— Entrem, entrem na sala de jantar, já estou esperando, o jantar está pronto. Disse mamãe, pegando cada um de nós pelo braço, e caminhamos até a sala de jantar.
Ela sempre se sentava na cabeceira, com nós de cada lado, Lucian à sua esquerda e eu à sua direita. O jantar começou a ser servido imediatamente, e nos acomodamos.
— Então, me contem as novidades? Alguma novidade, contem para a mamãe. Disse ela, abrindo e fechando as mãos, mantendo os cotovelos sobre a mesa.
Lucían e eu trocamos olhares, e nossa mãe, como a bruxa intuitiva que era, percebeu rapidamente. Nada poderia ser escondido dela.
— Vamos lá, me contem, ou vocês não vão jantar.
— Mãe! Exigiu Lucian com um meio sorriso. — Não quero segredos. Vocês sabem que não deveria haver segredos entre vocês e essa velha.
— Mãe, você não é uma velha. Exigi.
— Eu também não sou uma garotinha. Sou velha o suficiente, bem conservado, mas velha mesmo assim. Ela declarou, balançando a cabeça. — Mas não me provoque. Acrescentou.
— Mãe, eu não estava planejando esconder nada da senhora. Na verdade, eu queria pedir a sua ajuda. Declarei sem mais delongas.
— Ajuda? Filho, o que está acontecendo?
— Magnus enlouqueceu, mãe. Declarou Lucian com uma carranca. — Eu não concordei com o que ele vai fazer, mas ninguém pode fazer ele mudar de ideia. Eu olhei para ele com raiva.
Eu quero esse bebê na minha cama, eu quero segurá-la, eu a quero para mim, sujeita à minha vontade. Eu quero subjugar essa raiva dela. Que o seu orgulho beije os meus pés.
— Bem, mais louco, acho que ele não pode ficar, mas o que ele inventou agora? Disse mamãe, alternando o olhar entre nos dois.
— Mãe, quero que você fale com o Padre Antônio. Preciso que ele celebre um casamento. Os olhos da minha santa mãe arregalaram-se.
— Para quem? Ela perguntou. A sala de jantar estava em silêncio havia muito tempo...
— Mãe, você vem me pedindo netos, um herdeiro, há muito tempo. Bem, vou realizar o seu desejo. Ela colocou as duas mãos no rosto, com uma expressão de absoluta surpresa.
— Vou me casar, mãe. Confessei.
Lucian bufou, revirando os olhos.
— Ma-mas... mas com quem? Gaguejou mamãe.
— Não me diga com a lagarta de pernas longas sugadora de sangue, porque eu não vou te dar a bênção Magnus, já estou avisando. Ri baixinho. Eu sabia o quanto ela odiava Verônica.
— Não, mãe, Verônica é só um hobby, não vou me casar com ela. Declarei, e ela deu um suspiro de alívio, depois a sua expressão se transformou em curiosidade.
— Então, quem é ela?
— A filha de um traidor. Respondeu Lucian.
Fixei os meus olhos nele. — Como assim, Magnus? Mamãe virou o rosto para mim.
Suspirei fundo antes de esfregar o rosto.
— Ela é filha do Vinicius. Respondi. Mamãe ergueu uma sobrancelha, intrigada.
— Por que você a escolheu? Ela perguntou.
— Para cobrar a dívida do pai dela. Respondi, sentindo a m8aldade correr por minhas veias.
— Magnus Corleone, eu o proíbo terminantemente de usar uma pessoa inocente para executar a sua vingança. Ela não tem culpa pelo que o pai dela fez. Alertou a minha mãe, erguendo o dedo indicador para mim. Se ao menos ela soubesse que eu já havia matado a esposa dele e agora estava atrás da filha dele. Mas ela não precisava saber disso.
— Não quero uma mulher porque a amo, ou uma mulher para compartilhar a minha vida. Não preciso disso, mãe. Preciso que ela me dê um herdeiro.
— Não acredito nisso, isso é...
— Não, mãe, não vou discutir isso. Já tomei a minha decisão e não vou mudá-la. Desta vez, você não pode interferir.
Ela suspirou profundamente, me encarando. Ela sabia que, quando eu tomava uma decisão, ninguém poderia me contradizer, nem mesmo ela. Embora eu a amasse mais do que a minha própria vida, negócios são negócios.
— Preciso que você organize o casamento, na catedral, para o Padre Antônio celebrar. Tem que ser de verdade, é um casamento de verdade. Declarei. — Compre um vestido e um anel para ela, qualquer tipo, não importa. Preciso de tudo pronto em três dias. Nos casaremos em três dias.
— Três dias? Magnus, um casamento é planejado em meses.
— Não vou me casar por amor, é um negócio. Será em três dias, mãe. Por favor, certifique-se de que tudo esteja pronto. Conto com você.
Ela revirou os olhos. — Tudo bem, meu Deus. Ela disse, exasperada.
— Sim, a loucura dele chegou ao limite. Disse mamãe, olhando para o meu irmão e concordando.
— Eu te disse. Concordou Lucian.
— Loucura ou não, é a decisão que tomei. Você terá que respeitar ou sair do meu caminho.
— Preciso vê-la. Preciso ver qual vestido ficará bem nela. Preciso que ela me diga o que gosta e... Eu a interrompi.
— Ela não vai te dizer nada, a menina é muda. Disse o meu irmão, rindo.
— Céus. Exclamou mamãe. — Mais alguma coisa que eu deva saber?
— Mãe, compre qualquer vestido para ela, ela é pequena, magra, nada de extraordinário. A imagem dela surgiu automaticamente na minha mente: o seu corpo pequeno e delicado, com belas curvas, uma cintura que podia ser segurada com uma mão, aquele cabelo preto curto, brilhante e cacheado, aqueles lábios carnudos e aquelas sardas que adornavam o seu rosto pequeno e inocente. Tudo isso é o que eu quero aproveitar e saborear sempre que quiser. Como ela é minha esposa, não pode me negar nada, e não há crime em nada que eu queira fazer com ela.
Balancei a cabeça levemente, um movimento quase imperceptível, para apagar da minha mente aqueles pensamentos mórbidos que tenho sobre ela.
— Você vai conhecê-la no dia do casamento. Declarei.
— Bobagem, eu quero conhecer a minha futura nora e mãe dos meus herdeiros agora mesmo. Declarou a minha mãe. — Senão, Magnus Corleone, não haverá casamento.
Bufei, exasperado. Eu havia herdado a minha teimosia dela. Tinha esquecido.
— Ok, levo você para conhecê-la amanhã. Está feliz? Ela sorriu com uma expressão altiva, como se estivesse pensando em fazer algo travesso.
— Perfeito, por mim tudo bem. Vou conhecê-la amanhã. E me diga, qual é o nome dela?
— Verena. O nome da minha futura esposa é Verena.