Verena
Sentei-me no banco de pedra, cercada pelas minhas orquídeas e rosas brancas. O jardim sempre fora o meu refúgio, o único lugar onde eu conseguia respirar sem me sentir sufocada. Acariciei as pétalas aveludadas de uma rosa recém-aberta, como se pudesse lhe contar todos os meus segredos.
O que será da minha vida de agora em diante? As flores balançavam suavemente ao vento, indiferentes à minha dor. Dois dias. Eu só tinha dois dias de liberdade antes que a minha vida não me pertencesse mais. Eu não era tola, podia ser inexperiente, mas ele era apenas o homem que estava longe de ser um príncipe. Era um homem com alguma perversão doentia na mente. Quem pediria a vida de alguém em troca de uma dívida de dinheiro?
Mas por que eu havia decidido ir com ele? Fácil, ele me queria e mataria qualquer um que se opusesse a ele, eu via em seus olhos.
De repente, o ranger do portão de ferro me tirou dos meus pensamentos. O som metálico reverberou por todo o quintal, e senti cada célula do meu corpo se contrair. Olhei para cima e vi o enorme portão da minha casa se abrir lentamente, como a boca de um animal faminto.
Uma enorme caminhonete preta, brilhante e com vidros escuros entrou primeiro. Depois outra. E mais outra. Cinco no total, cada uma mais imponente que a anterior. Elas formaram um semicírculo na estrada de paralelepípedos, bloqueando qualquer saída possível.
O meu coração começou a bater tão forte que eu podia ouvi-lo em meus ouvidos. O ar ficou pesado, difícil de respirar. Porque eu sabia exatamente quem estava chegando naquela caravana de metal e poder.
O homem cujo nome permanecera em minha mente quando meu pai se ajoelhou e implorou por mim. Foi então que entendi que, apesar de tudo, apesar de meu pai parecer o mais infeliz de todos, o homem sem coração, naquele momento e naquelas lágrimas, ele me mostrou que me amava. Que, apesar de tudo, ele me amava.
A porta da terceira caminhonete, a do meio, se abriu. Primeiro, vi um par de sapatos pretos impecáveis pisar no caminho de pedras. Depois, um terno escuro sob medida envolvendo um corpo alto e atlético. E, finalmente, seu rosto.
Ele era atraente, de um jeito frio e calculista. Cabelo preto penteado para trás, um maxilar definido e olhos castanhos predadores que examinavam todo o ambiente com precisão. Aqueles olhos me arrepiaram.
Homens de terno escuro e expressões impenetráveis saíram dos outros caminhões, cercando-o discretamente. Guarda-costas, é claro. Um homem como ele não iria a lugar nenhum desprotegido.
Eu congelei. Uma parte de mim queria correr, me esconder entre as árvores nos fundos do jardim, pular o muro e desaparecer para sempre. Mas outra parte, que eu não reconhecia, me mantinha presa ao chão, observando toda a cena. De repente, uma mulher mais velha, elegantemente vestida, com cabelos castanhos quase loiros, saiu do mesmo caminhão, examinando todo o lugar.
Eu não aguentava mais e tive que me esconder. Quem era ela? O que ela queria?
Foi então que corri de volta para dentro de casa, assustada, mas também incrivelmente curiosa. Em vez de subir para o meu quarto, fiquei atrás de uma parede que separava o longo corredor da entrada para a sala de estar principal.
O meu coração batia muito rápido, batendo forte contra o meu peito. Houve muito silêncio, mas então a voz do meu pai foi a primeira coisa que ouvi. Ele os cumprimentou e os convidou para entrar.
Meu pulso acelerou ainda mais quando comecei a ouvir a voz da mulher.
— Vamos para a sala de estar, Sr. e Sra. Corleone. Minha filha descerá em um instante. Disse papai. Sra. Corleone, meu Deus, ela é a mãe do meu futuro marido.
Os passos sumiram no corredor, a minha respiração ofegante. Papai estava vindo me encontrar no meu quarto. Eu deveria me apressar e subir as escadas, mas quando estava prestes a sair do meu esconderijo, encontrei aqueles olhos que me aniquilaram com apenas um olhar. Engoli em seco, sentindo um arrepio percorrer a minha espinha.
Ele parou a alguns metros de distância, me observando como se eu fosse uma aquisição que ele estivesse avaliando. Seu olhar percorreu meu vestido simples, meus pés descalços, meu cabelo solto e provavelmente bagunçado. Ele não sorriu. Não fez nenhum gesto que revelasse o que estava pensando.
Como ele sabia que eu estava escondida ali?
— Seu cheiro é inconfundível. Ele disse, como se lesse minha mente, com uma voz profunda e controlada.
Ele deu dois passos em minha direção, e eu também pude sentir o seu perfume. Era viciante, intenso e avassalador, como tudo nele.
O encarei com os olhos arregalados, incapaz de responder. E mesmo que respondesse, provavelmente não entenderia de qualquer maneira. Era óbvio que ele não conhecia a linguagem de sinais.
Mas então ele fez algo inesperado. Ele sorriu. Não foi um sorriso caloroso ou amigável, mas algo mais parecido com a apreciação que um colecionador demonstra quando encontra uma peça mais interessante do que esperava.
— Dois dias. Disse ele, olhando para o relógio de pulso como se consultasse uma data em um diário. — Em dois dias, você será minha esposa. Ele disse isso com tanta naturalidade, como alguém comentando sobre o tempo ou um compromisso de negócios.