Capítulo 6

1813 Words
Lázzaro estava tão aliviado que quase deu um abraço forte em Lia, mas conteve a emoção. Parou um segundo para analisar que nunca havia pensando antes em se casar, nunca teve a visão de casamento como algo sagrado ou importante em sua vida. Desta forma isso não seria tão difícil para ele, eram apenas papéis e uma situação na qual não haveria envolvimento físico ou emocional. Iria morrer em breve e por mais que esse pensamento o consumisse a alma, pois era um amante das coisas boas da vida, teria de se conformar e aproveitar ao máximo seus últimos dias. Nada mudaria, ele só teria Lia sob seu radar a todo instante por causa do dinheiro e mais nada. Continuaria sendo solteiro na prática e vivendo a vida como sempre viveu. Cuidando acima de tudo para que seu patrimônio e do pai rendesse muito mais e então deixaria quem sabe para um futuro herdeiro, essa era uma provável cogitação. — E então doutor? — Lázzaro perguntou após minutos de exames. — O impacto não foi muito forte. A senhora está bem. Mas, sente alguma coisa? — Não, só sinto meu corpo fraco. — Ok. Deixe-me ver... — doutor Garcia checou alguns papéis em suas mãos — A senhora está com anemia, não anda se alimentando muito bem? — Na verdade não. — Lázzaro olhou com estranheza. — Faz quantos dias que não come? — o homem fez a pergunta antes do médico. Ela ponderou. — Acho que uma semana ou mais... — sentiu-se horrorizado. — Ela simplesmente não estava conseguindo comer nada durante esses dias. Mas como, tirando isso, já está tudo bem eu vou levá-la para casa. Obrigado. — Lázzaro contornou a situação apertando a mão do médico que não escondeu a preocupação no olhar. Minutos depois, Lia já estava de pé novamente, o cabelo num coque alto. As mesmas roupas sujas também deixaram todos do hospital que ficaram sabendo que ela era a "esposa" de Lázzaro Bartholomeu intrigados. — Precisamos comprar roupas novas para você. Minha esposa não pode andar assim. — apontou para ela enquanto caminhavam. — Eu tenho roupas novas. Não pense o senhor que eu ando assim porque quero. Antes disso eu vivia com minha mãe e ela me deu tudo, só me visto assim para poder ir pras ruas, não vou desperdiçá-las sendo que não tenho porquê usá-las. — defendeu-se. — Certo, então vamos buscar suas coisas. E a propósito, iremos precisar dos seus documentos. Está tudo certo com eles? — o rapaz abriu a porta do carro para a moça e entrou em seguida. — Está sim. Mas tem uma coisa que precisa saber antes de irmos pegar. — Lia estava nervosa brincando com os dedos. — Fala. — Minha tia e os meus primos me odeiam e talvez não me recebam muito bem, no entanto se me virem com você podem fingir ser pessoas legais. Só não caia na deles. — avisou. — Não se preocupe, eu reconheço pessoas ruins de longe. Mas me diga uma coisa, o que você estava fazendo daquele lado da cidade tão longe de onde te encontrei outro dia? — Fui expulsa e fiquei andando pelas ruas sem direção. — ele sentiu o coração apertar. — Por isso ficou tantos dias sem comer? — havia um nó desconhecido em sua garganta e fúria profunda o tomou por quem fez ela passar por isso. — Sim. — baixou o olhar lembrando-se da última vez que viu seus parentes. Como haviam sido cruéis dizendo a ela que deveria morrer, que era um estorvo e não servia para nada. Tudo isso e muito mais que falavam para ela, só contribuiu para sua rápida aceitação à proposta de Lázzaro. E daí que já pensara antes em se casar e viver um lindo romance? Esses sonhos impossíveis não existiam mais para ela, por isso um casamento de mentira não feriria em nada sua honestidade. Tudo aquilo não era mais importante ou especial para ela. No caminho, enquanto Lia indicava onde a tia morava, os dois trocaram algumas palavras, até demais para o gosto de Lázzaro que não costumava falar muito com quem não conhecia. No entanto, a moça seria sua esposa, mesmo que de fachada precisava conhecer um pouco mais sobre ela. — Então você terminou o ensino médio? — Sim, minha vida era ótima com minha mãe. Ela sempre me deu tudo e de repente... — a lágrima dolorosa caiu e ela não pôde segurar — Se foi, minha mãezinha e eu fiquei com minha tia, foi quando meu mundo girou de cabeça para baixo e eu me vi a pessoa mais infeliz do mundo. — Sua mãe morreu de que? — a pergunta dele não soou muito delicada mas não ligou. — Câncer. O homem quase engasgou com o vento. Sentiu por alguns instantes o seu mundo parar. Quem era aquela menina que apesar de tanta coisa r**m acontecendo com ela, ainda conseguia ser tão doce e boa? — Eu sinto muito. — lamentou ele. — Está tudo bem. Na verdade não está, mas a gente finge que sim... — sorriu sem ânimo — Olha, estamos chegando, é bem ali naquela quinta casa, a verde. — Escuta, você não está com raiva deles? — quis saber. — Claro que estou. Eu nunca fiz nada de m*l para eles nem para ninguém, fizeram coisas desumanas comigo que se eu te contar, você não acredita. — Que bom que está. Assim não precisarei ser gentil. Quando parou o carro, os dois desceram juntos. Antes mesmo de entrarem pela cerca, a janela foi aberta revelando o rosto de Mara que arregalou os olhos e correu para a porta, aparecendo todos da casa logo em seguida aglomerando-se na porta. — Peço que dêem licença da porta para que Lia entre e busque suas coisas. — Lázzaro disse sem mais e mexeu em um botão do seu terno. — Quem é você? — Martha perguntou olhando para o homem charmoso parado em uma pose sexy — E o que você está fazendo aqui? — apontou para Lia que sentia-se um tanto encolhida próxima a Lázzaro. Ele sorriu de escárnio. — Eu sou Lázzaro Bartholomeu e vou me casar com a Lia. Ela está aqui para pegar as coisas dela. Acho que isso ficou claro para a senhora, agora podem dar licença ou vou precisar tirá-los do caminho para ela passar? Todos abriram olhos do tamanho de uma maçã e o queixo caiu. Lia sentiu uma estranha satisfação pela reação ao mesmo tempo que o coração queimou e o corpo arrepiou pela forma a qual Lázzaro defendeu-a. O caminho ficou livre e então ela entrou não sem antes ganhar um olhar de segurança do seu futuro "marido". — Posso te oferecer alguma coisa? — ele negou — Como assim o senhor vai se casar com a minha sobrinha? — Sua sobrinha? — ele riu irritado — Ela não era sua sobrinha quando você a deixou vagando pelas ruas correndo risco de todo o tipo de coisa! Ela não era sua sobrinha quando vocês a maltrataram e mandaram ela pedir esmola na rua para não morrer de fome, p***a! — sentia suas veias queimarem de ódio por aquelas pessoas. Por tudo que haviam feito com aquela garota. Ele ainda não sabia de tudo e o pouco que soube já lhe dera ânsia. — Tudo que fiz foi para o bem dela. — Martha com prematuro interesse disse. — Nós todos amamos a Lia. Ela que foi embora daqui e nunca mais deu notícia. — Mara mentiu. — Queremos participar da vida dela... Descobrimos que é nossa irmã! — um dos rapazes que estava quieto se pronunciou. A fúria que aquele homem sentiu poderia fazer vidros explodirem só com o olhar de morte que deu para eles. Estava acostumado a enfrentar pessoas frias a todo instante em seu trabalho, mas ali tinha pessoas que fizeram mau para uma moça inocente e estavam fingindo que se importavam apenas por ele ter dito que iria se casar com ela. Certamente sabiam do seu poder, seu sobrenome era conhecido, e todo o ódio por eles se multiplicou quando se lembrou da interesseira da madastra a quem ele odiava mais que tudo. — Calem a p***a da boca. Não sejam ridículos! Quem pensam que eu sou para cair na maldita conversa de vocês? — se segurou ao máximo para não quebrar a cara de ninguém ali. Então ele viu seu corpo se acalmar como mágica de tão rápido assim que Lia apareceu com duas bolsas grandes nas mãos carregando-as com dificuldade. Empurrou quem estava perto e tomou-as das mãos dela e em seguida segurou firme em sua cintura. — Eu acho muito bom que vocês esqueçam da existência dessa pessoa aqui. — decretou e seguiu com ela de volta para o carro. Lia não conseguiu ignorar o toque majestoso que Lázzaro deu a ela quando segurou firmemente sua cintura lhe dando segurança e firmeza, ao mesmo tempo que enviando pequenas chamas para dentro dela deixando-a quase febril. Ao longe ouviram os murmúrios deles tentando convencê-lo de que gostavam da menina entre outras coisas, mas ignorou totalmente. Ela sentiu a satisfação reinar dentro do peito, foi bom vê-los se arrepender de tudo que fizeram, mesmo que por puro interesse da parte deles. Foi bom. Os assuntos que surgiram dentro do carro foram os mais aleatórios possíveis. Lázzaro chegou a sorrir iluminando todo o seu rosto, deixando os olhos de Lia brilhando, ele ficava tão bem quando sorria, a moça sentiu vontade de dizer a ele mas não o fez. — Chegamos. — avisou parando o carro. Quando os olhos da menina miraram a gigantesca casa que via apenas em filmes, ela quase chorou de surpresa e emoção, sabia que ele era rico mas não tanto. A casa simplesmente parecia um palácio – sem exageros – tentou não babar e fechar a boca a tempo do homem não perceber seu fascínio. Estava extremamente encantada e quase quis se beliscar para saber se não era mesmo um sonho. Lázzaro removeu o cinto de segurança e chegou perto de Lia, chegou bem perto... Sentiu-se encantado com os traços tão bem feitos do rosto, ele olhou para ela e parou o olhar no pescoço tão liso e aparentemente macio. Ela queria piscar mas não conseguiu ao menos respirar. Estava quase completamente enfeitiçada. Em um movimento súbito ele destravou o cinto dela e saiu do carro tão rápido quanto um raio. — Veio com esse probleminha de fábrica. — ela olhou para ele do lado de fora — O cinto, é r**m para destravar. Apenas assentiu com o coração saltitando e se juntou a ele na calçada. Ambos tentando ignorar o fato de que se sentiram como se o ar os faltasse e para isso o coração teve de acelerar, ficando tão descompassado que quase foi possível não ouvir as batidas. 
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