Algemas e bombons de licor

2528 Words
{P.O.V × Light Yagami} O dia nem tinha começado direito, mas uma onda de estresse já me atingia pela manhã, e o motivo disso era novamente a loira que insistia em colocar algemas em Lawliet e em mim, pensei até que seria algum tipo de fetiche esquisito dela. — Por favor Light, é só para eu ver como fica. — Pediu novamente, suas súplicas me irritavam mais que tudo. Respondi "não" novamente, faltava apenas uma hora para que pudéssemos sair do quarto e poder olhar a vista das janelas de perto, sem a preocupação de levar um tiro ou algo do tipo. Depois de tantos pedidos, acabei por deixar Misa me algemar junto a L, esperando que ele negasse o pedido desprezível da garota, e para a minha surpresa ele aceitou sem nem resistir. Nos sentamos no sofá, e então ela nos algemou, era uma algema com uma corrente de alguns centímetros de distância, não sendo muito pesada. Me perguntava o motivo dela carregar isso na bolsa, e ao chegar em conclusões que eu não queria, decidi desviar minha atenção para Lawliet, que parecia tranquilo sobre aquilo. Como ele conseguia? — Vocês estão tão fofos! — Exclamou animada. — Ok, já chega, tire as algemas. — Pedi, irritado. Não atendendo ao meu pedido, ela começou a brincar com a pequena chave, ameaçando jogá-la pela janela enquanto ria da minha expressão desesperada. Me levantei bruscamente sem me lembrar que L estava algemado a mim, em uma tentativa falha de puxar a Amane pelo braço, quase caí e ela correu para o outro lado, ficando mais longe do sofá. — Desista Light, você não vai conseguir me pegar. — Provocou e riu, com a chave na mão. Ainda em pé, corri atrás de Misa por todo o quarto puxando Lawliet pelo caminho, até que quando consegui cercá-la ela entrou no banheiro, e trancou a porta. Bati na porta pedindo para que ela saísse, e ela parecia se divertir com o meu mau humor naquele momento, foi então que de repente os risos da garota cessaram, fazendo um silêncio em toda a extensão do lugar. L e eu nos entreolhamos, chamei pelo nome dela algumas vezes e nenhuma resposta foi emitida de dentro do banheiro, alguns segundos depois ouvimos a porta destrancar, e ela apareceu com o rosto um pouco inclinado para baixo. — Light, a chave caiu no ralo da pia. — Confessou. Naquele momento senti toda a carne do meu corpo estremecer, apenas me lembrando que faltava muito pouco tempo para irmos encontrar com o resto das pessoas que estavam na investigação. Perguntei como ela teria conseguido aquela proeza, e ela explicou que a chave escorregou de sua mão enquanto se olhava no espelho, massageando minhas têmporas eu tentava achar alguma ideia para retirar as correntes, mas tão nervoso eu sequer pensava direito. — Eu acho que tenho uma chave reserva, vou procurar. — Ela disse, indo para o quarto. Nos sentamos no sofá novamente, foi então que notei o pulso um pouco machucado de L, me lembrando que a culpa dos ferimentos eram minhas por tê-lo puxado, enquanto tentava pegar a chave da mão de Misa. Cheguei mais perto, pegando em sua mão e vendo as escoriações causadas pelo impacto da algema em seu pulso, automaticamente me senti culpado pelos ferimentos. Puxei Lawliet pela mão calmamente, indo até o banheiro para pegar uma caixa de primeiros socorros, que após encontrá-la voltamos a sala nos sentando novamente. — Você poderia ter me avisado! Seu i****a, esses ferimentos poderiam ser piores. — Reclamei, borrifando um pouco do anti-séptico em seu pulso que ardeu, fazendo com que ele puxasse seu braço para trás. — Eu preciso desinfectar isso. — Argumentei, e ele voltou a colocar sua mão em minha coxa. Depois de sanear o machucado, enrolei uma gaze no local dos ferimentos e guardei o restante das coisas que usei na caixa novamente, foi então que senti L passar sua mão em minha franja, me fazendo olhar para ele no mesmo instante. — Eu realmente não consigo achar a outra chave, já revirei o quarto todo. — Misa apareceu, e em reflexo Lawliet tirou sua mão do meu rosto quase que instantaneamente. — Não dá tempo de procurarmos agora, temos que sair daqui quinze minutos, quando voltarmos nós podemos fazer isso com calma. — Disse L, com a voz calma de sempre. Talvez o arrepio em minha pele tenha sido causado por suas mãos que estavam frias, mas eu me perguntava o motivo do meu rosto ficar tão avermelhado com aquilo. Alguns minutos depois, recebi uma ligação do meu pai dizendo que podíamos descer, e que nos encontrariamos no QG da polícia, após isso avisei os demais e nós descemos de elevador, indo de encontro com o motorista designado para nos levar até lá. Durante o caminho que percorremos para chegar a entrada do hotel, algumas pessoas olhavam para nós com curiosidade e outras confusas, e apesar de gostar de estar tendo atenção, eu estava odiando que o motivo eram as algemas. Entramos no carro e o motorista deu partida, enquanto eu olhava para a janela, vendo os prédios, lojas e casas passarem, me lembrei do toque de Lawliet, o que fez minhas orelhas e bochechas ficarem quentes e rubras novamente. Em uma tentativa de esquecer, olhei para o céu que estava claro, com poucas nuvens e o sol brilhava não sendo um dia tão quente, existia um vento não muito forte mas que ainda balançava os galhos das árvores. Assim que chegamos no QG, fomos recebidos pelos outros participantes da investigação, que perguntaram o motivo de L e eu estarmos algemados, explicamos toda a situação, o que arrancou alguns risos deles. Mello e Near vieram de encontro com Lawliet, que se afastou um pouco de mim esticando a corrente, enquanto Misa foi chamada pelo meu pai. — A Misa-Misa vai ser interrogada. — Matsuda falou se aproximando de mim, e eu franzi as sobrancelhas com a informação. — Por que? — Perguntei, confuso. — Não sabemos, Near que pediu para ela ser interrogada por ele. — Explicou. Passei a olhar para o QG, não estava muito diferente da última vez que estive aqui, e então foquei meu olhar em Near e Mello que estavam conversando com Lawliet. Fazia um bom tempo que não os via, desde aquela investigação sobre um serial killer em que eles auxiliaram a polícia e apoiaram a apuração do caso, me lembro que fui ajudante de L durante o processo, e ele recebeu pena de morte. Só então comecei a me perguntar, se Near e Mello também faziam parte da instituição Wammy's House, e se eles eram designados para serem os sucessores de L. E fazendo uma breve autocrítica eu percebi que eu poderia ter sido insensível com ele, ao perguntar sobre a Wammy's House, sequer questionei como ele se sentia com tudo aquilo. — Aquele é Matt, ele e Mello são aparentemente amigos de longa data. — Matsuda citou, tirando minha atenção dos meninos e focando em um só, que eu sequer percebi chegar perto deles. — Amigos? — Sim, ele é bem habilidoso com computadores e está monitorando o celular da Misa-Misa. — Ele esclareceu. O garoto que aparentava ter entre dezoito e dezenove anos, vestia uma blusa vermelha com listras pretas, uma calça azul, botas pretas, luvas de couro que iam até seus cotovelos e um colete creme, junto disso tinha os cabelos escuros e os olhos verdes, que eram cobertos por um óculos laranja. Não era difícil notar que ele se assemelhava a Mello quando víamos os itens de couro, já que Mello parecia gostar bastante de usar roupas justas em couro preto. — O que houve com o pulso de L? — Aizawa se aproximou perguntando. — Eu tentei pegar a chave da mão da senhorita Amane, e acabei levando L junto sem perceber, as algemas o machucaram mas não foi nada demais. — Expliquei cruzando os braços. Minutos depois, Misa foi levada por Near para uma sala onde aconteceria o interrogatório, logo Mello, Lawliet e o tal Matt se aproximaram de Matsuda, Aizawa e eu. — É um prazer conhecer você, senhor Yagami. — Matt me cumprimentou. — O prazer é meu Matt. — Respondi gentilmente. — Vocês já conseguiram alguma pista? — Perguntei, direcionando meu olhar para Mello. — Ainda não, mas Near está interrogando a Amane, talvez ele consiga algo. — Respondeu. — Um retrato falado ajudaria muito. — Aizawa citou. — A senhorita Amane, pelo choque, não se lembra do rosto do homem, apenas que ele era alto e agressivo. — Meu pai se aproximou, junto com Mogi e Ukita. Depois de mais alguns minutos de conversa, eles decidiram almoçar e convidaram Lawliet e eu para irmos a um restaurante, do qual eu recusei por estar algemado a L. Meu pai ainda brincou, dizendo que nós estávamos ali para fazer a segurança de Misa e que era melhor ficarmos mesmo, algumas risadas depois eles saíram e eu me perguntava como iríamos proteger Misa se caso algo acontecesse, e além disso, como nós iríamos nos proteger. Sentamos em um sofá, e eu me sentia com fome mas tentava ignorar a necessidade do organismo, mesmo sendo horário de almoço, foi então que olhei para a mão machucada de Lawliet de novo. Uma certa vontade de tocar nela novamente me veio à mente, e sem pensar muito peguei a mesma com cuidado, como se fosse pequeno vaso de porcelana, e viesse a quebrar com qualquer movimento. — Seu pulso está melhor? — Perguntei, tentando disfarçar minha intenção. — Eu diria que cinquenta por cento. — Ele respondeu, e eu ainda segurava suas mãos frias, enquanto sentia seu olhar me observar profundamente. Ouvimos então a porta de uma das salas serem abertas, saindo delas Misa e Near, que estava com uma caixa de primeiros socorros nas mãos, soltei a mão de L e tentei disfarçar, enquanto questionava internamente meu comportamento. Near se aproximou de Lawliet, e se colocou de joelhos abrindo a pequena caixa, retirando dela um pequeno rolo de gaze e um frasco de anti-séptico. — Você tem que trocar a gaze de tempo em tempo. — Near disse com a voz amena, enquanto retirava a gaze eu tinha colocado mais cedo. Com cuidado ele borrifou algumas vezes o líquido no pulso dele, e então passou a enrolar a gaze em seu pulso não muito apertada, para não prender o sangue. — Você é tão delicado quanto ele era. — Lawliet disse, fazendo Near fechar os olhos e concordar vagarosamente com a cabeça. Ele então se levantou, guardando as coisas que usou dentro da caixa,e pegando a gaze anterior com um pouco de sangue, para jogar ela no lixo. L apenas observava o comportamento de Near que já tinha se afastado um pouco de nós, e eu sentia vontade de perguntar de quem ele estava falando, pois não poderia se de Mello visto que delicadeza não combinava com o garoto, mas deixei minha dúvida de lado, para não gerar um clima mais estranho. Não muito tempo depois, o restante dos oficiais chegaram trazendo comida para nós quatro, que permanecemos no QG, e logo após comermos fomos embora para deixar eles trabalharem. A volta para o hotel foi tranquila, eu sequer me incomodava com o falatório da Amane, pois minha mente se encontrava em outro lugar, perdida em devaneios e dúvidas relacionadas à Lawliet, nunca havia pensado que o mesmo poderia tomar um espaço tão grande em minha consciência. Logo que chegamos na cobertura do hotel, notamos uma caixa cor de rosa com bombons dentro em cima da mesa, e um pequeno bilhete que dizia ser para a Misa, aparentemente vindo de um fã. Estranhando o presente repentino, pedi a Misa que ela não comesse os bombons, antes que eu falasse com o delegado sobre aquilo, ela aceitou olhando para o bilhete enquanto sorria, dizendo que recebia muitas coisas assim em casa. — Pai, você poderia ligar para o hotel, perguntando quem teria deixado uma caixa de bombons aqui? — Está endereçado à senhorita Amane? — Ele perguntou. — Sim. — Respondi, simples. — Certo, daqui a pouco eu ligo novamente. Em alguns minutos ele retornou a ligação, dizendo que tinha sido um funcionário e que os bombons eram confeccionados na própria cozinha do hotel, e eles teriam interrogado todos que trabalhavam no local antes de Misa chegar. Expliquei isso a eles, e então a Amane não demorou para abrir a caixa, mas seu sorriso sumiu de repente, transformando sua expressão feliz em uma m*l humorada. — São de licor, não gosto desses, pode ficar Lawliet. — Disse, empurrando a caixa para L, sabendo que o mesmo adorava doces. — Vou continuar procurando a chave reserva das algemas. — Continuou, entrando em seu quarto. Me sentei junto a Lawliet e o vi pegar um deles e comer, assim que ele mordeu um pedaço o cheiro do licor se fez presente, e ele fez uma careta após mastigar o doce. — Está muito forte. — Ele afirmou, após engolir. Não acreditando muito nele, peguei o doce e coloquei inteiro na boca, sentindo a mistura do chocolate e o forte sabor da bebida, e para alguém que não gostava muito de doces, aquilo estava perfeito. L pegou um morango que estava na fruteira em cima da mesa e comeu, enquanto eu continuava a devorar a caixa de bombons me recordando das festas de réveillon em casa, que minha mãe sempre fazia esses mesmos bombons, mas sem deixar o gosto do licor tão forte. — Achei! — Misa apareceu, com a chave das algemas em sua mão, e sem demora ela nos livrou, pegando as mesmas e levando para o quarto, se despedindo de nós com um "boa noite" preguiçoso. Um pouco mais da metade da caixa eu já havia comido, e eu me sentia um tanto tonto, como se realmente tivesse bebido além do que deveria. Pegando mais um bombom, eu olhava fixamente para as mãos de Lawliet, imaginando quais os tipos de sensações que elas poderiam causar na pele, e então um calor subiu por todo meu corpo. — Você quer? — Ele ofereceu um dos morangos, mas ignorei sua pergunta. E talvez fosse o alto teor de álcool nos chocolates, ou uma vontade repentina de fazer aquilo, mas sem hesitar fui chegando cada vez mais perto dele, alternando meu olhar entre seus olhos e sua boca que parecia tão macia, quando fiquei perto o suficiente selei nossos lábios. Abrindo um pouco a boca foi o suficiente para ele entender o recado, o sabor doce do chocolate se misturava com o tom um pouco azedo do morango, e o gosto do licor finalizava aquela mescla de sabores. Quando abri os olhos novamente, me desgrudando da boca de Lawliet, vi seu olhar assustado, a boca entreaberta e as bochechas coradas trazendo um ar tão fofo para ele, tentei beijar ele novamente mas dessa vez ele foi mais rápido, e em um movimento brusco ele levantou da cadeira e seguiu para o quarto. Envergonhado, talvez? Pensei. Não importava, pois no fundo eu não só sentia, como também sabia que me arrependeria no dia seguinte.
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