Capítulo 5
A porta do Quarto Vermelho se fechou atrás de Mel com um clique suave, deixando para trás um rastro de eletricidade estática no ar. O corpo da jovem ainda queimava. A vibração da batida intensa que ecoava no aposento de jogos parecia ter se instalado debaixo de sua pele, fazendo cada terminação nervosa pulsar em uma necessidade angustiante. O ápice lhe fora negado nos últimos segundos, e a frustração tátil daquela negação era uma tortura doce e insuportável.
Apoiando-se na parede do corredor para manter o equilíbrio, Mel caminhou a passos lentos e incertos em direção aos seus aposentos na suíte. O silêncio da suntuosa mansão dos Albuquerque era absoluto, quebrado apenas pela sua própria respiração entrecortada.
No entanto, ao se aproximar da metade do corredor privativo, um som diferente cortou a penumbra.
Um arfar grave. Um sussurro baixo, denso, carregado de uma tensão física visceral.
Mel congelou no meio do caminho. Seus pés pareceram colar ao piso de madeira nobre. A porta da suíte master de Breno estava milimetricamente entreaberta, deixando escapar um feixe de luz amarelada que cortava a escuridão do corredor. Movida por um impulso irresistível que desafiava todo o seu senso de prudência, ela deu dois passos silenciosos para o lado e olhou pela fresta.
O que viu fez o ar faltar sumariamente em seus pulmões.
Breno estava sentado na borda da imensa cama de casal, sem camisa, as calças do terno desabotoadas e caídas na altura dos quadris. A musculatura das suas costas e do abdômen brilhava sob a iluminação suave. Suas mãos fortes e veionadas se moviam em um ritmo firme, ágil e ritmado entre as próprias pernas. Ele estava de olhos fechados, a cabeça jogada levemente para trás, os músculos do pescoço retorcidos em puro esforço de contenção.
— Mel... — o nome dela escapou dos lábios dele em um rosnado grave, pesado, cheio de uma posse crua. — Minha... pequena...
Ver aquele homem — o bilionário inabalável, o dominador frio e cirúrgico que minutos atrás ditava vinte regras com autoridade de ferro — totalmente entregue ao desejo por ela, destruiu qualquer barreira na mente de Mel. O ritmo de Breno acelerou, seus golpes tornando-se mais intensos e profundos, até que seu corpo inteiro estancou em um espasmo poderoso. Um gemido alto, gutural e ridiculamente denso rasgou a garganta dele enquanto ele atingia o ápice total, relaxando os ombros contra os lençóis de seda.
Abaixo da cintura de Mel, um calor líquido e incontrolável transbordou. O impacto visual daquela cena a deixou completamente molhada, a calcinha de renda encharcada em um instante. Assustada com a própria reação e temendo ser pega, ela recuou sem fazer ruído e correu para o seu quarto, trancando a porta atrás de si.
Com o coração parecendo que saltaria pela boca, Mel encostou as costas na madeira fria da porta. A necessidade de alívio era uma urgência física. Ela sabia que não podia quebrar as regras de Breno, mas precisava desesperadamente extravasar. Caminhou até a gaveta do criado-mudo onde havia guardado seus pertences pessoais, pegou o pequeno vibrador de silicone de contorno anatômico, conectou os fones de ouvido no celular e deu play em uma playlist de batidas lentas e envolventes.
Ali, em seu refúgio, ela não estava desobedecendo a nenhuma instrução direta de Breno.
Mel deitou-se de costas na cama, fechando os olhos enquanto a música preenchia seus ouvidos. Deslizou o pequeno aparelho primeiro pelo pescoço, descendo pela curva dos s***s, contornando a barriga arfante, até finalmente alcançar o ponto exato entre suas coxas. O primeiro toque da vibração fez seus quadris se erguerem da cama involuntariamente.
A primeira onda de prazer veio como uma descarga elétrica forte, fazendo-a morder o lábio inferior. Sem a contenção de Breno para pará-la, a segunda onda acumulou-se em questão de segundos, mais forte, mais profunda. Na terceira onda, o alívio que fora reprimido no Quarto Vermelho explodiu em todo o seu corpo; Mel soltou um gemido intenso e descontrolado, a pele arrepiada dos pés à cabeça enquanto se contorcia nos lençóis, atingindo uma liberação esmagadora.
Quando o tremor do corpo finalmente cessou, ela se levantou exausta, seguiu para o banheiro privativo e entrou debaixo de uma ducha morna. Lavou-se com calma, hidratou a pele com um creme suave de baunilha, secou os cabelos e vestiu um baby-doll azul-claro, extremamente fino e delicado. Exausta física e emocionalmente, afundou na cama macia e adormeceu quase instantaneamente.
No meio da escuridão do quarto, o som de passos firmes ressoou contra o piso.
Mel abriu os olhos pesados de sono e viu a figura alta de Breno caminhando em sua direção. Ele não disse uma única palavra. Aproximou-se da cama, pegou da mesa de cabeceira o massageador de c******s que ela usara horas antes e, com um olhar magnético e possessivo, deslizou a mão por baixo do tecido fino do seu baby-doll.
Sem pedir licença, ele começou a introduzir o aparelho e a tocá-la com uma precisão cirúrgica. Mel soltou um arquejo, o corpo respondendo imediatamente ao estímulo familiar e devastador. Ela começou a movimentar o quadril de forma intensa, ritmada, buscando mais daquele contato, gemendo alto enquanto a sensação de prazer voltava a se acumular em seu ventre com uma força avassaladora...
— NÃO!
Mel deu um salto na cama, soltando um grito agudo enquanto abria os olhos em pânico total.
O quarto estava iluminado pela luz da manhã que entrava pelas frestas da cortina. Ela respirava com dificuldade, o peito subindo e descendo freneticamente, as palmas das mãos suadas contra os lençóis. Olhou para baixo e sentiu o colchão e a roupa de cama completamente molhados entre suas pernas.
— Ai, caramba... — sussurrou ela, o rosto queimando em uma onda instantânea de vergonha mortal, cobrindo as bochechas com as mãos. — Eu fiz xixi na cama?! Não acredito... eu estava sonhando com o Sr. Breno!
Antes que ela pudesse levantar para tentar disfarçar o desastre, três batidas secas e ritmadas soaram na porta do quarto.
— Dá... dá um minuto! — gritou Mel, a voz desafinando em desespero enquanto tentava puxar a coberta para cobrir a mancha.
Mas para Breno Albuquerque, a palavra "esperar" não existia em seu vocabulário.
O som do metal da chave reserva girando na fechadura ecoou pelo quarto. A porta se abriu e Breno passou pelo portal, impecável em um terno cinza-chumbo de corte italiano, a gravata perfeitamente ajustada. Ele deu dois passos para dentro e seus olhos cinzentos focaram imediatamente na figura encolhida de Mel e na humidade evidente que marcava o lençol claro no centro da cama.
Um sorriso lento, perverso e carregado de um conhecimento absoluto começou a se desenhar no canto dos lábios dele.
Mel sentiu a alma sair do corpo de tanta vergonha. Morrendo de constrangimento, gaguejou, atropelando as palavras:
— Sr... Sr. Breno! Me desculpa, por favor! Eu... eu acho que fiz xixi na cama, eu tive um pesadelo e...
Breno caminhou até a borda da cama, soltou uma risada baixa, profunda e aveludada que fez os pelos do braço de Mel se arrepiarem, e curvou-se levemente sobre ela.
— Pelo que estou vendo aqui, minha pequena... você não fez xixi algum — disse ele, o tom de voz carregado de uma provocação sensual. — Isso é o resultado de uma ejaculação feminina. Você teve orgasmos múltiplos durante o sono. Ou seja... você é bem mais gulosa e insaciável do que tenta parecer.
O rosto de Mel atingiu um tom de vermelho absoluto. Ela quis se esconder debaixo do travesseiro, mas Breno segurou seu queixo com delicadeza, impedindo que ela desviasse o olhar.
— Não precisa ter vergonha da resposta do seu próprio corpo. Isso só prova o quanto você responde à minha presença, mesmo quando está dormindo — ele deu um beijo suave na ponta do nariz dela. — Agora, levante-se. Vá tomar um bom banho e se arrumar. Vamos tomar café juntos. Não sei se vou conseguir almoçar com você hoje devido às reuniões na empresa.
Antes que ela pudesse se mover, Breno retirou do bolso colete do terno uma pequena caixa de veludo n***o. Ele a abriu, revelando um anel de ouro branco com um diamante lapidado de brilho hipnotizante.
— Este é o seu anel de noivado e de compromisso comigo — declarou ele, pegando a mão esquerda de Mel e deslizando a joia pelo aneloso dela até encaixar perfeitamente. — Perante a sociedade, a minha família e o mundo, você é minha noiva.
Mel olhou para o anel reluzente em seu dedo e depois para os olhos cinzentos de Breno. Uma mistura de fascínio e proteção envolveu seu peito, e ela não conseguiu conter um sorriso tímido e sincero.
— Ele é lindo... obrigada, Breno.
— Excelente — Breno acariciou as bochechas dela com o polegar. — Agora, banho. Te espero na mesa em quinze minutos.
O café da manhã no grande salão foi calmo, repleto de trocas de olhares intensos e conversas breves sobre a rotina que se iniciava. Ao final da refeição, Breno se levantou, vestiu o paletó e aproximou-se de Mel, entregando-lhe uma caixa minimalista contendo um smartphone de última geração.
— Este é o seu novo telefone — explicou ele. — O meu número já está gravado como o primeiro contato na discagem rápida. Se precisar de absolutamente qualquer coisa, você me liga. O meu motorista particular já está aguardando na garagem para levá-la até o campus de Medicina. Assim que eu terminar as reuniões na diretoria da empresa, passo lá para buscar você.
Breno curvou-se, selando a testa de Mel com um beijo demorado e carinhoso. Ao se afastar, piscou o olho para ela com uma cumplicidade implícita que fez o coração da jovem disparar.
— Boa aula, minha pequena.
O prédio da faculdade de Medicina da Universidade Central era imponente. Para Mel, caminhar por aqueles corredores trazendo nos braços os cadernos e vestindo roupas elegantes compradas por Breno era a realização de um sonho que parecia perdido para sempre. No entanto, a aura de inocência de Mel e o anel reluzente em seu dedo logo chamaram a atenção indesejada.
Na primeira aula de Anatomia Humana, o professor dividiu a turma em duplas de bancada. Mel foi alocada ao lado de Gustavo, um veterano conhecido pelo comportamento arrogante e por ser filho de um dos maiores doadores da universidade. Gustavo imediatamente começou a dar em cima de Mel, ignorando o desinteresse claro da garota.
— Noiva? Tão nova assim? — debochou Gustavo no meio do laboratório, aproximando-se demais do espaço pessoal de Mel e segurando a mão dela à força para examinar o anel. — Um velhote rico deve ter comprado você, gatinha. Mas aqui na faculdade quem manda somos nós. Que tal a gente pular a aula e comemorar sua entrada no curso no meu apartamento?
— Me solta, Gustavo! — pediu Mel, tentando puxar a mão, constrangida com a atenção dos outros alunos que começavam a se aproximar. — Eu já pedi para você respeitar meu espaço!
— Ah, para de fazer charme... — Gustavo a puxou pelo pulso com mais força, encurralando-a contra a bancada de inox do laboratório.
Antes que Mel pudesse gritar ou tentar se soltar, a porta de vidro do laboratório de anatomia foi aberta de golpe com uma força que fez os caixilhos tremerem.
A atmosfera do recinto mudou instantaneamente. O ar pareceu ficar mais gelado.
Breno passou pela porta, flanqueado por dois de seus seguranças particulares de terno escuro. A presença do bilionário dominou todo o recinto, calando o murmúrio dos estudantes em um milissegundo. Ele caminhou a passos firmes, o olhar focado diretamente na mão de Gustavo que segurava o pulso de Mel.
Reação de Mel:
O peito de Mel deu uma reviravolta violenta. Um alívio avassalador a percorreu ao ver Breno ali, mas, ao mesmo tempo, um terror paralisante a dominou ao reconhecer o brilho perigoso e mortal nos olhos cinzentos do seu noivo. Ela sabia do que Breno era capaz quando alguém desafiava seu domínio ou tentava tocar no que lhe pertencia.
— Breno... — murmurou Mel, a voz sumindo na garganta, os olhos arregalados divididos entre o medo da confusão e a sensação avassaladora de estar sendo protegida.
Reação de Breno:
Breno não disse uma única palavra de início. A fúria dentro dele era uma chama fria e calculada. Ele cobriu a distância até a bancada em três passos rápidos. Sem hesitar, segurou o pulso de Gustavo com uma aderência de ferro, torcendo o braço do rapaz para trás em um movimento rápido e técnico, fazendo Gustavo soltar Mel imediatamente e dar um grito estridente de dor, caindo de joelhos no chão de cerâmica.
Breno colocou-se exatamente entre Mel e o rapaz caído, ajustando as abotoaduras do seu terno com uma calma aterradora, encarando o estudante de cima para baixo como se ele fosse um inseto.
— Se você voltar a colocar um único dedo na minha esposa... — a voz de Breno ressoou pelo laboratório de forma cortante, cirúrgica e ameaçadora, fazendo até o professor dar um passo para trás. — Eu garanto que você não apenas será expulso desta universidade antes do pôr do sol, como também farei questão de destruir a carreira do seu pai e falir a sua família inteira até o final do dia. Ficou claro?
Gustavo, pálido e gaguejando de dor e pânico, assentiu desesperadamente com a cabeça:
— S-sim! Me desculpa! Eu não sabia!
Breno nem se deu ao trabalho de olhar para o rapaz novamente. Ele se virou para Mel, a expressão de pedra suavizando-se instantaneamente ao focar no rosto assustado da jovem. Ele estendeu a mão para ela.
— Venha, pequena. A sua aula por hoje acabou.
Mel olhou para a mão estendida de Breno, sentindo o pulso acelerar. Diante de toda a sala em choque, ela colocou sua mão pequena sobre a dele, permitindo ser puxada para o peito firme do seu dominador e protetor.