CAPÍTULO 9

691 Words
Helena Eu acordo com aquela sensação incômoda no peito. Aquela estranha mistura de ansiedade, irritação e expectativa. Odeio admitir isso, mas algo em mim espera por ele pelo jeito que Damian muda o ar do lugar apenas ao aparecer. E, mesmo depois do jantar perigoso de ontem, eu ainda estou tentando me convencer de que posso simplesmente agir normalmente. Ser profissional. Focar no meu trabalho. Mas quem eu estou tentando enganar? Quando entro no escritório, percebo na mesma hora. Algo está diferente. A equipe parece inquieta. Há um silêncio estranho, pesado, como se todos estivessem tentando não chamar atenção. — Bom dia — murmuro para Julia, que me lança um olhar torto, quase solidário? — Bom dia, Helena. Só cuidado hoje. — Ela sussurra isso tão baixo que quase não ouço. Meu estômago se aperta. E então a porta do escritório dele se abre. Damian sai. Terno cinza-escuro, gravata afrouxada, o olhar ainda mais afiado que de costume. Ele não diz uma palavra, mas seus olhos , aqueles olhos que parecem me despir , vêm direto para mim, como se eu fosse o único ponto fixo do ambiente. — Helena. — Sua voz é baixa, firme. — Preciso de você na minha sala. Minha garganta seca. E, claro, todos olham. Eu o sigo, tentando manter a compostura, tentando fingir que minhas pernas não estão tremendo. Ele abre a porta para que eu entre, mas não faz o gesto educado de antes. Ao contrário, fica parado atrás, tão perto que sinto o calor do corpo dele nas minhas costas quando eu passo. A porta se fecha com um clique suave. Um clique que soa como uma sentença. Ele não senta. Não diz por que me chamou. Apenas me observa. — Está tudo bem? — pergunto, porque o silêncio dele me deixa inquieta demais. Um sorriso lento, perigoso, surge no canto da boca. Ele está me estudando. E gosta disso. — Você acha que está? — Damian pergunta, inclinando-se levemente, como se estivesse analisando cada microexpressão minha. — Eu não sei. — respondo, tentando manter a postura. — Hm. — Ele dá um passo na minha direção. — Ontem, no jantar, você mostrou ter mais coragem do que imaginei. Mais, fogo. Meu rosto queima. — E hoje. — Ele continua. — Quero ver até onde isso vai. Meu coração quase para. Ele está me testando. — Toma. — Ele entrega uma pilha de documentos. — Preciso deles revisados em uma hora. Eu abro a boca. — Mas isso normalmente leva três. Ele inclina a cabeça, como se isso o divertisse. — Hoje, você vai fazer em uma. — E se eu não conseguir? Damian se aproxima mais. Muito mais. Tão perto que sinto seu perfume escuro e quente se infiltrando em minha respiração. — Você vai conseguir. E não é um pedido. É uma ordem. Ele sabe que é impossível. Ele sabe que está colocando pressão. Ele sabe que eu vou correr, tremer, suar, errar. Ele quer ver como eu reajo. — Você está me testando — digo, sem pensar. A sobrancelha dele sobe levemente, como se eu tivesse dito algo intrigante. — Estou. — Ele admite, sem pudor. — Porque eu quero ver do que você é feita, Helena. Minha barriga se enrola. — E por que isso importa? — murmuro. Ele se aproxima mais um passo, até minha respiração ficar presa na garganta. — Porque você me interessa. As palavras dele caem pesadas entre nós. Ele não está brincando. Ele quer me ver quebrar, ou florescer não sei qual dos dois o excita mais. — Pode ir — ele diz finalmente, recuando. — O tempo está correndo. Eu saio da sala sem olhar para trás, mas consigo sentir o olhar dele queimando minhas costas. E, quando chego à minha mesa, minhas mãos estão tremendo. Porque agora eu sei. Damian não vai apenas me perseguir. Ele vai me testar. Vai me pressionar. Vai me provocar até descobrir exatamente onde eu desmorono. Ou até eu descobrir o que ele faz comigo. E o pior? Uma parte de mim , a parte que eu deveria sufocar , quer saber qual será o próximo teste.
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