Episódio 13

1561 Words
Magnus A fumaça do charuto permeava o ar entre nós, o meu olhar fixo em Vinicius, que estava parado à minha frente. A sua testa brilhava com gotas de suor, como se ele tivesse participado de uma luta feroz em vez de um simples jogo de cartas. As suas mãos tremiam enquanto ele tentava manter a compostura enquanto o som das cartas farfalhando na mesa ecoava. Você vai me pagar cada centavo. Pensei comigo mesma enquanto lhe lançava um sorriso malicioso. Eu sabia que cada carta distribuída aumentava a pressão no seu peito. Quando coloquei uma das minhas cartas na mesa, observei a sua respiração acelerar. Eu podia ler no seu rosto: ele estava apavorado. Ele tem tanto medo assim de perder a filha? Tenho certeza de que a sua filha ilegítima, a filha que ele teve com a sua amante, é a que ele mais ama, acima da sua filha legítima e muda. Anseio por ver o seu rosto quando a reivindicar. Esse era o meu jeito de jogar, sempre mantendo a calma, saboreando o desafio. Ele abre as cartas e sorri ao ver que ganhou. O seu sorriso se alarga enquanto ele enxuga as gotas de suor da testa. Continuo calmo, sabendo muito bem o resultado deste jogo. — Viu? Você duvidou de si mesmo e das suas habilidades, mas é o melhor nisso, Vinicius. Exortei-o a encorajá-lo e fazê-lo acreditar que tinha o jogo nas mãos. — Você está a duas rodadas da sua liberdade. Disse-lhe, e ele se animou um pouco mais, voltando a bebericar o seu uísque, já que a segunda rodada estava apenas começando. Vinicius engoliu em seco, o seu olhar oscilando entre as cartas e o tabuleiro, como se buscasse respostas na confusão de cores e números. Ele sabia muito bem que a pressão do jogo não era apenas sobre ganhar ou perder. As apostas eram maiores desta vez. Se não ganhasse duas das três rodadas, teria que me entregar a uma das suas filhas, um acordo com o qual havia concordado. Este jogo era consequência das suas ações, o seu orgulho e ambição. Por sua traição e deslealdade. Venci o segundo round e o clima começou a ficar tenso. Vinicius sabia que precisava manter a calma agora. Recostei-me na cadeira, apreciando o seu desconforto. — Está pronto para o round final, Vinicius? Perguntei, com um tom leve, quase zombeteiro. As suas mãos trêmulas não mentiam, e o suor começava a se acumular na sua testa novamente. A tensão era extrema e, embora fingisse indiferença, no fundo, sabia que aquele jogo não só decidiria quem ficaria com o que restava do seu respeito, mas também com algo muito precioso para ele. Para mim, era simplesmente o pagamento de uma dívida, e quanta diversão eu teria, ah, sim. As cartas foram embaralhadas novamente e, na minha mente, as probabilidades começaram a se confirmar. Vinicius estava determinado, sabia jogar. Eu não podia neg*ar. Tinha que lhe dar crédito por isso, mas o seu nervosismo estava trabalhando contra ele, obscurecendo o seu julgamento. — Se continuar jogando assim, as suas chances estão a meu favor. Murmurei, deleitando-me com a sua incerteza. As cartas foram distribuídas. A terceira rodada estava em andamento. Vinicius estava determinado a vencer. Mas, duas vezes, não vou deixar, vou cobrar a dívida e fazê-lo pagar até o último centavo. O seu rosto empalideceu quando coloquei as minhas últimas cartas. Eu tinha vencido este jogo. Magnus Corleone nunca perde. A atmosfera ficou tensa num instante. Vinicius, com o rosto vermelho de raiva, encarou-me furiosamente enquanto as fichas permaneciam espalhadas na mesa, símbolos da sua derrota. — Trapaça, droga, isso foi trapaça! O seu grito ecoou no ar enquanto ele batia na mesa e se levantava. Se eu fosse qualquer outra pessoa, tiraria a minha arma, explodiria a sua cabeça, tiraria tudo o que lhe pertencia, mas o privaria do prazer de me ver desfrutar do que ele amava. Não haveria satisfação alguma se eu o matasse; seria tudo tão rápido e fácil. — Você acha que foi trapaça? Respondi, mantendo a voz firme e controlada. A fumaça do meu charuto se misturava à tensão no ambiente. — Você acha que eu sou como você, um cachorro imundo, traiçoeiro e miserável? — Isso é uma armadilha! Você não pode fazer isso comigo! As suas palavras estavam carregadas de desespero. — Vinicius, Vinicius. Eu disse enquanto dava uma longa tragada no meu charuto. — As regras eram claras desde o início. Cada um de nós assumiu o risco, você concordou, pode questionar os meus métodos, mas no final, o resultado é o que importa. Inclinei-me na sua direção, mantendo o olhar firme. — Mas se continuar com essas acusações, garanto que vai se arrepender. Arranco a sua língua e a dou para os meus cachorros comerem. Ninguém toca na minha honra sem consequências. Eu podia ver a luta interna de Vinicius se manifestar no seu rosto. — Você não me deu escolha. Ele retrucou, com a voz mais calma, mas ainda trêmula. Observei Vinicius tentar recuar, com uma expressão de desespero transparecendo no seu rosto. À sua direita, Robert permanecia firme como uma rocha, e à sua esquerda, Lucian se aproximava, fechando qualquer brecha que lhe desse uma chance de escapar. A tensão se intensificou. — Aonde você vai? Perguntei, pegando o cinzeiro para apagar o charuto ainda preso entre os meus dedos. A fumaça dissipou-se lentamente. — Não posso fazer isso, Magnus. Ele respondeu, com a voz trêmula, cheia de angústia. — Não posso te dar a minha filha. O meu olhar se concentrou nele, buscando romper a sua resistência. — Trato é trato. Já se esqueceu disso, Vinicius? A minha voz áspera buscava não apenas soar como uma ameaça, mas também como um lembrete do peso das suas ações. Os seus olhos mostravam uma mistura de medo e desespero. Eu sabia que a suas palavras eram um apelo desesperado, mas naquele jogo, ele era o único que iria perder. — Por favor, eu te darei tudo o que você quiser, a minha vida em troca. Trabalharei para você de graça, qualquer trabalho, Magnus, mas não me peça para abrir mão das minhas filhas. A sua voz tremia, embargada. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌Nunca imaginei que gostaria tanto de vê-lo implorar. Eu tinha sido a marionetista do seu destino e agora a marionete que eu manipulava à vontade. O meu coração batia forte, não por compaixão, mas pela descarga de adrenalina que a sua rendição produzia. Olhei nos seus olhos, aqueles olhos que antes brilhavam com arrogância, agora opacos e cheios de medo. Era fascinante ver seu mundo ruir. A última barreira do seu orgulho desapareceu e, diante de mim, estava um homem preso à própria fragilidade. — Sua vida. Eu disse, saboreando cada palavra. — Não é mais sua. A partir do momento em que você decidiu me trair, tudo me pertence, mas para mostrar o quão generosa e gentil eu posso ser, você me dará uma das suas filhas e eu o deixarei em paz. Afinal, não sou tão ru*im assim. Ele engoliu em seco, a desesperança se formando no seu rosto enquanto tentava processar o que eu estava lhe oferecendo. Era um jogo que ele nunca quis jogar. — Eu imploro. Ele se ajoelhou diante de mim. Nunca imaginei ver essa cena. Um dos meus homens mais poderosos, aquele em quem eu mais confiava, estava de joelhos implorando por misericórdia. Balancei a cabeça enquanto me levantava, enquanto um dos meus homens leais me oferecia o meu casaco preto. — Tudo bem, Vinicius. Respondi calmamente. — Amanhã à noite estarei na sua casa e escolherei uma das suas filhas. Aquela que eu mais gostar. — Por favor, por favor, eu imploro. Ele se abaixou para beijar os meus sapatos brilhantes. — Elas são inocentes, por favor, elas são inocentes... Ele repetiu. E eu sorri ainda mais. E ficarei fascinado em corromper essa inocência. — Amanhã, Vinicius, não tente nada. Você está sendo vigiado. Eu disse, afastando-me dele para sair do cassino. — Isso é um lembrete de que ninguém pode enganar um Corleone. Assim que saí, um dos meus fiéis seguidores abriu a porta apressadamente para mim. Lucian estava ao meu lado. Parei antes de entrar quando ele colocou a mão direita na porta. — Ainda não entendi completamente os seus planos, irmão, mas confio no seu julgamento. Disse ele. Lucian era sério, cauteloso. Provavelmente nunca daria um passo em falso. Era tão astuto que eu deixaria todos os meus negócios nas mãos dele sem hesitar. — Isso mesmo, eu sei o que estou fazendo. Eu disse, e entrei na caminhonete. Lucian subiu ao meu lado, com o rosto tenso e sério. — Você precisa relaxar mais, irmão. Eu disse a ele, e ele finalmente sorriu um pouco. — Você vai envelhecer muito rápido. Brinquei, e ele balançou a cabeça. — Você precisa de uma namorada. Continuei provocando-o. — Você é louco. Eu não preciso de uma mulher louca, tóxica, ciumenta e doente mental me incomodando a cada segundo do meu dia. Ele relaxou, recostando a cabeça no banco. — Estou bem assim. Garantiu-me. — Não gosto de complicar a minha vida como você. Ele disse e soltei uma risadinha.
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