Respirei fundo, tentando me acalmar, mas a raiva borbulhava em minhas veias. Como eu pude ser tão cego? O homem subestimou as minhas intenções, como se o perdão pudesse existir entre nós.
Cada passo que ela dava, cada sorriso que aparecia no seu rosto, agora se tornaria o seu pesadelo.
— Não haverá paz para você, Vinicius. Murmurei para mim mesmo. — Preciso de informações sobre a filha do Vinicius. Quero todas as informações sobre essa garota, até mesmo quantas vezes ela vai ao banheiro, fotos, os horários em que ela sai de casa, com quem ela anda. Tudo, Lucian, e preciso disso até hoje. Exigi, sentindo a tensão crescendo no meu peito.
O meu irmão se aproximou.
— Eu te disse para me dar esse trabalho, Magnus, você achou que eu não conseguiria lidar com aquele m*aldito Vinicius e aquela m*aldita garota?
O rosto de Lucian ficou sério.
— Eu jamais duvidaria da sua capacidade, irmão, mas pedi que cuidasse de outra coisa importante. Achei que aqueles inúteis conseguiriam lidar com o trabalho, e eu estava errado. Respondi, sentindo a raiva ferver novamente no meu peito.
— Entendi. O meu irmão assentiu, embora eu tenha visto uma sombra de dúvida cruzar o seu rosto. — E o que você quer que eu faça agora?
— Nada, só quero que você obtenha todas as informações possíveis. As suas rotinas, seus amigos, qualquer detalhe que possa ser útil para mim.
Lucian levantou as duas sobrancelhas. — Algum problema, irmão? Perguntei, sentando-me enquanto o olhava.
— O que você vai fazer com a raposinha?
Eu ainda não sabia, mas a única coisa certa era que eu faria Vinicius sofrer.
— Eu mesmo vou cuidar do problema.
— Deixe-nos cuidar dela e do resto. Protestou Lucian.
— Não, preciso de um pouco de diversão na minha vida. Estou um pouco entediado com tanto trabalho.
— Por que você não extravasa o tédio em algumas das suas casas noturnas com aquelas prost*itutas maravilhosas que estão morrendo de vontade de ficar de joelhos na sua frente?
Ele passou as mãos pelos cabelos. Nós dois éramos muito parecidos, herdando as mesmas características do nosso desprezível pai. Cabelo castanho escuro um pouco longo, pele branca, estatura alta, olhos castanhos, às vezes nos dizem que parecemos lobos porque a cor das nossas íris muda com a mudança de estação. Mas Lucian era meu eu mais jovem, meu sucessor. Mas com um caráter mais fraco, mas ele aprenderá a fortalecer o seu caráter quando tomar o meu lugar e tiver idade suficiente. O caráter é formado com sangue e ferro.
— Você é especialista em complicar a sua vida. Ele disse, sorrindo enquanto se afastava em direção à porta.
— Adoro adrenalina, desafios, coisas difíceis. Se tudo fosse tão fácil, qual seria o sentido? Coisas fáceis são chatas.
— Não diga isso da Verônica. Ele brincou com o queixo. — Que não há nada de difícil nisso.
— A Verônica só me ajuda a estreitar laços. É sempre bom ter o apoio dos outros.
— Se você diz. Ele abriu a porta.
— Lucian, quero isso hoje.
— Claro, chefe. Ele assentiu.
Ele saiu do meu escritório, olhei para o relógio e agora eu tinha que ir ao banco para uma reunião com o senador Martini.
Verena
Três dias depois eu estava perfeitamente bem e recebi alta do médico. Saí do hospital e o sol bateu nos meus olhos. Entrei no carro e enquanto dirigíamos para casa observei o mundo passar pela janela. Os meus pensamentos estavam apenas na minha mãe. Nunca nos separamos em 18 anos e agora, como posso viver sem ela?
Ao entrar em casa, senti um nó doloroso se formando na minha garganta. Parei, permitindo que o cheiro de casa, diferente do hospital, me envolvesse.
Nana foi a primeira a me cumprimentar, com os braços estendidos na minha direção, o que me fez correr até ela sem hesitar. Agarrei-me ao seu abraço, um abraço que continha todo o amor que só ela poderia oferecer. Senti a sua doçura como um consolo para minha dor, enquanto as minhas lágrimas escorriam incessantemente pelo meu rosto.
— Tudo ficará bem, minha menina. Murmurou Nana, acariciando os meus cabelos com ternura. Ela era o meu conforto nesse mar de dor. Aquele conforto que o meu pai não me deu.
— Tudo ficará bem, querida. Ela sussurrou no meu ouvido. E quando me afastei lentamente dela, vi o meu pai passar por nós com o seu andar habitual, direto para o seu escritório, sem parar. Havia um mar de distância entre nós e isso doía muito. O dia em que ele e eu finalmente nos entenderíamos parecia distante, mas a sua mera presença me dava uma estranha espécie de segurança. Pelo menos eu não estava sozinha, ou assim eu pensava.
Caminhei até o meu quarto com passos lentos. Ao entrar, fechei a porta atrás de mim e fiquei ali, sentindo a dor corroer a minha alma. Não sei como vou conseguir continuar sem a minha mãe. Ela era o meu farol, o meu guia, meu tudo. Agora, só restava um imenso vazio, o eco da sua risada ressoando nas paredes da minha memória. Como você vive sem a pessoa que lhe deu a vida? Como você lida quando o seu mundo desmorona?
Eu chorei, chorei tanto que não sabia quando tinha adormecido. No dia seguinte acordei com uma forte dor de cabeça. Nana entrou para abrir as cortinas do meu quarto e isso me causou ainda mais dor ao lembrar que era a minha mãe quem sempre abria as cortinas do meu quarto e me acordava com um beijo na cabeça.
Nana chegou com um pequeno bolinho na mão e uma vela acesa, e eu comecei a chorar novamente.
— Há cinco dias foi o seu aniversário e eu não pude cantar para você e você também não pôde apagar a sua vela. Então minha menina, faça um pedido, ele se realizará.
Fechei os meus olhos enquanto continuava chorando, eu sabia que pedir para minha mãe voltar a vida era impossível, apenas fechei os meus olhos com muita força e pedi do fundo do meu coração, por vingança, que aqueles que mataram a minha mãe, acabassem do mesmo jeito, que morressem da pior maneira. É isso que eu desejo.
Apaguei a vela e abracei a minha babá enquanto o choro destroçava o meu coração.
Pai? Perguntei.
— Ele não está aqui. Respondeu Nana, e eu apenas assenti. — Ele saiu muito cedo e você sabe como ele é, você não sabe se ele volta no dia ou na hora.
Concordei novamente, balançando a cabeça. Eu sabia muito bem, o meu pai era como um fantasma, ninguém, ou pelo menos eu não sabia nada sobre a sua vida.