Levantando a mão para tocar o rosto da Amanda, ela a segurou antes que ele pudesse, e demonstrando pela primeira vez o que sentia, Dante murmurou: isso não é verdade. Você ainda me ama, Amanda.
Na esperança de que ela dissesse que era tudo um jogo, ele continuou olhando nos seus olhos.
Sorrindo ao ver a desorientação de Dante pela primeira vez, Amanda acrescentou, dando-lhe o golpe final.
— Não, Dante... Não mais. Atlas me ensinou o que é o amor verdadeiro, e o que você prometeu não passou de mentiras. Mentiras em que eu acreditava, mas agora sei que são falsas e nunca mais vou acreditar em você.
Analisando tudo ao seu redor, Dante queria descobrir onde estava a sua esposa. A sua doce e adoravél esposa. A que ele deixou antes de partir. Os seus olhos azuis, como o próprio céu, lhe diziam que ela não existia. Assim como o seu belo sorriso, que jamais seria dele novamente, e que agora só o seu irmão poderia desfrutar.
E ela certamente não era mais a mesma to*la com quem ele se casou. A Amanda de hoje não se deixaria humilhar, como no passado, quando ele a deixou, quando a usou depois de despojá-la da sua pureza e a abandonou.
A Amanda de hoje, a mulher à sua frente, era tão opositora que se defendia e nunca mais abaixaria o olhar. O que estava claro, agora que ela estava na frente dele.
Recuando alguns passos, Dante ainda não entendia, ou melhor, não aceitava o que estava acontecendo.
— Agora, se me dá licença... Preciso ir, Sr. Hackett.
Retomando o passo, Amanda girou nos calcanhares e, levantando a mão, ele tentou impedi-la, até que a mão firme de Atlas o deteve de repente.
— Não ouviu que ela quer ir embora?
Os olhos claros dos dois irmãos encontraram-se por um momento e, agarrando o seu braço, Dante deixou claro que o queria longe dela.
— Não interfira, Atlas! Porque eu não repondo por mim.
Evitando socá-lo, Dante ficou em pé à sua frente, a poucos centímetros de distância. Se não fosse pelo local e por alguns espectadores que os observarem, os irmãos teriam se desentendido ali mesmo.
Como se nada tivesse acontecido, e com um sorriso enorme ao ver que Amanda havia se defendido de Dante e não se deixado manipular, o mais novo dos dois ergueu o queixo desafiadoramente, empurrando-o levemente. Se não fosse por ser seu irmão mais novo, Dante não teria se contido.
— Senão, o que você vai fazer, Dante? Vai me bater? Vamos! Eu espero que você faça isso!
Amanda, ouvindo essas palavras, retornou e, de pé entre os dois homens, que eram muito mais altos que ela, colocou as mãos nos seus p****s para criar distância.
— Atlas... Por favor, pare.
Terror e tensão tomaram conta dela, e ela começou a implorar. Assim que o homem a ouviu, olhou para ela e disse: só se você vier comigo.
Sem hesitar um instante, Amanda assentiu e, pegando-a pela mão, Atlas a puxou para longe sem olhar para trás.
Deixando Dante, irritado, chocado e magoado, como Amanda não olhou para trás por um segundo, e não se opôs, ele percebeu que a havia perdido.
Sentindo uma mão fina segurar a sua, olhou para o lado e, encontrando Erika, sorriu amargamente.
Em outra situação, ele teria protestado, mas depois de ouvir Amanda e o que ela sentia, sabia que no seu coração só encontraria ódio por ele. O que ele entendia e justificava.
— Eu te disse, ela não te ama mais.
Sentindo uma enorme dor no coração, Dante assentiu. Mesmo assim, não se resignaria a esquecer Amanda e lutaria para reconquistá-la.
...
Com a respiração ofegante e sentindo a ardência nos olhos, assim que se afastaram o suficiente de Dante, Amanda parou e, colocando as mãos na cintura, tentou controlar a respiração ofegante.
— Por que diabos você foi com ele? O que o Dante disse para você?
Com a curiosidade corroendo todo o seu ser, Atlas bombardeou Amanda com perguntas, fazendo-a levantar a mão, sinalizando para que ele se acalmasse. Quando ele se acalmou, ela falou.
— Só falou bobagens. Ele queria reclamar do porquê de eu estar aqui com você. Ele não é um descarado?
Atlas imediatamente balançou a cabeça ao se aproximar dela, segurando o seu rosto, e ficou a poucos centímetros dos seus lábios.
O desejo e a urgência de retomar o que havia ficado inacabado o atingiram imediatamente, devido ao quão convidativo os lábios dela pareciam, mas, olhando ao redor e notando algumas pessoas, ele se conteve.
— Você não precisa dar atenção a ele, Amanda. Dante é louco. Sempre foi. E ver que você mudou agora, que o deixou para trás, faz com que ele queira te segurar de novo, mas eu não vou deixar... Eu não vou deixar você voltar para os braços daquele id*iota que não soube te valorizar e que, infelizmente, carrega o meu sangue.
O desprezo que o jovem Hackett sentia pelo irmão era evidente nas suas palavras e, sem esperar muito, ele se aproximou de Amanda, sentindo que morreria se não tocasse os seus lábios naquele momento. Infelizmente, a mão dela pousou no seu peito, impedindo que o beijo precioso a alcançasse.
— Atlas, me perdoe... Eu sei que a sua intenção era me distrair, mas depois do que aconteceu...
As suas palavras ficaram inacabadas quando ele levou um dos dedos aos lábios dela, silenciando o que estava prestes a dizer, fazendo-a sorrir com ternura, com carinho por ele, que sempre esteve lá para ela.
— E eu sinto muito, e não me canso de dizer, Amanda, a culpa foi minha, e você não precisa se desculpar. Quando chegar a hora, estarei lá para você. Sem pressa, sem pressão. Eu esperei por você e continuarei esperando. Entendeu?
A mão dele, enquanto falava, moveu-se em direção ao queixo dela e, acariciou a área machucada por Dante. Amanda sentiu alívio, calma e paz.
Eles eram tão opostos...
Um frio, amargo, severo...
Enquanto o outro era um amor.
Como ela poderia não amar Atlas?
O pior era que ela, mesmo depois de três anos ao lado dele, não conseguia.
Havia algo errado com ela?
Com certeza, sim, mas o que ela nunca mais faria era se humilhar por Dante, e a sua tortura logo acabaria.
Sorrindo, os dois caminharam em direção ao carro de Atlas e, ao entrar, Amanda lançou um último olhar para Dante, que estava parado a poucos metros dela.
Um olhar cheio de ódio, de ressentimento, que o pesou tinha um gosto amargo e que doeu pelo resto da noite, quando ele não conseguiu se concentrar em Erika, que parecia uma garotinha desatenta.
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Chegando à espaçosa mansão Hackett, Amanda desceu do veículo e, parada no topo da escada antes de ir para o seu quarto, disse algo que magoou Atlas, algo que ele não permitiria se dependesse dele.
— Amanhã eu vou embora... Dante voltou, e eu não posso ficar mais um dia neste lugar. Eu fiquei por você, pelo seu avô, mas agora que ele vai retomar a vida neste lugar, eu não posso ficar... Não quando Erika estiver vagando livremente por este lugar como se fosse a dona.
Sorrindo, Amanda engoliu o nó na garganta e, permanecendo em silêncio, as lembranças a atingiram com amargura.