículo na entrada principal. Percebendo que Amanda pretendia sair sem se despedir, comentou: acho que você deveria pelo menos ser grata por eu ter me esforçado para te trazer aqui. É o mínimo que eu mereço. Permanecendo onde estava, ela respondeu. — Obrigada, Dante... Mas eu não pedi a sua ajuda, então não mexa comigo. Dante, com as mãos firmemente no volante, caiu na gargalhada e, depois de erguê-las num gesto de paz, acrescentou: você não pediu a minha ajuda, mas percebi como estava com medo do homem que caminhava em sua direção, que, se não fosse por mim, poderia ter te agredido. Amanda estreitou os olhos com a descoberta e, depois de tensionar o maxilar, não viu outra saída a não ser aceitar. — Sim, você tem razão, eu estava com medo, mas isso não significa que pedi a sua ajuda. Você se ofereceu. Para Dante, ela admitir algo assim foi um começo, então ele olhou para ela e assentiu. — Você não precisava fazer isso. Eu não sairia dali e te deixaria sozinha em perigo, então é meu dever... Mesmo que você não me peça, estarei ao seu lado, mesmo que você não me ame mais. Essas palavras mexeram com os sentimentos de Amanda por alguns segundos, sentimentos que ela tentou ignorar e esconder no fundo do coração. Então, sem dizer nada, ela saiu do carro, alarmando Dante, que a seguiu, pensando que a havia ofendido. — Eu disse algo errado, Amanda? Ao ouvi-lo chamá-la pelas costas, Amanda continuou o seu caminho para a casa da sua família. Ela abriu a porta com as chaves e parou ao chegar à sala de estar. Ouviu os passos do marido. — Por que você sempre faz isso, Amanda? Por que, desde que cheguei, você foge quando eu digo que te amo? Amanda franziu os lábios, ainda de costas para Dante, e depois de respirar fundo, reunindo coragem para responder, tentou se virar quando, de repente, Erick, o seu pai, chegou. — Dante Hackett? Na minha casa? Que oportuno! Eu estava pensando em falar com você. Amanda desviou o olhar para o pai e, ao vê-lo ao pé da escada à sua frente, soube que ele falaria com Dante, depois de esperar por ele por três anos. Dante, por outro lado, concordou, sabendo que o sogro estava chateado com a sua partida, e depois de pedir à filha que os deixasse sozinhos, Erick se dirigiu a ele. — Agora, Dante, depois de três anos, e você ter abandonando a minha filha, conversaremos de homem para homem. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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