Capítulo 5

2376 Words
Capítulo 5 ​A porta do Quarto Vermelho se fechou atrás de Mel com um clique suave, deixando para trás um rastro de eletricidade estática no ar. O corpo da jovem ainda queimava. A vibração da batida intensa que ecoava no aposento de jogos parecia ter se instalado debaixo de sua pele, fazendo cada terminação nervosa pulsar em uma necessidade angustiante. O ápice lhe fora negado nos últimos segundos, e a frustração tátil daquela negação era uma tortura doce e insuportável. ​Apoiando-se na parede do corredor para manter o equilíbrio, Mel caminhou a passos lentos e incertos em direção aos seus aposentos na suíte. O silêncio da suntuosa mansão dos Albuquerque era absoluto, quebrado apenas pela sua própria respiração entrecortada. ​No entanto, ao se aproximar da metade do corredor privativo, um som diferente cortou a penumbra. ​Um arfar grave. Um sussurro baixo, denso, carregado de uma tensão física visceral. ​Mel congelou no meio do caminho. Seus pés pareceram colar ao piso de madeira nobre. A porta da suíte master de Breno estava milimetricamente entreaberta, deixando escapar um feixe de luz amarelada que cortava a escuridão do corredor. Movida por um impulso irresistível que desafiava todo o seu senso de prudência, ela deu dois passos silenciosos para o lado e olhou pela fresta. ​O que viu fez o ar faltar sumariamente em seus pulmões. ​Breno estava sentado na borda da imensa cama de casal, sem camisa, as calças do terno desabotoadas e caídas na altura dos quadris. A musculatura das suas costas e do abdômen brilhava sob a iluminação suave. Suas mãos fortes e veionadas se moviam em um ritmo firme, ágil e ritmado entre as próprias pernas. Ele estava de olhos fechados, a cabeça jogada levemente para trás, os músculos do pescoço retorcidos em puro esforço de contenção. ​— Mel... — o nome dela escapou dos lábios dele em um rosnado grave, pesado, cheio de uma posse crua. — Minha... pequena... ​Ver aquele homem — o bilionário inabalável, o dominador frio e cirúrgico que minutos atrás ditava vinte regras com autoridade de ferro — totalmente entregue ao desejo por ela, destruiu qualquer barreira na mente de Mel. O ritmo de Breno acelerou, seus golpes tornando-se mais intensos e profundos, até que seu corpo inteiro estancou em um espasmo poderoso. Um gemido alto, gutural e ridiculamente denso rasgou a garganta dele enquanto ele atingia o ápice total, relaxando os ombros contra os lençóis de seda. ​Abaixo da cintura de Mel, um calor líquido e incontrolável transbordou. O impacto visual daquela cena a deixou completamente molhada, a calcinha de renda encharcada em um instante. Assustada com a própria reação e temendo ser pega, ela recuou sem fazer ruído e correu para o seu quarto, trancando a porta atrás de si. ​Com o coração parecendo que saltaria pela boca, Mel encostou as costas na madeira fria da porta. A necessidade de alívio era uma urgência física. Ela sabia que não podia quebrar as regras de Breno, mas precisava desesperadamente extravasar. Caminhou até a gaveta do criado-mudo onde havia guardado seus pertences pessoais, pegou o pequeno vibrador de silicone de contorno anatômico, conectou os fones de ouvido no celular e deu play em uma playlist de batidas lentas e envolventes. ​Ali, em seu refúgio, ela não estava desobedecendo a nenhuma instrução direta de Breno. ​Mel deitou-se de costas na cama, fechando os olhos enquanto a música preenchia seus ouvidos. Deslizou o pequeno aparelho primeiro pelo pescoço, descendo pela curva dos s***s, contornando a barriga arfante, até finalmente alcançar o ponto exato entre suas coxas. O primeiro toque da vibração fez seus quadris se erguerem da cama involuntariamente. ​A primeira onda de prazer veio como uma descarga elétrica forte, fazendo-a morder o lábio inferior. Sem a contenção de Breno para pará-la, a segunda onda acumulou-se em questão de segundos, mais forte, mais profunda. Na terceira onda, o alívio que fora reprimido no Quarto Vermelho explodiu em todo o seu corpo; Mel soltou um gemido intenso e descontrolado, a pele arrepiada dos pés à cabeça enquanto se contorcia nos lençóis, atingindo uma liberação esmagadora. ​Quando o tremor do corpo finalmente cessou, ela se levantou exausta, seguiu para o banheiro privativo e entrou debaixo de uma ducha morna. Lavou-se com calma, hidratou a pele com um creme suave de baunilha, secou os cabelos e vestiu um baby-doll azul-claro, extremamente fino e delicado. Exausta física e emocionalmente, afundou na cama macia e adormeceu quase instantaneamente. ​No meio da escuridão do quarto, o som de passos firmes ressoou contra o piso. ​Mel abriu os olhos pesados de sono e viu a figura alta de Breno caminhando em sua direção. Ele não disse uma única palavra. Aproximou-se da cama, pegou da mesa de cabeceira o massageador de c******s que ela usara horas antes e, com um olhar magnético e possessivo, deslizou a mão por baixo do tecido fino do seu baby-doll. ​Sem pedir licença, ele começou a introduzir o aparelho e a tocá-la com uma precisão cirúrgica. Mel soltou um arquejo, o corpo respondendo imediatamente ao estímulo familiar e devastador. Ela começou a movimentar o quadril de forma intensa, ritmada, buscando mais daquele contato, gemendo alto enquanto a sensação de prazer voltava a se acumular em seu ventre com uma força avassaladora... ​— NÃO! ​Mel deu um salto na cama, soltando um grito agudo enquanto abria os olhos em pânico total. ​O quarto estava iluminado pela luz da manhã que entrava pelas frestas da cortina. Ela respirava com dificuldade, o peito subindo e descendo freneticamente, as palmas das mãos suadas contra os lençóis. Olhou para baixo e sentiu o colchão e a roupa de cama completamente molhados entre suas pernas. ​— Ai, caramba... — sussurrou ela, o rosto queimando em uma onda instantânea de vergonha mortal, cobrindo as bochechas com as mãos. — Eu fiz xixi na cama?! Não acredito... eu estava sonhando com o Sr. Breno! ​Antes que ela pudesse levantar para tentar disfarçar o desastre, três batidas secas e ritmadas soaram na porta do quarto. ​— Dá... dá um minuto! — gritou Mel, a voz desafinando em desespero enquanto tentava puxar a coberta para cobrir a mancha. ​Mas para Breno Albuquerque, a palavra "esperar" não existia em seu vocabulário. ​O som do metal da chave reserva girando na fechadura ecoou pelo quarto. A porta se abriu e Breno passou pelo portal, impecável em um terno cinza-chumbo de corte italiano, a gravata perfeitamente ajustada. Ele deu dois passos para dentro e seus olhos cinzentos focaram imediatamente na figura encolhida de Mel e na humidade evidente que marcava o lençol claro no centro da cama. ​Um sorriso lento, perverso e carregado de um conhecimento absoluto começou a se desenhar no canto dos lábios dele. ​Mel sentiu a alma sair do corpo de tanta vergonha. Morrendo de constrangimento, gaguejou, atropelando as palavras: — Sr... Sr. Breno! Me desculpa, por favor! Eu... eu acho que fiz xixi na cama, eu tive um pesadelo e... ​Breno caminhou até a borda da cama, soltou uma risada baixa, profunda e aveludada que fez os pelos do braço de Mel se arrepiarem, e curvou-se levemente sobre ela. ​— Pelo que estou vendo aqui, minha pequena... você não fez xixi algum — disse ele, o tom de voz carregado de uma provocação sensual. — Isso é o resultado de uma ejaculação feminina. Você teve orgasmos múltiplos durante o sono. Ou seja... você é bem mais gulosa e insaciável do que tenta parecer. ​O rosto de Mel atingiu um tom de vermelho absoluto. Ela quis se esconder debaixo do travesseiro, mas Breno segurou seu queixo com delicadeza, impedindo que ela desviasse o olhar. ​— Não precisa ter vergonha da resposta do seu próprio corpo. Isso só prova o quanto você responde à minha presença, mesmo quando está dormindo — ele deu um beijo suave na ponta do nariz dela. — Agora, levante-se. Vá tomar um bom banho e se arrumar. Vamos tomar café juntos. Não sei se vou conseguir almoçar com você hoje devido às reuniões na empresa. ​Antes que ela pudesse se mover, Breno retirou do bolso colete do terno uma pequena caixa de veludo n***o. Ele a abriu, revelando um anel de ouro branco com um diamante lapidado de brilho hipnotizante. ​— Este é o seu anel de noivado e de compromisso comigo — declarou ele, pegando a mão esquerda de Mel e deslizando a joia pelo aneloso dela até encaixar perfeitamente. — Perante a sociedade, a minha família e o mundo, você é minha noiva. ​Mel olhou para o anel reluzente em seu dedo e depois para os olhos cinzentos de Breno. Uma mistura de fascínio e proteção envolveu seu peito, e ela não conseguiu conter um sorriso tímido e sincero. ​— Ele é lindo... obrigada, Breno. ​— Excelente — Breno acariciou as bochechas dela com o polegar. — Agora, banho. Te espero na mesa em quinze minutos. ​O café da manhã no grande salão foi calmo, repleto de trocas de olhares intensos e conversas breves sobre a rotina que se iniciava. Ao final da refeição, Breno se levantou, vestiu o paletó e aproximou-se de Mel, entregando-lhe uma caixa minimalista contendo um smartphone de última geração. ​— Este é o seu novo telefone — explicou ele. — O meu número já está gravado como o primeiro contato na discagem rápida. Se precisar de absolutamente qualquer coisa, você me liga. O meu motorista particular já está aguardando na garagem para levá-la até o campus de Medicina. Assim que eu terminar as reuniões na diretoria da empresa, passo lá para buscar você. ​Breno curvou-se, selando a testa de Mel com um beijo demorado e carinhoso. Ao se afastar, piscou o olho para ela com uma cumplicidade implícita que fez o coração da jovem disparar. ​— Boa aula, minha pequena. ​O prédio da faculdade de Medicina da Universidade Central era imponente. Para Mel, caminhar por aqueles corredores trazendo nos braços os cadernos e vestindo roupas elegantes compradas por Breno era a realização de um sonho que parecia perdido para sempre. No entanto, a aura de inocência de Mel e o anel reluzente em seu dedo logo chamaram a atenção indesejada. ​Na primeira aula de Anatomia Humana, o professor dividiu a turma em duplas de bancada. Mel foi alocada ao lado de Gustavo, um veterano conhecido pelo comportamento arrogante e por ser filho de um dos maiores doadores da universidade. Gustavo imediatamente começou a dar em cima de Mel, ignorando o desinteresse claro da garota. ​— Noiva? Tão nova assim? — debochou Gustavo no meio do laboratório, aproximando-se demais do espaço pessoal de Mel e segurando a mão dela à força para examinar o anel. — Um velhote rico deve ter comprado você, gatinha. Mas aqui na faculdade quem manda somos nós. Que tal a gente pular a aula e comemorar sua entrada no curso no meu apartamento? ​— Me solta, Gustavo! — pediu Mel, tentando puxar a mão, constrangida com a atenção dos outros alunos que começavam a se aproximar. — Eu já pedi para você respeitar meu espaço! ​— Ah, para de fazer charme... — Gustavo a puxou pelo pulso com mais força, encurralando-a contra a bancada de inox do laboratório. ​Antes que Mel pudesse gritar ou tentar se soltar, a porta de vidro do laboratório de anatomia foi aberta de golpe com uma força que fez os caixilhos tremerem. ​A atmosfera do recinto mudou instantaneamente. O ar pareceu ficar mais gelado. ​Breno passou pela porta, flanqueado por dois de seus seguranças particulares de terno escuro. A presença do bilionário dominou todo o recinto, calando o murmúrio dos estudantes em um milissegundo. Ele caminhou a passos firmes, o olhar focado diretamente na mão de Gustavo que segurava o pulso de Mel. ​Reação de Mel: O peito de Mel deu uma reviravolta violenta. Um alívio avassalador a percorreu ao ver Breno ali, mas, ao mesmo tempo, um terror paralisante a dominou ao reconhecer o brilho perigoso e mortal nos olhos cinzentos do seu noivo. Ela sabia do que Breno era capaz quando alguém desafiava seu domínio ou tentava tocar no que lhe pertencia. ​— Breno... — murmurou Mel, a voz sumindo na garganta, os olhos arregalados divididos entre o medo da confusão e a sensação avassaladora de estar sendo protegida. ​Reação de Breno: Breno não disse uma única palavra de início. A fúria dentro dele era uma chama fria e calculada. Ele cobriu a distância até a bancada em três passos rápidos. Sem hesitar, segurou o pulso de Gustavo com uma aderência de ferro, torcendo o braço do rapaz para trás em um movimento rápido e técnico, fazendo Gustavo soltar Mel imediatamente e dar um grito estridente de dor, caindo de joelhos no chão de cerâmica. ​Breno colocou-se exatamente entre Mel e o rapaz caído, ajustando as abotoaduras do seu terno com uma calma aterradora, encarando o estudante de cima para baixo como se ele fosse um inseto. ​— Se você voltar a colocar um único dedo na minha esposa... — a voz de Breno ressoou pelo laboratório de forma cortante, cirúrgica e ameaçadora, fazendo até o professor dar um passo para trás. — Eu garanto que você não apenas será expulso desta universidade antes do pôr do sol, como também farei questão de destruir a carreira do seu pai e falir a sua família inteira até o final do dia. Ficou claro? ​Gustavo, pálido e gaguejando de dor e pânico, assentiu desesperadamente com a cabeça: — S-sim! Me desculpa! Eu não sabia! ​Breno nem se deu ao trabalho de olhar para o rapaz novamente. Ele se virou para Mel, a expressão de pedra suavizando-se instantaneamente ao focar no rosto assustado da jovem. Ele estendeu a mão para ela. ​— Venha, pequena. A sua aula por hoje acabou. ​Mel olhou para a mão estendida de Breno, sentindo o pulso acelerar. Diante de toda a sala em choque, ela colocou sua mão pequena sobre a dele, permitindo ser puxada para o peito firme do seu dominador e protetor.
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