Depois daquela conversa, a casa ficou em silêncio. Meu pai voltou para o sofá, mas já não parecia prestar atenção na televisão. Eu sabia que ele estava pensando no que eu tinha contado. Eu também estava. Fui para o quarto e me sentei na cama. Passei a mão pelo cordão de ouro no meu pescoço. Pesado. Frio. Aquilo parecia quase um símbolo agora. Como se marcasse algo que eu não tinha mais controle. Meu celular vibrou na cama. Olhei a tela. Barão. Meu coração bateu mais rápido. Atendi. — Alô. — Tá em casa? A voz dele sempre era direta. — Tô. — Gostou das joias? Olhei para o cordão no meu pescoço. — Gostei. Ele ficou em silêncio por um segundo. — Sexta-feira vai estar cheio. — Eu imaginei. — Gente de vários morros. Engoli seco. — Você vai ficar do meu lado. Aquilo não

