Por Acaso

1804 Words
Uma semana depois... Theo: Era dia de receber a quantia do Grafite, e ele me deu bem mais que o combinado. Eu sabia que aquele era um dinheiro sujo, mas eu estava precisando dele. De imediato,fui em uma mobiliária,e comprei uma casa melhor, para que eu pudesse oferecer um pouco mais de conforto para a Isabella, e para a tia Dora. Com o restante do dinheiro pude pagar algumas contas, e guardar uma quantia para os mercantis. --- Meu filho, como você conseguiu comprar essa casa? - Tia Dora pergunta desconfiada. ---- Eu guardei dinheiro durante algum tempo tia. - Respondo. ---- Você só me orgulha! - Sorrir. Era com muita satisfação, que eu ajudava a minha tia á arrumar todos os nossos pertences em caixas de papelão para podermos nos mudar para a nossa nova moradia. Era uma casa confortável, com 3 quartos, banheiro, sala, e cozinha. Como tínhamos poucos móveis, não precisamos contratar caminhão de mudança, pois contamos com a ajuda de um irmão da tia Dora que se dispôs á levar nossos móveis no caminhão dele. Após um dia cansativo de mudança, ajudei a minha tia á arrumar tudo em seu devido local, e depois pedimos uma pizza para o jantar. ---- Belinha dormiu? - Pergunto de boca cheia. ---- Dormiu sim! Ela estava estranhando a nova casa, mas logo se adapta. - Sorrir, e degusta uma fatia de pizza calmamente. ---- Gostou da nova casa, tia? ---- Muito,filho! Essa é bem melhor! Rimos, e depois fomos dormir exaustos. No dia seguinte... Meu celular tocou, e recebi a notícia de quê eu tinha uma entrevista de emprego! Pulei da cama, me arrumei, e fui até o rh da empresa que havia me chamado. Finalmente, parecia que tudo iria se acertar! Entrevista realizada com sucesso, e eles ficaram de me darem uma resposta após alguns dias. Desta vez, eu iria fazer tudo diferente! Eu realmente queria uma nova realidade para a minha vida,e quem sabe eu até podesse reencontrar Melina, e me tornar o cara que ela merecia. Falando em Melina.. Após ter beijado aqueles lábios doces, estava muito difícil de esquecê-la. Todos os momentos que eu pude estar ao lado dela haviam ficado marcados em minha mente, e eu tinha o desejo de poder beijá-la novamente, e tê-la para mim. Desde que a mãe da minha filha Isabella havia nos abandonado,eu não tive mais olhos para outra mulher, ou vontade de ficar, ou namorar alguém. Mas aquela garota tinha algo especial! Um jeito meigo, mais maduro,um jeito emotivo, mais forte, enfim,ela havia roubado parte do meu coração á curto prazo. Melina: Eu ainda estava um pouco traumatizada com o sequestro, e com grande receio de sair de casa, mas aos poucos eu estava tentando voltar á ter uma vida normal. Os meus amigos sempre combinavam de assistir um filme em minha casa, mas eu estava um pouco desligada do mundo, e não conseguia ter ânimo para quase nada. Além de ficar m*l só em lembrar a quantidade de vezes em que eu havia sido ameaçada de morte, me vinham as lembranças do tal bandido que cuidava de mim. Quando eu parava para pensar, eu me sentia em outra órbita! Parecia que tudo aquilo tinha sido um sonho maluco, e nada mais! Ele ria das minhas histórias, me cobria quando eu sentia frio, me alimentava, e algumas vezes, eu sentia suas mãos acariciando os meus cabelos. Pode por trás da figura de um bandido,ter um ser diferente? Ele parecia ser alguém muito humano, mas tinha um semblante sofrido,desgastado, preocupado.. Apesar de ter sido uma experiência diferente,eu só queria esquecer de tudo que tinha acontecido. Meu pai ficava me pedindo perdão por não ter pagado o meu resgate antes, mas eu não o culpava pela demora, e sabia que ele teria que correr atrás de meios, para poder conseguir a quantia pedida por aqueles trogloditas. Eu voltaria á estudar, me dedicar, e ficaria um tempo "isolada" de "farrinhas" com os amigos,até que me recuperasse totalmente do "susto" sofrido. Theo: Apenas um telefonema! Só um telefonema para mudar a minha vida! Um número desconhecido me ligava, e eu atendi trêmulo. ---- A,alô? ---- Senhor, William Theo? - Uma voz feminina fala. ---- Sim, sou eu. ----- Aqui é da Universidade Dileon,meu nome é Diana,e quero lhe comunicar que você foi selecionado para a vaga de auxiliar de serviços gerais. Você poderia vir até o rh da empresa pegar o seu uniforme,e resolver assuntos sobre a vaga? - Ela pergunta. ---- Cla,claro! - Gagueijo. Essa seria a grande chance da minha vida! Eu já não vendia mais d***a há meses,e agora finalmente eu poderia sair da vida do crime. Eu odiava mentir para a minha tia, mas eu estava tão feliz, que precisava contar que agora eu iria ter um emprego digno. ----- Tia, eu fui demitido da firma. - Falo rapidamente. ---- Meu Deus,William! E agora meu filho? - Fala com os olhos arregalados. ----- Calma,tia! Eu já consegui emprego de auxiliar de serviços gerais em uma faculdade. - Digo animado. ---- Faxineiro, filho? - Arqueia a sobrancelha. ---- Ah, tia! Eu estou feliz! Melhor que ficar desempregado. - Disse um pouco sem graça. ---- Vai em frente,filho! Você me orgulha cada vez mais! - Me beija no rosto. Tomei um banho, troquei de roupas, e fui até o rh pegar o uniforme,e acertar valores de salário, hora extra, horário de trabalho, enfim, eu estava oficialmente contratado. Eu trabalharia das 08:00 da manhã, ás 16:00 da tarde, limpando banheiros, salas, laboratórios, enfim, o espaço da faculdade. E o melhor de tudo, era que eu teria um salário fixo! ---- Então, você já poderá começar na segunda feira, ok? Só te peço que cubra as suas tatuagens ao máximo, ok? - O dono da universidade falou, me dando um aperto de mão. ---- Muito obrigado! O senhor nem imagina como está me ajudando! Não se preocupe! As tatuagens não irão aparecer. - Disse sorrindo, e ele também sorriu. Fui para casa feliz da vida, e a Isabella estava chorando por quê a boneca de pano dela havia se rasgado. Ver a minha princesinha chorando, me partia o coração! Peguei uma quantia das minhas economias, a levei em uma lojinha próxima da nossa casa,e comprei uma boneca linda para a minha filha. Isabella tinha apenas 3 anos, e era uma criança doce, e muito calma. Ela falava pouco,era um pouco retraída, e ás vezes eu ficava me perguntando se ela tinha algum problema na fala, ou algo do tipo. Após consultas com uma psicológa , foi constatado apenas que ela sentia falta de uma figura materna. De alguma forma,a Belinha sabia que a tia Dora não era a mãe dela. Ela não era uma criança agitada como as outras crianças! Ela parecia ter um mundinho só dela. E era nessas horas, que o meu coração de pai apertava, e eu sentia ainda mais ódio da mãe dela. Melina: " Eu vou mudar por você!". Essas palavras haviam ficado marcadas em minha mente, de forma que eu não conseguia esquecer do "bandigato". Eu precisava desabafar,e contar tudo para alguém, e no momento a pessoa mais indicada para isso,era a minha amiga Madu! Após contar tudo o que eu estava sentindo, ela achou que eu estava ficando louca e precisava de um apoio psiquiátrico, mas como boa amiga que sempre foi, me aconselhou á esquecer de tudo isso, e voltar á viver normalmente. Pensando nisso, passamos o fim de semana estudando, e eu tive que pegar boa parte das aulas da faculdade que eu havia perdido. Segunda Feira.. Era dia de voltar para a faculdade, e retomar o grande sonho da minha vida : Ser veterinária! O Murilo foi me levar até a faculdade,e me deixou na minha sala. ---- Quando terminar a aula, fica aqui paradinha, e me liga, que eu venho te buscar. - Sussurra com preocupação. ---- Meu pai, é o delegado Nestor, e não você! - Gargalho, ele beija a minha testa, e sai. Falando em delegado Nestor.. Ele estava investigando quem seriam os sequestradores,e eu ficava apreensiva só em pensar. ---- Credo, amiga! Não entendo como tu e o Murilo, se amam tanto assim! Tem dias que eu tenho vontade de degolar o meu irmão! - Madu diz fazendo uma cara estranha. ---- Boba! Nem eu sei explicar! Só sei que a minha família, é a base de tudo! - Suspiro. ---- Falou, a senhora família! - Vira os olhos me fazendo rir. Minutos depois, os meus colegas entram na sala, me abraçam, alguns perguntam como eu estou,e até os professores perguntaram se estava tudo bem depois do susto. Fiquei muito grata pelo carinho de todos, mas eu não queria mais falar sobre esse sequestro, bandidos, ou coisa do tipo. Todos haviam ido para o laboratório de anatomia, e eu tinha ficado na sala para organizar alguns papéis de trabalhos que eu teria que fazer,e entregar para os professores depois. 5 minutos... Estava sozinha na sala sozinha, quando a Madu me liga, falando que eu estava perdendo a melhor parte da aula. Vesti o meu jaleco apressada, e saí da sala correndo feito louca, em direção ao laboratório, quando... Senti as minhas pernas escorregarem, e caí com o bumbum no chão. ---- Ow, moça! Você não viu, a placa de que o piso estava molhado,não? - Um rapaz bonito diz, me ajudando á levantar. ---- Eu estava um pouco apressada! - Falei segurando o riso. ---- Você está bem ? - Pergunta. ---- Sim! Kkkkkkkk.. - Me pus á rir muito. Ele deu um sorriso torto, e me entregou os meus cadernos que estavam no chão. ---- Mais cuidado, da próxima vez! - Sorriu. ---- Tudo bem, obrigada. Continuei á andar em direção ao laboratório novamente, e quando olhei para trás, o tal rapaz estava limpando o chão. Espera... "Bandigato", e agora "Faxigato?". Meu Deus! Eu não estava normal, mesmo! Que homem lindo! Alto, olhos penetrantes, corpo atlético, barba bem feita, e faxineiro? Aquilo não era de Deus! Eu tinha certeza! Cheguei ao laboratório com uma cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança, e a Madu logo foi até mim. ---- Menina, que demora! Tu tá pálida! Viu um fantasma, foi? - Sussurrou. ---- Não... Só vi o faxineiro mais gato da face da terra! - Sussurrei, á fazendo soltar uma risada tosca, e todos nos olharem, inclusive o professor. Theo: Por acaso... Era ela! Melina! Como aquela garota foi se "estabanar" no chão, logo no setor, em que eu estava trabalhando? Bem humorada,ela riu de toda a situação, me fazendo corar de tanto nervoso. Eu não queria que ela lembrasse nenhum traço meu. Como estava linda! E aqueles olhos claros, então? Estavam brilhantes, e ainda mais lindos. Realmente, ela merecia coisa bem melhor que eu! Estava vestida em um jaleco branco, e com certeza seria uma ótima profissional. Quando ela saiu, fiquei desconcertado, e demorou alguns minutos até que eu saísse daquele êxtase profundo,e voltasse ao trabalho.
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