CAPÍTULO 5

955 Words
Helena Eu não deveria estar ali. Depois da conversa estranha assustadora, sufocante no escritório dele ontem, jurei a mim mesma que manteria distância. Mas é impossível evitar alguém como Damian Crawford. Ele sempre reaparece. Sempre comanda o ambiente antes mesmo de entrar nele. E hoje não foi diferente. Eu estava na copa, tentando respirar depois de uma manhã intensa, quando ouvi a porta abrir atrás de mim. Não precisei virar para saber quem era. O ar muda quando ele está perto mais denso, mais quente, mais perigoso. — Helena — ele disse, e meu nome na boca dele soou como alguma coisa proibida. Virei devagar. Ele estava perto demais. Sempre está. — Preciso que revise esse contrato — ele estendeu uma pasta. Mas seu olhar estava em mim, não no papel. — Agora. Peguei a pasta, tentando ignorar o fato de que sua mão roçou a minha por um segundo. Um segundo suficiente para incendiar algo em mim que eu tento negar desde o começo. — Claro… eu faço isso imediatamente — respondi, meus dedos fechando firme na pasta para evitar tremer. Mas quando tentei passar por ele para sair da copa, algo aconteceu que não deveria ter acontecido. Ele estendeu a mão e tocou meu braço. Não um toque acidental. Não um toque leve. Um toque que dizia pare. Meu corpo congelou. Era só a mão dele na minha pele… mas parecia muito mais. Tão quente, tão firme, tão destinada a me controlar. Eu virei o rosto devagar, encontrando seus olhos. — Eu falei algo errado? — perguntei, tentando manter a voz firme. Ele me observou como se estivesse tentando decifrar cada detalhe. — Você está fugindo de mim — disse baixo, como se fosse uma acusação. — Eu não estou fugindo… eu só quero trabalhar. Sem… confusões. Ele inclinou a cabeça. — É exatamente isso que você não entende, Helena. — O quê? O polegar dele, ainda tocando meu braço, deslizou só um centímetro. Mas aquele pequeno movimento fez meu coração disparar como se ele tivesse me puxado contra a parede. — Entre nós… já existe confusão — ele murmurou. — E negar isso só torna tudo mais perigoso. Senti meu corpo inteiro reagir. O medo e a atração duelando dentro de mim. — Damian… você não pode me tocar assim — consegui dizer. Ele aproximou um pouco mais o corpo do meu. Não encostou mas chegou perto o suficiente para que eu sentisse o calor dele. — Mas eu toco — murmurou. — E você sente. Eu deveria ter saído. Eu deveria ter dito algo forte, algo que encerrasse aquilo. Mas não consegui me mover. Os olhos dele desceram para minha boca por um segundo. E então… ele soltou meu braço. Aquele toque durou poucos segundos. Mas destruiu qualquer limite que eu achava que existia entre nós. — Faça o que pedi — ele disse, recuando. — E venha ao meu escritório quando terminar. E saiu. Como se nada tivesse acontecido. Mas eu fiquei ali, encostada na pia, tentando recuperar o ar… sabendo que aquele toque iria me perseguir o resto do dia. ***** Damian Eu disse a mim mesmo que iria manter distância. Mentira. Nunca tive a intenção de manter distância dela. Desde o primeiro dia, Helena mexe comigo de um jeito que eu não deveria permitir. Ela me desestabiliza. Me desafia. E, o pior, nem percebe. Hoje, eu só queria observá-la de longe. Ver como ela trabalhava. Mas quando a encontrei na copa, sozinha, com aquela expressão concentrada e os lábios pressionados… perdi qualquer vestígio de autocontrole. Ela se virou quando falei seu nome. A luz da manhã batia nela como se o mundo inteiro tivesse decidido destacá-la para mim. — Preciso que revise esse contrato — falei, mesmo sabendo que eu poderia ter enviado por e-mail. Mas eu queria vê-la. Queria ouvir a voz dela. Ela pegou a pasta e tentou me evitar, como sempre faz desde ontem. E foi aí que cometi o erro. Quando ela passou por mim, eu toquei o braço dela. Um gesto simples. Mas nada em mim é simples quando se trata dela. O contato da pele dela contra a minha fez algo dentro de mim quebrar. Como se eu estivesse segurando uma linha fina demais — e ela finalmente tivesse estourado. Ela ficou imóvel. E eu senti o corpo dela reagir, mesmo que tentasse esconder. — Eu falei algo errado? — perguntou, tentando parecer forte. Helena sempre tenta parecer forte… e é isso que me fascina e me irrita ao mesmo tempo. — Você está fugindo de mim — falei. E era a verdade. Ela tentou negar. Sempre tenta. Mas eu a conheço mais do que ela imagina. Meu polegar se moveu sem minha permissão, deslizando pelo braço dela. Quase um carinho. Eu não deveria ter feito isso. Mas o meu corpo não sabe obedecer quando ela está perto. — Entre nós já existe confusão — admiti. — E negar só torna tudo mais perigoso. Os olhos dela ficaram enormes por um segundo. Ela sentiu. Eu vi. Eu sempre vejo. — Damian, você não pode me tocar assim — ela disse. Eu quase ri. Não pelo que ela disse, mas pela reação dela ao meu toque. A voz trêmula. A respiração acelerada. Se eu quisesse, poderia tê-la puxado para mim naquele instante. Mas eu me afastei. Soltei seu braço. Porque o problema não é tocar Helena. O problema é o que eu quero fazer depois de tocar. — Venha ao meu escritório quando terminar — falei, recuperando o tom neutro. O tom do chefe. O único que ainda consegue manter essa situação sob algum controle. Saí da copa sem olhar para trás. Se eu olhasse, perderia completamente o controle. E isso, ainda não.
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