Magnus
A SUV preta percorreu as ruas da cidade enquanto nos dirigíamos à casa de Vinicius. Nada na minha vida jamais me causara tanta ansiedade quanto eu estava sentindo agora. Eu não entendia por que aquela m*aldita garota provocava essa sensação toda vez que a sua imagem me vinha à mente. Suspirei profundamente enquanto olhava pela janela.
— Algo está te preocupando? Meu irmão perguntou com a voz calma.
Olhei para Lucian, sentado ao meu lado. Os seus olhos, sempre alertas, perscrutavam cada canto, cada sombra como um predador em busca da sua presa. Embora o seu rosto estivesse sereno, a sua energia transmitia uma aura misteriosa e perigosa.
— Nada mesmo. Respondi. Realmente não havia nada com que me preocupar. Era apenas uma bobagem. Nós dois ficamos em silêncio novamente.
— Só quero pegar o meu prêmio. Eu disse, quebrando o silêncio enquanto a luxuosa SUV entrava na elegante entrada da casa de Vinicius.
— Você e as suas decisões. Respondeu Lucian.
— Ele roubou o nosso dinheiro. Devíamos matá-los da pior maneira possível. Que ele sirva de exemplo, para que ninguém zombe de nós e que ninguém toque no nosso dinheiro.
— Você acha que eu me importo com dinheiro? Perguntei, olhando para ele. O meu irmão não disse mais nada. Ele sabia que eu não gostava nem um pouco do que estava fazendo. Era a primeira vez que eu queria resolver uma traição dessa maneira, mas desde que vi aquela garota, não consigo tirar ela da cabeça. Só quero usá-la, corrompê-la, despedaçá-la e depois devolvê-la ao pai dela.
Antes de abrir a porta, Lucian saiu rapidamente, com a postura ereta e determinada. Ele olhou ao redor, como se esperasse qualquer sinal de perigo. Eu gostava de vê-lo assim, pronto para qualquer coisa que pudesse surgir. Com ele ao meu lado, eu não tinha medo. Nós dois nos protegemos desde crianças. Eu o segui alguns momentos depois, sentindo o ar pesado da noite me envolver ao sair do veículo.
Eu sentia o magnetismo da minha presença a cada passo. Era uma sensação inconfundível, a de ser um homem poderoso em território desconhecido. Aproximei-me de Lucian, os nossos olhares encontraram-se e, por alguns breves segundos, trocamos palavras numa língua que só nós entendíamos.
— Se houver algum problema, é só dar o sinal. Disse Lucian, com a sua voz baixa batendo levemente no meu ombro. Eu sabia o que aquilo significava.
— Não haverá problemas. Respondi com a voz grave, apontando para a porta da casa que se erguia diante de nós. — Vamos apenas reivindicar o que me pertence.
Nesse exato momento, algo me chamou a atenção. Levantei o olhar para uma das janelas do segundo andar da casa de Vinicius. Uma silhueta e uma sombra me chamaram a atenção.
— Sempre alerta. Disse a Lucian, acenando para cima. Ele se virou para olhar também, com os olhos aguçados, examinando cada detalhe.
A sua expressão permaneceu serena, mas com a seriedade que sempre o acompanhava. Então, com um leve sorriso zombeteiro, ele quebrou a tensão.
— Nada com que se preocupar. Vá em frente, faça o que tiver que fazer. Estarei esperando aqui, irmão, cuidando de você. Disse ele com um sorriso confiante.
Relaxei um pouco, sorrindo também. No nosso mundo, deveríamos ter olhos e ouvidos em todos os lugares.
Assenti, passando a mão direita pelo cabelo bem penteado, preso num ra*bo de cavalo baixo.
— Espere por mim aqui. Respondi, enquanto caminhava em direção à entrada, seguido por dois dos meus fiéis seguidores.
A porta se abriu diante de mim e a primeira coisa que vi foi o rosto de Vinicius, tenso e sério. Aquele olhar não me surpreendeu. Eu sabia que ele não me esperaria de bom grado, muito menos cordialmente.
— Boa noite, Vinicius. Eu disse, dando alguns passos para dentro da sua casa, um lugar que eu nunca havia visitado. O ambiente era mais opulento do que eu imaginava, decorado com gosto ostentoso.
— Que casa linda e impressionante. Comentei, em tom de brincadeira.
A expressão de Vinicius não mudou, e nos seus olhos havia uma mistura de aborrecimento e ressentimento que eu não conseguia ignorar. Tudo o que ele tinha era graças a mim, aos anos em que trabalhou para mim e também ao dinheiro que me roubou ao longo do caminho, num ato altamente questionável. Tudo o que ele tinha, ele me devia.
Movi-me cautelosamente pelo saguão, observando os detalhes de cada objeto. Cada pintura na parede contava uma história, algumas que eu conhecia bem e outras que me intrigavam. O tempo todo, eu sentia Vinicius me seguindo com o olhar, avaliando as minhas intenções.
— Vamos, Vinicius. Relaxa. Só estou aqui para receber o que conquistei num jogo justo. Eu disse, tentando manter a voz leve enquanto absorvia a atmosfera.
— Justo? Ele disse, com a voz um pouco trêmula, atrás de mim. Sorri, virando-me para encará-lo.
— Está me chamando de vigarista? Está dizendo que você e eu somos iguais? Robert e o outro homem vieram e ficaram ao lado dele. Vinicius, piscando rapidamente, desviou o olhar levemente para eles e depois voltou a me olhar.
— Não, mas... Ele respirou fundo. Naquele exato momento, o som de saltos e um aroma requintado me forçaram a virar para a direita, a me deliciar com a presença de uma mulher um pouco mais velha do que eu, mas bela e elegante. Ao seu lado, segurando a sua mão com força, estava uma jovem muito bonita, mas ainda uma criança. Ela não me chamou a atenção em nada. Embora tivesse um corpo primorosamente formado, não me despertou nenhuma emoção.
— Sua amante? Perguntei ironicamente, voltando-me para Vinicius.
Ele correu até elas, pegando-a pela mão.
— Ela é minha esposa, Delia, e a minha filha, Amara. Ele as apresentou.
— Vinicius! Exigiu a mulher, aparentemente preocupada.
Ela poderia relaxar, eu não quero a sua filha. Você pode entregá-la a algum perdedor. Estou interessada em outra pessoa.
— É um prazer conhecê-las. Eu disse com um sorriso um tanto cínico.
— Embora eu deva lhe dizer, Vinicius, que a sua esposa, que descanse em paz. Eu disse com falsa cortesia. — É muito mais bonita que a sua amante.
A mulher ofegou indignada. Vinicius endureceu o maxilar e cerrou os punhos. Eu tinha certeza de que não havia nada mais que ele quisesse do que pegar a sua arma e atirar na minha cabeça.
— Vamos para a sala de jantar e acabar com essa charada. Declarou Vinicius com os dentes cerrados.
— Não se preocupe, tenho a noite toda para aproveitar esta noite agradável. Dei um meio sorriso.
— Por aqui. Ele indicou, puxando a sua amante pela mão. Lancei um breve olhar para Robert e caminhei atrás da linda família.
Entramos na ampla e luxuosa sala de jantar, quase idêntica à minha. Mas eu não estava mais gostando daquele joguinho. Eu não estava vendo o que queria ver.
— Você pode sentar onde quiser. Disse Vinicius, me encarando. Permaneci em silêncio.
Ah, então você quer escondê-la? Agora eu sei o quanto isso vai pesar para você.
— Mas Vinicius, acho que falta alguma coisa, ou melhor, alguém. Só vejo uma das suas filhas aqui, Vinicius. Onde está a outra?
Vi todo o seu corpo tenso e, de repente, o seu olhar caiu para trás de mim, e um aroma inebriante, doce e totalmente viciante invadiu o meu nariz, penetrando fundo na minha mente. E o suave clique dos saltos me disse que ela estava ali.
Virei-me para encontrar aqueles olhos deslumbrantes que já vi de longe, já vi em fotos, mas, caramba! Pessoalmente, de perto, eles são de tirar o fôlego. Ela herdou toda a beleza da mãe.
— Magnus... Vinicius caminhou rapidamente até a filha, segurando o seu braço num gesto protetor que eu nunca imaginei. — Esta é Verena, minha outra filha. Ele, sussurrou ela num tom muito baixo, como se tivesse medo de apresentá-la.
Caminhei até ficar na frente dos dois, mas apenas olhei para ela, os meus olhos não detectando nada além dela.
— Verena. Sussurrei. — Finalmente nos conhecemos. Ela franziu a testa, imitando a expressão do pai.
Então piscou apressadamente. — Desculpe, Magnus, ela...
— Muda. Terminei a frase sem preâmbulos. Os seus olhos se arregalaram e, por algum motivo, o seu olhar exercia um magnetismo sobre mim que era impossível ignorar ou não sentir.
— Venha, sente-se aqui. Disse o seu pai, afastando-a de mim, quase para o outro lado, onde ele se sentou, e ele se sentou à sua esquerda, como se isso a salvasse, tentando escondê-la de mim. Não acho que a sua amante tenha gostado nem um pouco das suas ações, pois o seu olhar dizia tudo. Ela estava ardendo de raiva por não estar dando à filha mais nova a mesma atenção.
— Vamos sentar então. Eu disse lenta e deliberadamente, ainda olhando para ela.
Depois de alguns segundos, ela desviou o olhar de mim e olhou para a mesa.
O jantar começou a ser servido sem mais delongas. Uma garrafa de vinho estava à minha frente, da melhor qualidade. Eu não sou tão idi*ota assim. Jamais beberia uma taça oferecida pelo meu inimigo.
— Suponho que você já tenha contado a elas sobre o nosso acordo. Declarei, recostando-me na cadeira e olhando para Vinicius do outro lado. Ele pigarreou.
Eu sorri enquanto esperava. — Não, não contou. Sussurrei um pouco alto.
— Magnus, podemos...
— Podemos o quê? Interrompi o discurso que estava prestes a sair da boca dele.
— Não estou aqui para negociar, estou aqui para reivindicar o que é meu. Olhei para a sua filha mais velha. Ela manteve uma postura rígida, enquanto eu permaneci relaxado.