Por Acaso (pt.2)

1155 Words
Melina: Senhor, que homem era aquele? Depois que tive a visão do paraíso, fiquei um pouco aérea. A Madu não perdeu a oportunidade de tirar sarro da minha cara de boba, e ficava rindo de mim á todo instante. Dei graças á Deus poder chegar em casa, e me isolar do mundo em meu quarto. Mas claro, que eu não conseguiria, né? Por me conhecer mais que ninguém, o Murilo percebia qualquer mudança de humor em mim. Deu duas batidas leves na porta, e eu pedi que ele entrasse. ---- Como está a minha irmãzinha? - Deitou ao meu lado na cama. ---- Confusa,e paralisada com o faxineiro da faculdade. ---- Quê? Faxineiro? - Gargalhou. ---- É,um funcionário novo! Murilo,do céu! Aquele com certeza, foi o homem mais gato que já vi em toda a minha vidaa! - Sorrio boba. ---- Eu sabia que você era a menina mais louca desse mundo! - Me abraça rindo. ---- Não vai contar para o papai! - Sussurrei. ---- Segredo de irmãos! - Fala rindo, e logo meu pai nos interrompe. ---- Posso saber qual o motivo de tanta felicidade? O almoço está na mesa! - O nosso pai diz sério. ---- Nada,pai! Só estamos conversando! - Murilo responde. ---- A hora do almoço é sagrada! Lavem as mãos. - Decretou, e saiu. O nosso pai nos tratava como crianças. E depois de eu ter sido sequestrada, então? Ele vigiava até os meus suspiros. O Murilo ultimamente estava passando pouco tempo em casa, pois estava em treinamento intensivo fora da cidade para ser policial. Eu era muito apegada ao meu irmão, mas eu sabia que aos poucos tudo iria mudar. Ele já estava com 23 anos, logo iria tornar-se policial, casar, ter filhos... Fomos almoçar, e o silêncio reinava á mesa. ---- Murilo, você acha que vai ser um bom policial,com esse seu jeito extrovertido? Ser policial requer seriedade, senso de justiça! - Meu pai diz. ----- Policiais também sorriem! - Murilo responde seco,e se retira da mesa. ---- Tá vendo, o que você fez? - Minha mãe reclamou, olhando para o meu pai com raiva. Meu pai cobrava muito do Murilo, e isso o sufocava. Agente conversava bastante, e eu sempre pedia para que ele tivesse paciência, mas realmente era difícil. Ele queria nos dar um tratamento digno de quartel general, mas a minha mãe sempre tentava amenizar a situação, e isso causava um pouco de conflitos entre os dois. ---- Mel, eu acho que vou desistir do meu sonho. - Murilo falava em lágrimas. ---- Vai desistir, por causa do nosso pai? Eu não admito, isso! Você já sabe como ele é,e já devia está acostumado! Você tem que mostrar para ele que é capaz! - Digo. Ele me abraça, e ficamos jogando conversa fora, durante toda a tarde, e á noite terminou em pizzas,e filmes no meu quarto, pois na manhã seguinte Murilo voltaria para o treinamento militar. Theo: Esbarrar em Melina todas as manhãs, era uma possibilidade que eu não descartava. Mas resistir sem poder tocá-la, beijá-la, e abraçá- la,não seria nada fácil. Encerrado o meu primeiro dia de trabalho, fui pra casa de ônibus, e quando cheguei.. A tia Dora estava sentada no sofá da sala conversando com uma mulher que estava segurando a Isabella no colo. ---- Mariana? - Digo assustado. ---- Olá, Theo.. - Diz com um sorriso cínico. ----- O que quer aqui? Me dar a minha filha! - Tiro Isabella de seus braços. ---- Ela está com sono, me dá aqui ela filho! Você precisa conversar com essa "zinha" aí. - Fala pegando Isabella nos braços,e olhando Mariana com um olhar de poucos amigos. ---- A senhora também é adorável, dona Dora! - Fala mostrando a língua. Saímos e fomos para uma cafeteria perto da minha casa. ---- Está bem de vida agora, não é? Aquela casa é muito grande para um pobretão igual á você. ---- Diz logo o que você quer Mariana! - Falo bravo. Para quem não sabe, Mariana era a mãe da minha filha. ---- Simples! Eu quero a Isabella! - Aproxima o rosto ao meu. ---- Que história é essa, Mariana? Você nunca quis saber da Isabella, e agora vem com isso? qual é a tua? - Me irrito. ----- Eu tô saindo com um coroa rico, tô morando em uma mansão, estou ficando famosa como cantora de funk, e eu quero levar a menina para ter uma vida melhor! - Responde. ---- A MINHA filha, não vai para nenhum lugar com você, Mariana! - Eu já estava com vontade de arrancar os cabelos dela. ---- Cai na real,Theo! Tu é um bandido, que vive de roubo, de vender drogas, e a tua tia,já está bem perto de morrer! Se a pirralha for comigo ela vai ter diversas babás, e uma vida de princesa! - Fala de boca cheia, devorando um x-burguer. ---- Cai na real,tu Mariana! Eu mudei! Tenho um trabalho digno, e a minha filha não precisa de nada teu! Nada! E se você falar mais uma vez assim da minha tia, eu não respondo mais por mim! - Falo com ódio. ---- Eu sou rica! Rica! Ela vai viver bem melhor com a mãe dela! - Arrota. ---- Você é imunda! Jamais terá a classe de uma mulher rica! Eu te odeio Mariana! A minha filha não vai para nenhum lugar contigo! Tá ouvindo? - Grito fazendo com que todos que estavam na cafeteria olhem. ---- Te espero na justiça, Theo! - Gargalha. Fui para casa louco de ódio,e sem que minha tia percebesse,chorei a noite praticamente inteira. A minha filha era a razão do meu viver, e eu não conseguia imaginar a minha vida sem ela. No dia seguinte.. Eu estava sem chão! Limpando os corredores daquela universidade com lágrimas nos olhos, Melina passa por mim, escorrega, mas desta vez eu a seguro em meus braços, e beijo aqueles lábios doces com desespero. ---- Tá louco? - Fala se desvencilhando de mim. ---- Perdoe! Foi apenas um impulso! Eu não, não... Desculpa! Tento sair rapidamente,mas ela me segue. ---- Ei,espera! Tá pensando que é assim?! Você chega, me beija, e depois vai embora com essa cara lambida? - Grita. --- Eu sou uma mulher de respeito, e posso te denunciar para a diretoria,sabia? ---- Moça, me desculpa! Eu prometo que não irei mais nem olhá-la se preferir! - Digo sério. ---- Não! Não é pra tanto! - Ela cruza os braços, e vira o rosto me fazendo rir. ---- Eu aqui cheio de problemas, e rindo de uma garota atrapalhada. - Falo. ---- Eii! Problemas? Posso ser útil? - Pergunta. ---- Não, não pode! - Pego o meu carrinho de limpeza, e saio correndo. Eu não poderia envolver Melina em assuntos que só cabiam á mim resolver! Saí do trabalho ás 16:00 horas, e fui á procura de um advogado. Como esperado, eu não tinha dinheiro para pagar os honorários de um bom advogado, mas me indicaram procurar uma assistente social da rede pública. Vendo o meu desespero,o tal advogado me indicou uma ,e eu pude marcar uma reunião para conversar com a doutora Amitis Grimaldi! Que segundo ele, era uma ótima profissional, e que já havia conseguido resolver diversos casos.
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