Episódio 15

773 Words
Naquele momento, a babá entrou no meu quarto, a viu correndo e chorando, e me perguntou o que estava acontecendo. Contei tudo a ela, e ela ficou indignada. — Como o seu pai pode ser capaz disso? Ela perguntou, perplexa. Não sei, babá. Mas o desejo do meu pai por dinheiro não tem limites. A sua ambição é tão grande. Segundo Amara, o meu pai deve muito dinheiro àquele homem e dará uma de nós como parte da dívida. Ela acha que ele a escolherá. Quem iria querer uma muda? Babá balançou a cabeça e acariciou os meus cabelos. — E se ele escolher você? Olhei para ela, engolindo em seco. Eu não ia ne*gar que estava com muito medo, porque se ele me escolhesse, ninguém seria capaz de me defender. Se ele me escolher, é porque o meu destino está marcado por sangue. Um homem capaz de exigir a vida de duas garotinhas que m*al começam a viver em troca é um monstro. Disse à minha babá. Ninguém pode me defender. O único que deveria ter feito isso é aquele que está nos entregando, e a única que poderia ter feito isso não está mais aqui. Estou sozinha, babá. — Não, minha rainha. Você não está sozinha. Eu sempre estarei com você. Ele me abraçou com força e eu chorei no seu pescoço. Pelo menos eu a tinha. Sem ela, o meu mundo já teria desmoronado. A noite caiu, o meu coração disparado. Eu não queria descer. Se fosse para agradar o meu pai, eu não faria isso, mas não vou deixar que levem Amara sem ao menos lutar. Mamãe sempre disse que eu só pareço frágil e dócil, mas que eu era muito corajosa e valente. Ela sempre acreditou que eu tinha muito a oferecer aos outros. Que eu não era covarde. Eu não sabia o quanto isso era verdade. Porque eu estava apavorada, com muito medo de encarar o desconhecido. Não sei quem era esse homem, nem por que ele nos queria. Suponho que, como ele é sócio do meu pai, deve ter a mesma idade, um velho com perversões, um homem desagradável e repugnante. Coloquei um vestido modesto, de gola alta e mangas compridas, com a saia acima dos joelhos. Combinava com minhas botas pretas. Eu ainda estava de luto pela minha mãe, e ficaria assim por um longo tempo. Aproximei-me da janela e notei que cinco caminhonetes pretas haviam chegado e estacionado na entrada da minha casa, do tipo que meu pai tinha, mas eram incomparáveis. Muitos homens armados e de terno preto saíram. O meu coração disparou quando um deles olhou para cima e, como um ímã, encarou a minha janela. Afastei-me imediatamente para que ele não me visse. Amara estava certa. Quem quer que fosse o homem que estava vindo, ele era m*au. Agora, não há dúvida de que meu pai nunca andou por bons caminhos e os seus negócios não eram legais, quem sabe no que ele estava se metendo. Pensei, pensei e analisei muito. Por que eu deveria sair? Por que eu deveria me importar se eles levassem a filha bastarda do meu pai? Sim, eu sei que parece cru*el, mas é o que é. Mas, droga, por que me sinto tão m*al por pensar isso, e por que tenho essa necessidade de defendê-la? Mas se fosse a minha mãe, apesar de tudo, ela a teria defendido como sangue, teria lutado por ela, porque a minha mãe não conhecia o m*al. Ela era a personificação do bem, e parece que me deixou isso como herança. Respirei fundo e gesticulei várias vezes para acalmar os meus nervos, para parecer calma, para que ninguém percebesse o medo, o pavor e a tempestade que rugiam dentro de mim. Saí do meu quarto, os meus saltos ecoando nos degraus. As vozes vindas da sala de jantar faziam o meu corpo inteiro tremer. — Mas Vinicius, acho que falta alguma coisa, ou melhor, alguém. Só vejo uma das suas filhas aqui, Vinicius. Onde está a outra? Ouvi aquela voz, grossa, rouca e áspera, e isso me arrepiou completamente. Eu o vi. Ele estava de costas. Ele era alto, grande demais, com o cabelo um tanto comprido preso num ra*bo de cavalo. O seu cheiro se espalhava pelo ambiente. Ele exalava uma aura sombria e poderosa. De um momento para o outro, não era mais medo que eu sentia. E os meus passos, o som dos saltos das minhas botas, o forçaram a se virar. Os seus olhos encontraram os meus por segundos que pareceram uma eternidade. Então, naquele exato momento, eu soube que ele sabia exatamente quem havia escolhido.
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