Eu sabia que os traficantes usavam ouro. Era quase um símbolo. Cordões grossos no pescoço, pulseiras pesadas, anéis brilhando nos dedos. Desde pequena eu via aquilo no morro. Os homens do movimento sempre exibindo o que tinham. Mesmo assim… ver tudo aquilo tão de perto ainda me impressionava. As malas abertas sobre a mesa estavam cheias de peças. Cordões grossos entrelaçados, pulseiras largas, brincos que brilhavam sob a luz da sala. Parecia coisa de joalheria cara. Mas ali estava tudo espalhado como se fosse nada. O homem da joalheria pegava uma peça de cada vez, mostrando. — Esse aqui é ouro dezoito — dizia. — Esse é italiano. — Esse aqui está saindo bastante. Barão m*l olhava. Ele estava encostado na mesa, fumando um cigarro, observando mais a mim do que as joias. Quando a

