Thales
A tarde foi tão gostosa e Nathaly já voltou a ficar fria. Tenho que dar um jeito de deixar ela menos emburrada. A levou para comprar um vestido e acabo comprando vários. Cada um que ela vestia, ficava melhor que o outro, era uma covardia não levar todos. Foram feitos para ela e não me importo de pagar para minha mulher que já é linda, ficar uma verdadeira deusa.
- Onde vamos? Não vamos comprar aqui?
- Já está comprado. Agora vamos jantar, você deve estar faminta.
- Qual você comprou? Achei que iríamos escolher juntos.
- Você verá quando for entregue amanhã.
Notei que ela pareceu chateada. Peguei sua mão e dei um beijo.
- Não fique triste, você vai gostar.
- Tudo bem, o importante é você gostar. Não quero te fazer passar vergonha.
Tenho notado que ela evita discutir as vezes e concorda com tudo. Eu sei que ela não é assim, fico pensando o porquê de não discutir.
- Já pensou o que quer comer?
- Qualquer coisa, não tenho fome.
- Podemos ir a uma churrascaria. Se não quiser churrasco, tem outras opções.
Claro, queria levar ela em um lugar que fizesse seu humor melhorar. Eu sabia exatamente onde a levar. Nova Jersey recebe muitos turistas brasileiros, além dos que moram aqui.
A churrascaria que escolhi fica em um bairro onde o comércio é tipicamente sul-americano.
Entramos e já estava bastante cheio. O cheiro de carne assada na brasa flutua no ar com seu aroma diferenciado. Eu soube que ela gostou pelo brilho de seu olhar.
- Gosta?
- Uau. Gostei muito, obrigada!
Espontaneamente me deu um beijo no rosto e senti o calor me aquecer nessa noite fria.
Escolhi uma mesa afastada do burburinho das pessoas que conversavam e cantavam músicas brasileiras. Aqui as pessoas se apresentavam na chamada roda de viola ou simplesmente subiam ao palco e cantavam.
- Você pode escanear o QR code e escolher o que quer. Depois insira o número da mesa e o pedido está feito.
Abri o aplicativo no meu telefone e mostrei a ela o cardápio brasileiro.
- Que legal, todo em português.
- Sim. Aqui nessa região, você encontra praticamente tudo em espanhol, português e inglês. Então não é difícil viver em Nova Jersey.
Ela não demorou a se decidir.
- Vou querer um tropeiro com churrasco e um suco de laranja.
Olhando o que acompanhava o pedido dela, resolvi experimentar. Se não gostasse, poderia comer arroz, salada e churrasco, pois apesar de ter nascido no Brasil, não conheço todos os pratos.
Agora uma mulher está no palco, cantando uma música de uma tal Paula Fernandes. Gostei da melodia calma e a interpretação não era r**m.
- Nosso pedido vem em mais ou menos trinta minutos. Você quer dançar?
Vejo surpresa em seus olhos quando estendo a mão. Mas, ela me acompanha e eu vou ao céu com seu corpo abraçado ao meu, o perfume suave e o calor dela me deixa bem relaxado.
Quando a música termina ela me surpreende com o pedido.
- Podemos dançar essa também? Adoro Caetano Veloso.
- Seu pedido é uma ordem, Sra Orsini. Estou aqui para realizar todos os seus desejos.
A letra da música se chama sozinho e eu achei bem interessante. Ela parece contar a minha história e de Nathaly.
" As vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nos dois. Eu fico ali sonhando acordado, juntando... o antes, o agora e o depois.
Era como me sentia nas várias noites em que não sabia se iria vê-la outra vez.
" Quando a gente gosta é claro que a gente cuida, falta que me ama só que é da boca pra fora. Ou você me engana ou não está madura.... Aonde está você agora?"
Nossa, é tudo muito parecido. Não sou um homem romântico, mas a música mexeu comigo.
- Nathaly, me deixa cuidar de você?
Seus olhos negros brilhantes me encararam e não resisti aos lábios carnudos, perfeitos um pouco abertos. A beijei com paixão, saudade e desejo.
- Thales!
- Relaxa e curta o momento.
Disse tomando de novo seus lábios, nossos corpos se movendo lentamente ao ritmo da música e eu quero ficar assim para sempre. No abraço da mulher que amo.
Sinto um arrepio com esse pensamento, mas me dou conta que a amo e a quero assim, nos meus braços e na minha vida.
- Acabou de chegar nosso jantar.
Eu a solto a contra gosto. A noite está muito fria e a comida esfria rápido. Do contrário, ficaria assim por horas.
O jantar estava delicioso e eu resolvi que tinha que voltar mais vezes. O tempero é muito saboroso e diferente do que estou acostumado. Gostei muito e irei experimentar outros pratos da culinária brasileira com Nathaly.
Já passava das dez horas da noite e ainda estamos aqui. Agora Nathaly está sentada meio que de lado e a cabeça apoiada em meus ombros.
O pessoal começou uma roda de viola e Nathaly cantando baixo o que os outros praticamente estavam gritando. Era uma experiência nova para mim que não gosto de música alta, mas acabei não me importando ao ver como minha mulher está descontraída.
E como ela canta bem. Tem uma voz linda e acompanha o ritmo da viola. Deus, minha mulher é perfeita e eu não resisto. Dou uma leve mordida em sua orelha e sussurro.
- Eu te quero Nathaly!
Ela se vira para mim com um sorriso nos lábios. Antes de me beijar.
- Também te quero, Thales!
Deus, acho que estou sonhando acordado! Diferente da música, estou muito bem acompanhado e a aperto mais ainda, como se precisasse ter certeza que é real.
- Vamos para casa meu amor.
Me levanto segurando ela. Não posso deixar esse momento delicioso se quebrar. Ter Nathaly em meus braços e como a água que preciso para viver.
Chamo um dos seguranças e entrego a chave do carro. Quero ir atrás namorado minha mulher e a deixar bem relaxada para quando chegar em casa. Essa noite vou ama-la como nunca e fazer com que ela sinta o quanto é importante para mim.
O percurso até nosso apartamento parece levar uma eternidade. Depois de dois meses, vou estar com ela em meus braços outra vez.