Quando cheguei a casa, entrei na mansão enquanto conversava com Lucian sobre o carregamento que chegava amanhã da Colômbia e sobre a videoconferência que tenho com Gómez, o meu melhor contacto na Colômbia para traficar o meu ouro branco. "Cocaína".
Parei quando vi Veronica sair com uma bonequinha que exibia o seu corpo esculpido. Os seus cabelos loiros caíam-lhe longos até à base das nádegas. As suas pernas longas e torneadas convidavam-me a penetrá-las, e os seus dois p****s grandes já me davam água na boca.
Lucian, que falava comigo, mostrando-me as coordenadas no telemóvel, parou e as suas palavras pairaram no ar. Ele suspirou, exasperado.
— Falo com você mais tarde. Ela disse, virando-se para voltar para a porta por onde tínhamos acabado de entrar.
Verônica terminou de descer as escadas e aproximou-se sedutoramente, colocando as mãos no meu peito e me acariciando por cima da blusa.
— Vou te ajudar a tirar isso, querido, está quente aqui dentro. Disse ela, tirando o meu casaco. Mesmo usando saltos, ela m*al chegavam ao meu queixo.
O aroma do seu perfume caro e exótico invadiu as minhas narinas. Envolvi um dos meus braços em volta da sua cintura fina, puxando-a para perto do meu corpo.
— Que prazer, Verônica!
Ela não era vista há mais de uma semana.
— Sentiu a minha falta, querido? Ela perguntou, e eu a levei pela cintura escada acima.
— Ah, sim. Sorri, sabendo que era uma grande mentira. Não senti falta dela. O que ela me dá, qualquer mulher me dá. É por isso que tenho o meu clube à disposição, onde me divirto quantas vezes quiser. Uma mulher é apenas mais uma vagab*unda.
No dia seguinte, comecei a sentir uma sensação estranha invadir o meu corpo. Ontem à noite, tra*nsei com a Verônica por horas, descarregando o meu estresse nela.
Depois que terminamos, a levaram para casa. Ela tentou passar a noite, mas nenhuma mulher nunca dormiu na minha cama. Eu não trazia mulheres para minha casa, apenas a Verônica, já que ela é filha de um importante sócio e amigo. Mas também não tinha intenção de formalizar nada. Primeiro, porque ela não é mulher para se casar. Conheço a reputação que a precede. Segundo, a minha santa mãe a detesta, e se a minha mãe disser não, a sua vontade será cumprida.
Uma calça social cinza-escura e uma camisa branca com os primeiros botões abertos cobrem o meu corpo. O frio começou a diminuir, dando lugar à tão esperada primavera. Prendo o meu cabelo num ra*bo de cavalo baixo e saio de casa para encontrar Lucía aos pés da nossa caminhonete.
— Pronta para reivindicar o seu prêmio? Perguntou o meu irmão com um sorriso m(alicioso.
Cocei o queixo. — Vamos pegar o meu prêmio e ver o quanto o Vinicius é filho da p*uta.
Verena
Eu estava imersa nas páginas do meu livro. O meu quarto era meu refúgio diário, onde eu podia escapar da minha realidade, da minha vida triste que parecia insuportável todos os dias. Mas, naquele exato momento, duas batidas na porta me fizeram parar de ler, levantar os olhos do livro e fixar o olhar na porta.
— Verena... Soou a voz cautelosa do meu pai. Vi a sua cabeça espreitar lentamente para fora, como se estivesse com medo de mim. Não nos falávamos há dias depois que ele trouxe a esposa para cá, a quem eu não tolero e não suporto ver, porque cada vez que a vejo, os odeio ainda mais.
Amara, por outro lado, é tão inocente quanto eu neste jogo macabro. Ela tentou se aproximar. Não é culpa dela, mas eu construí um muro invisível que não permite que ninguém se aproxime.
Uma onda de raiva me percorreu quando vi o meu pai. Fechei o livro com força, o som ecoando no quarto como uma declaração silenciosa de guerra.
Ele entrou, fechando a porta tão devagar quanto costumava espiar. O meu coração disparou. Eu não sabia se algum dia conseguiria perdoar meu pai.
— Filha, podemos conversar? Ele perguntou. Eu apenas o encarei como se o meu olhar fossem facas tentando perfurá-lo.
Não entendo do que você quer conversar. Eu disse, balançando os dedos.
Eu o vi suspirar e então começar a andar pelo meu quarto, de cabeça baixa. Eu o segui com o olhar.
— Eu sei que fiz tudo errado. Sei que você provavelmente me odeia, mas quero que saiba que eu te amo, filha.
Arqueei as duas sobrancelhas. Eu não acreditava nele. Se ele me amasse, não teria feito o que fez.
Nunca vou perdoá-lo por pisar na memória da minha mãe desse jeito. Eu disse quando os seus olhos pousaram no meu rosto.
— Me perdoe, é tudo o que tenho a dizer, Verena. Por favor. Sei que nunca fui um pai altruísta e que, por causa dos meus erros, a sua mãe...
Levantei a mão, silenciando-o.
Não fale mais da minha mãe, não manche mais a memória dela, deixe-a descansar em paz.
Ele assentiu, com uma expressão um pouco estranha.
— Verena, vai haver um jantar na nossa casa hoje à noite. Um homem importante, um amigo, está vindo. Preciso que as minhas duas filhas, toda a família, estejam lá.
Engoli em seco. Como ele ousa me pedir algo assim?
Afinal, você ainda ousa me pedir algo assim? Eu gesticulei com raiva.
— Eu sou seu pai, você ainda mora sob o meu teto, você está na minha casa, Verena, não se esqueça disso. Cometi muitos erros, mas ainda sou seu pai e mereço respeito.
Eu sorri ironicamente.
Respeito se conquista, não se exige, e você não merece o meu respeito. Você nem merece que eu o chame de pai. Você nunca foi um, de qualquer forma. Peça para sua nova família estar presente e se esquecer de mim.
Eu queria ter uma voz para poder gritar tudo para ele. A dor me dilacerava por dentro, e eu não conseguia dizer nada.
Vá embora, vá embora.
Comecei a chorar de novo, a dor me despedaçando em mil pedaços.
Vá embora, me deixe em paz. Eu gesticulei, e não consegui suportar a raiva que senti ao jogar o livro que segurava nele.
O meu pai saiu, lançando-me um último olhar, como se estivesse arrependido e carregando muita dor, mas duvido muito que ele sinta a dor que sinto agora.
Comecei a chorar, segurando a cabeça com as mãos e soluçando incontrolavelmente.
Me enrolei no meu lado da cama, peguei a foto da mamãe e a segurei contra o peito.
Sinto tanto a sua falta, mamãe.
Sinto tanto a sua falta, meu raio de sol.
Eu chamei ela como ela me chamava. Meu raio de sol. Eu era o raio de sol dela.
Uma hora depois, bateram novamente na minha porta. Eu não estava com vontade de ver ninguém. Mas depois de tanta insistência, levantei-me para ver quem era. Fiquei paralisada quando Amara me abraçou, chorando copiosamente. Fiquei paralisada. Tentei afastá-la porque odiava contato. As únicas que aceitei foram minha mãe e a babá. Detesto que alguém se aproxime de mim, mas Amara se agarrou a mim como se eu fosse uma tabua de salvação.
— Verena. Ela continuou chorando, e foi aí que consegui afastá-la.
O que houve? Perguntei a ela, mas ela não entendeu a minha língua.
— Não entendi. Disse ela, e pude ver que os seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar.
Procurei o meu celular e digitei.
O que houve? Por que você está chorando assim?
Ela caminhou até a minha cama e sentou-se lá. Começou a brincar com as mãos, e percebi que ela tremia muito. Parecia assustada.
— Estou com muito medo. Ela declarou.
Por quê? Conte-me tudo, porque não consigo entender o que está acontecendo com você.
Escrevi para ela novamente.
— Mamãe me disse que vai ter um jantar hoje à noite, que um homem vem e que papai fez um acordo com esse homem.
O meu coração começou a bater acelerado. Sim, papai me contou sobre o jantar, mas... Como assim, um acordo? E por que você está chorando desse jeito? Escrevi para ela novamente.
— Porque papai vai nos entregar para aquele homem m*au. Esse homem está vindo para levar uma de nós. Ela declarou, e o meu pulso acelerou. O meu coração apertou contra o peito e comecei a tremer.
Não, você é louca. Papai não pode fazer isso.
Escrevi novamente, com as mãos tremendo.
— Sim, sim, ele vai. Mamãe está arrasada. Ela me disse isso. Eu não quero ir com ninguém, Verena. Sou muito jovem. Mamãe diz que aquele homem é mau, que só causa m*al. Papai deve muito dinheiro a ele, e é por isso que aquele homem quer um de nós como pagamento pela dívida do papai.
Meu Deus!
Exclamei angustiada. Eu esperava qualquer coisa do papai, mas nunca isso. Isso é demais. Agora eu percebia que papai não ama ninguém, que no fim das contas, ele só ama a si mesmo e ao seu dinheiro.
— Verena, por favor, me ajude, me ajude. O que eu farei se aquele homem me escolher e quiser me levar? Estou com medo, com muito medo, e papai não vai me defender, e se mamãe se opuser, provavelmente vão matá-la.
Calma. Fui gesticulando para ela, aproximando-me e abraçando-a. Meu Deus, Amara ainda é uma criança. Como papai pode nos vender assim, como se fôssemos um saco de carne sem sentimentos, sem valor?
Não vou deixar que te machuquem, a sua mãe também não.
Escrevi para ela para que entendesse.
— Mas ninguém pode nos salvar. Mamãe diz que ele provavelmente vai me escolher porque você é... Ela se perdeu. — Você é muda, e aquele homem não vai querer te levar.
O meu coração batia muito rápido. Ela provavelmente tinha razão. Mas como posso assistir Amara ser levada contra a vontade e não fazer nada?
Não vou deixar ninguém te levar.
Eu disse a ela, e ela leu, mas começou a chorar novamente.
Vá com a sua mãe. Vai ficar tudo bem.
Essa foi a última coisa que eu disse a ela. E ela saiu correndo do meu quarto, ainda muito assustada.