Episódio 7

869 Words
Depois do banho, desci até a cozinha para encontrar Nana e fiquei muito surpresa ao ver as empregadas, os dois jardineiros e alguns seguranças lá, junto com um lindo bolo de chocolate — meu favorito — com uma grande borboleta desenhada no topo e balões. Os meus olhos lacrimejaram com a surpresa que eles prepararam para mim. — Feliz aniversário, senhorita Ferragamo. Disse Mauricio, um dos guardas que era o meu guarda-costas e que não me acompanhou naquele dia, o dia do ataque, porque a minha mãe havia pedido que ele fizesse outra coisa. Caso contrário, ele provavelmente não estaria aqui comigo. Muito obrigado. Eu disse, e todos entenderam a minha linguagem de sinais. Ou pelo menos as palavras básicas que todos nesta casa usavam para se comunicar comigo. Eles cantaram parabéns para mim e eu apaguei a vela com mais força ainda, fechando os olhos para pedir com todas as minhas forças aquela vingança que anseio no fundo do meu coração. Naquele momento, virei-me para a porta e notei os olhares um tanto assustados no rosto de todos. Notei a figura do meu pai na porta olhando para todos e então ele pousou os olhos em mim. — Verena, venha aqui um momento. Ele disse, virando-se e caminhando rapidamente em direção ao seu escritório. Obrigada. Eu disse e saí da cozinha para seguir o meu pai. Ele estava me esperando com a porta aberta, entrei e fixei os meus olhos nele, parado ao lado da sua mesa com algo na mão. — Não tive tempo de te dizer... de te desejar feliz aniversário, eu tinha uma coisa para você. Ele estendeu uma caixa de veludo preto com um elegante laço dourado. — Feliz aniversário, Verena. Papai finalmente disse, e as minhas lágrimas começaram a rolar novamente. Obrigada. Eu disse, pegando o presente. Quando abri, havia um lindo colar com um diamante azul em forma de borboleta. A minha cor favorita. Olhei para ele por longos segundos. Acariciei-o com os dedos e chorei lembrando da mamãe, tudo me lembrava dela. Papai pegou o colar. Juntei o meu cabelo e ele o colocou em volta do pescoço. — Fica lindo em você, nunca tire, por nada no mundo. Você me promete? Virei-me para olhar para meu pai, os seus olhos fixos nos meus, e então olhei para o colar de borboletas, enquanto a minha mão direita o acariciava. Eu prometo, pai. Ele beijou a minha testa e eu congelei. Foi a primeira vez que o meu pai fez algo assim. Engoli em seco e mordi o meu lábio inferior com muita força. Pai, quero ir ao túmulo da mamãe. Eu disse a ele. Preciso vê-la, preciso me despedir dela. O meu pai suspirou profundamente e depois de me olhar por longos segundos, ele assentiu. — Eu te levo. Foi tudo o que ele disse, e uma dor apertou o meu peito. Magnus Não se passaram nem duas horas e Lucian entrou no meu escritório no banco Italo, voltando com uma pasta preta. Olhei para cima e ele estava me oferecendo a pasta, com uma centelha de satisfação brilhando nos seus olhos. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌— Que eficiente. Eu disse, com um pequeno sorriso aparecendo no meu rosto. — Você sabe com quem está trabalhando. Ele se gabou da sua astúcia, como sempre. — O que você tem? Perguntei. — Veja você mesmo. Peguei a pasta preta nas minhas mãos e a abri, revelando uma série cuidadosamente organizada de documentos, fotografias e anotações. Cada página parecia conter uma pista, um detalhe que poderia ser a chave para o avanço do meu plano. — Aqui estão os seus horários, os lugares que ela frequenta e uma lista dos seus amigos mais próximos. Ela quase sempre estava acompanhada da mãe. Mas, coitada, a mãe dela morreu. Disse ele com falsa indignação e então esboçou um sorriso sinistro. — Ela saiu do hospital ontem. Incluí algumas fotos recentes de antes do acidente dela. Respondeu Lucian, apontando para uma imagem em particular. Era uma foto da filha de Vinicius, sorrindo despreocupadamente num evento social e outra no seu jardim. A minha mente estava trabalhando a todo vapor enquanto eu absorvia a informação. — Além disso, fiz algumas pesquisas sobre o seu relacionamento com seu pai. Continuou Lucian, gesticulando com um ar de confiança. — Aqui estão algumas notas sobre o seu comportamento recente. Ela parecia estar um pouco inquieta. Eu fiz uma careta. — Inquieta? Por quê? — Não sei. Talvez você esteja começando a questionar a vida que está levando. Isso pode jogar a nosso favor. Ele respondeu, mostrando um toque de entusiasmo na voz. Pensei no que ele havia dito. Se ela estivesse em conflito, ela poderia ficar vulnerável. Mas quando comecei a olhar as fotos daquela garotinha, uma por uma, fiquei cativada por tanta graça e beleza: aqueles cachos rebeldes, os seus olhos cinzentos, o seu lindo sorriso. Era uma imagem que irradiava vida, juventude e alegria. Porém, na última foto, os seus olhos não tinham mais o brilho que refletia nas fotos anteriores. Esse contraste me impressionou.
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