O som do baile já dava para ouvir de longe.
A música batia forte no ar enquanto a moto subia a última rua do morro. As luzes coloridas piscavam lá embaixo, iluminando a multidão que já ocupava a quadra e as ruas ao redor.
Eu estava na garupa da moto de Barão.
Segurando firme na cintura dele.
O vento da noite bagunçava meu cabelo enquanto descíamos devagar em direção ao baile.
Meu coração batia mais rápido a cada metro.
O morro inteiro estava ali.
Quando a moto apareceu na entrada da festa, os homens da segurança imediatamente abriram espaço.
— E aí, patrão!
— Boa noite, Barão!
Ele apenas levantou a mão rapidamente, sem parar a moto.
Mas os olhares vieram para mim.
Imediatamente.
As pessoas reconheciam Barão.
Mas aquela noite… estavam olhando para quem estava atrás dele.
O vestido preto.
O ouro brilhando no meu pescoço.
As pulseiras.
Os brincos.
A moto parou perto da entrada do camarote.
Barão desligou o motor.
Desci da garupa devagar.
O som da música era tão alto que fazia o chão vibrar sob os pés. O cheiro de bebida, fumaça e perfume misturado tomava conta do ar.
Ele olhou para mim por um segundo.
Os olhos dele passaram pelo vestido, pelo cordão, pelo meu rosto.
Como se estivesse avaliando.
Então apenas disse:
— Vem.
Segurei na mão dele.
Subimos a escada que levava ao camarote.
Os homens armados que estavam ali abriram passagem imediatamente.
— Boa noite, patrão.
Quando entramos, percebi que o camarote já estava cheio.
Homens importantes do movimento, gente de outros morros, mulheres bem vestidas, garrafas caras sobre as mesas.
A música ecoava lá de baixo enquanto a multidão dançava.
E então alguém levantou o copo.
— Olha o Barão aí!
Alguns homens sorriram.
Outros cumprimentaram ele com um gesto de cabeça.
Mas depois…
os olhares vieram para mim.
Barão passou o braço pela minha cintura.
Aproximando meu corpo do dele.
O gesto foi simples.
Mas disse tudo.
— Essa aqui é comigo — disse ele, baixo.
E naquele momento…
no camarote mais alto do baile…
na frente de todo mundo…
Cristal estava oficialmente ao lado do Barão.