CAPÍTULO 20

563 Words
Damian Ela pensa que pode simplesmente se afastar de mim. Ingênua. Helena realmente acredita que colocar algumas paredes frágeis entre nós vai me impedir de alcançá-la? Que ignorar meus olhares, responder meus e-mails apenas com o estritamente necessário e fugir dos corredores da empresa vai ser suficiente para quebrar esse fio que se formou entre nós? Não. Ela não faz ideia de quem eu sou. Desde que vocêcê decidiu manter distância, algo dentro de mim, algo que eu acreditava estar adormecido há anos despertou com uma fúria silenciosa. Eu sempre controlei tudo, minha empresa, meus negócios, minhas emoções minha vida inteira é construída sobre domínio absoluto. Mas Helena. Helena é a primeira variável que não aceita ser domada. E eu não aceito isso. Vejo quando ela entra no elevador, apressada, abraçando uns documentos contra o peito como se aquilo pudesse protegê-la. Ela nem sabe que estou logo atrás. Caminho até a porta metálica segundos antes de ela fechar e segurar o sensor com a mão. Ela empalidece ao me ver. — Senhor Moretti, eu estava indo entregar esses relatórios — ela diz, evitando meu olhar, como se isso fosse possível. — Eu percebi — respondo, entrando no elevador. A porta se fecha. Só nós dois. O ar pesa. Ela fica rígida, tensa, como se meu simples respirar a afetasse. Perfeita. — Você tem evitado me procurar — digo, observando o reflexo dela no metal espelhado. Helena hesita. — Eu só, achei que seria melhor manter as coisas profissionais. — Profissionais — repito devagar, como se estivesse saboreando a palavra. — Interessante. Porque não foi isso que você quis quando me beijou de volta. Ela se vira rápido, com os olhos arregalados. — Foi um erro. Minha mandíbula trava. — Não — respondo, aproximando-me um passo. — Um erro é assinar um documento errado, Helena. O que houve entre nós foi inevitável. Ela prende a respiração. E é aí que meu autocontrole ameaça ruir. **** Quando o elevador chega ao nosso andar, ela tenta sair primeiro, mas eu seguro sua mão. Não com força. mas o suficiente para impedir que ela fuja. — Damian, por favor. — Eu não vou fingir que não senti você me desejar — digo, baixo, rouco. — E não vou permitir que você se esconda atrás de desculpas. Helena puxa a mão, mas eu a seguro por mais um segundo, apenas para sentir o tremor dela. A porta do elevador se fecha atrás de nós. — Você não pode controlar tudo — ela murmura, finalmente me olhando. — Nem a mim. Ah, Helena. Ela não sabe o quanto essa frase desperta algo perigoso dentro de mim. — É isso que você não entende — digo, encarando-a profundamente. — Quando eu quero algo eu não perco. Dou um passo em sua direção, mas paro antes de tocá-la. Não por ela. Por mim. Porque se eu encostar nela agora, eu não paro mais. — E eu quero você — afirmo, com uma certeza fria. — Você pode lutar contra isso o quanto quiser. Mas no final sempre acaba voltando. Ela engole em seco, incapaz de responder. Viramos em direções opostas no corredor, mas sei que ela sente meu olhar queimando em suas costas. Helena pensa que está se afastando. Mas eu apenas estou dando espaço o suficiente para ela perceber que fugir de mim, não é uma opção. E nunca será.
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