Beijo

1230 Words
{P.O.V × L Lawliet} A claridade da manhã entrava pela janela, trazendo nuances de luz para o ambiente, que há poucas horas atrás era escuro, abri os olhos devagar e olhei para o outro lado da cama. Estranhei a ausência de Light, e pensei por um momento que talvez ele já estivesse acordado, visto que seu lado da cama se encontrava arrumado. Me levantei e abri as janelas, notando o silêncio e deduzindo que Misa estava dormindo, abri a porta do quarto e me deparei com Light, dormindo sobre a mesa. Me aproximando, percebi que ele ainda estava com as roupas de ontem e que aquela caixa de bombons horríveis estava vazia, e em seus dedos restava um pouco do chocolate. Só então me recordei do beijo na noite anterior, e automaticamente meu corpo se arrepiou como quando ele havia me beijado, senti meu corpo esquentar e minhas bochechas ficarem coradas. Me retirei de perto dele, indo para o banheiro liguei o chuveiro, respirava fundo e todas as vezes que fechava os olhos, eu visualizava perfeitamente a cena da noite anterior. Após o banho voltei para onde ele se encontrava, balancei levemente seu ombro e chamei por seu nome, ele então abriu os olhos devagar, piscando algumas vezes para se acostumar com a claridade. — Você dormiu a noite toda aqui? — Perguntei o óbvio, apenas para quebrar o silêncio. — Sim, eu não queria… — Eu não teria notado sua presença, sou insone e tomo remédios para dormir. — Expliquei, não deixando que ele terminasse de falar. Ele abaixou o olhar, parecendo estar com vergonha e se levantou caminhando em direção ao quarto, realmente era estranho vê-lo com os cabelos bagunçados e as roupas sociais amassadas, o costume de Light estar sempre tão arrumado e apresentável, fazia contraste com esse que passava por mim dentro do local. Peguei a caixa um pouco amassada, sentindo o leve aroma do licor e a cena se voltou à minha mente, joguei a caixa no lixo e olhando para minhas mãos notei um pouco de chocolate em um dos meus dados, que acabei por chupar. Sentindo os arrepios tomarem conta de toda a extensão do meu corpo, pelo gosto repentino da boca dele voltar depois de ter lambido os dedos, e em um momento me peguei desejando seus lábios nos meus novamente. Mas toda a imagem doce dele se desfez, no momento em que lembrei da forma como ele se comportava diante das pessoas, tão falso, nem mesmo se eu quisesse eu poderia, e sua personalidade r**m não ajudava. Além disso, as chances do acontecimento da noite anterior terem sido apenas causadas pelo alto teor de álcool nos chocolates, eram altas, e apesar dele se lembrar, provavelmente ignoraria o fato ocorrido. Meu celular vibrou dentro do bolso, peguei o mesmo e vi que era uma chamada de Near, antes de atender me direcionei até a grande janela da sala abrindo as longas cortinas. — Pode falar. — L, a Misa vai ter uma entrevista com a imprensa hoje, o delegado pediu para que vocês ficassem atentos. — Disse Near. — Hoje? Pensei que ela ficaria confinada até as investigações acabarem, ela corre riscos ainda. — Falei, enquanto observava a vista. — A assessora de Misa acabou de ligar, gritando dizendo que ela precisava fazer aquela entrevista. — Esclareceu. — Certo, vou comunicar Light. — Afirmei. — Sobre as investigações, eu estava pensando em colocar mais alguém para ajudar. — Não é uma boa ideia, nós não podemos arriscar colocarmos o assassino dentro do caso. — Argumentei. — Mello disse, que eles seriam verificados pela polícia. — Retrucou. — Não sabemos sequer o rosto dele, neste caso, até mesmo alguém da polícia é suspeito. — Respondi, e ele ficou em silêncio por alguns segundos. — Lawliet, sobre o que você disse ontem, sobre ele… — Eu gostaria que conversássemos sobre isso depois, de preferência na frente de Mello e Beyond, certo? — Atravessei sua fala, já sabendo de quem ele falaria. — Ok. — Ele confirmou, com a voz baixa. Desliguei o telefone me sentindo feliz, por Near finalmente querer falar abertamente sobre esse assunto, senti alívio ao saber que poderíamos colocar um ponto final naquele parágrafo entre nós, que parecia nunca acabar. — Minha assessora disse que tenho uma entrevista daqui alguns minutos. — Misa avisou, saindo do quarto arrumada e maquiada. — Você ainda corre riscos Misa, não é uma boa ideia você ir. — Light interferiu. — Near me ligou do QG, dizendo que seu pai autorizou a entrevista, mas disse para nós ficarmos em alerta. — Expliquei, olhando para Light, que fez um sinal positivo com a cabeça. — Então vamos, tenho que estar lá antes do horário previsto. — Disse a garota, um pouco agitada indo para a porta. — Misa, não fale detalhes sobre as investigações ok? É bom manter sigilo. — Light alertou e ela concordou. Saímos do hotel e fomos em direção ao set de gravação, onde aconteceria a entrevista e ao chegarmos, a assessora da Amane estava na frente do edifício, esperando por ela com uma expressão um pouco irritada. Ela puxou Misa pelo braço, e pediu para que eu e o Yagami entrássemos no prédio rapidamente antes que outros repórteres aparecessem, subimos algumas escadas e logo encontramos a sala da entrevista. Haviam algumas pessoas em volta, mexendo e testando as câmeras e luzes do lugar, a garota foi encaminhada para a retocar a maquiagem e eu e Light víamos atentamente os movimentos dos funcionários. Em alguns minutos a entrevista começou, e cerca de meia hora depois eles decidiram fazer um intervalo, a equipe continuava a trabalhar com a iluminação e as câmeras, enquanto o entrevistador saiu do set de repente. Misa nos informou que iria até a cozinha para buscar um copo de água, acabamos por esperar ela voltar, porém, o barulho estridente de vidro se quebrando foi o que ouvimos, minutos depois de Misa entrar na cozinha. Corremos para o local, e vimos o corpo dela caído no chão com os cacos de vidro espalhados por todo o piso, Light pegou a garota no colo que tinha um pouco de sangue em seus cabelos, e eu olhei para janela aberta, fui até ela mas não havia ninguém suspeito por perto. — Vamos ligar para uma ambulância. — Alguém disse de repente. — Não dá tempo, temos que levá-la para o hospital agora mesmo. — Light disse, levando Misa nos braços pelo set. Descemos as escadas e colocamos ela dentro do carro no banco de trás, Light foi atrás com ela e eu me sentei na frente, dizendo para o motorista que tinha nos levado até lá, para ir rápido até o hospital, enquanto isso liguei para Watari. — Sim? — Ele atendeu. — Watari, avise ao delegado Soichiro Yagami, que estamos levando a senhorita Amane para o hospital. — Certo. — Ele respondeu e desligou. Sem muita demora, chegamos no hospital mais próximo que encontramos pelo caminho, Light tirou Misa do carro e corremos para dentro do lugar, avisando que era uma emergência. Com toda aquela agitação, os médicos vieram e a colocaram numa maca, fomos barrados de entrar na sala onde eles examinaram ela e ficamos sentados em um dos bancos no corredor. Meia hora depois, o delegado chegou junto de Matsuda com as expressões preocupadas, ele perguntou o que havia acontecido.
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