Capítulo 6

1856 Words
Capítulo 6 O silêncio no interior do SUV blindado de Breno não era um silêncio comum; era uma tempestade contida, densa e sufocante. O ar-condicionado soprava uma brisa gélida, mas a temperatura dentro do veículo parecia subir a cada quilômetro percorrido. Breno mantinha as duas mãos cravadas no volante de couro com tanta força que os nós de seus dedos estavam completamente brancos. A sua mandíbula, travada, denotava uma fúria cega e possessiva que ultrapassava qualquer limite do razoável. Ver outro homem — um garoto mimado de faculdade — segurando o pulso de Mel, tocando a pele que ele havia reivindicado sob contrato e sob os seus próprios sentimentos, despertara em Breno uma fera primitiva. Para um homem acostumado a ter o controle absoluto sobre impérios financeiros e sobre cada detalhe de sua vida privada, a simples visão daquele toque indesejado era um insulto imperdoável. Ao seu lado, Mel mantinha os braços cruzados sobre o peito, a respiração entrecortada e o rosto corado de uma mistura violenta de humilhação, medo e, acima de tudo, uma revolta crescente. Ela não era um objeto. Não era uma propriedade imóvel para ser arrastada de um lado para o outro como um troféu de disputa entre homens arrogantes. — Você não tinha o direito de fazer aquilo! — a voz de Mel finalmente quebrou o silêncio, rasgando a tensão do carro como uma lâmina. Ela se virou para ele, os olhos castanhos queimando de indignação. — Aquele era o meu primeiro dia! A minha oportunidade de tentar ter uma vida normal, de ser uma estudante de Medicina como qualquer outra! Você fez um espetáculo, Breno! Humilhou o rapaz, ameaçou a família dele e me tratou como se eu fosse um pedaço de carne impotente que não sabe se defender! Breno nem sequer piscou, sem desviar os olhos afiados da rodovia. A sua voz saiu baixa, perigosa, num tom tão gélido que fez a espinha de Mel tremer, apesar da sua raiva. — Você é minha, Mel. E ninguém — absolutamente ninguém — coloca as mãos no que me pertence e sai impune. Eu vi como ele a encurralou contra aquela bancada. Você estava desconfortável, acuada. Se eu não estivesse lá, até onde aquele sujeito teria ido? — Eu estava resolvendo a situação do meu jeito! — rebateu ela, aumentando o tom de voz, esquecendo por um momento o contrato, a hierarquia e o papel de submissa. — Eu ia me impor! Mas você entrou feito um furacão, agiu como um bárbaro e destruiu qualquer chance de eu ser respeitada por mim mesma naquele lugar! Agora todo mundo naquela faculdade vai me olhar como a garotinha do bilionário, uma coitada que precisa de um cão de guarda! Eu não sou sua propriedade, Breno! Um estalo ecoou no carro quando Breno pisou no freio com uma força calculada, encostando o veículo no acostamento privativo que levava aos portões da mansão dos Albuquerque. Ele desligou o motor. O silêncio voltou a reinar por um segundo interminável antes que ele se virasse lentamente para ela. Os olhos cinzentos dele estavam sombrios, desprovidos de qualquer calor. — Não repita isso — disse Breno, a voz saindo como um rosnado grave que vibrou no peito de Mel. — Você assinou um contrato. Você aceitou o meu anel. Você carrega a minha marca e a minha proteção. No momento em que você aceitou que eu quitasse suas dívidas e financiasse o seu futuro, você me deu o direito e a obrigação de proteger você de tudo e de todos. E isso inclui proteger você de sua própria ingenuidade. — Proteção não é posse cega! — gritou Mel, as lágrimas de frustração finalmente transbordando e escorrendo pelas bochechas. — Você está confuso! Não sabe a diferença entre me cuidar e me sufocar! Breno não respondeu com palavras. Ele apenas voltou a ligar o carro e acelerou em direção à mansão. Assim que o veículo parou na garagem subterrânea, Breno saiu, deu a volta com passos largos e abriu a porta do passageiro. Sem dar espaço para argumentos, segurou Mel pelo pulso — com firmeza, mas sem machucar — e a puxou para fora do carro. — Me solta, Breno! Eu quero ir para o meu quarto! — protestou ela, tentando se desvencilhar, a postura rebelde inflamada pela sensação de injustiça. — O seu quarto hoje é o Quarto Vermelho — declarou ele, a voz firme e inabalável enquanto a guiava pelos corredores internos da mansão, ignorando os olhares baixos dos funcionários que passavam. — Você alterou o tom de voz comigo, questionou a minha autoridade e quebrou a regra fundamental de respeito e obediência. A sua revolta termina agora. Ele abriu a imponente porta de madeira escura e a conduziu para o ambiente avermelhado. O aroma de couro, fumo e baunilha inundou o ar. Breno trancou a porta atrás de si com o dispositivo biométrico. O som do trava-línguas metálico ecoou como uma sentença final. Mel deu dois passos para trás, encarando-o no centro do quarto. A luz indireta carmesim destacava a postura ereta e implacável de Breno. Ele retirou o paletó, jogou-o sobre uma poltrona de couro e começou a desabotoar as abotoaduras das mangas da camisa, dobrando o tecido devagar até os cotovelos. Cada movimento dele era frio, metódico e aterrorizante. — Você está cega pela sua raiva, Mel, e isso fez você esquecer onde está e a quem deve obediência — disse ele, caminhando até o painel onde os instrumentos de disciplina estavam organizados. — Eu fiz o que qualquer homem de verdade faria pela mulher que escolheu: tirei um agressor do seu caminho. E você me respondeu com insolência. — Eu não pedi para você agir daquele jeito! — gritou ela novamente, batendo o pé no chão. Breno virou-se brincando com uma palmatória de couro pesado entre as mãos. A sua expressão era de pura dominação. — Primeira infração da tarde: elevar a voz para o seu Dominador. Segunda infração: insubordinação direta. Terceira infração: colocar em risco a sua própria segurança ao tentar negociar com um estranho em público. Ele deu dois passos na direção dela, impondo sua estatura física até que Mel fosse forçada a recuar até sentir a madeira dura da mesa de exibições contra suas costas. — Ajoelhe-se — ordenou Breno. A voz não era um pedido; era um comando de ferro. Mel travou. O orgulho e a revolta gritavam dentro do seu peito para dizer "não", para gritar a palavra de segurança e colocar um fim naquilo. Mas quando olhou nos olhos de Breno, viu algo além da fúria: viu o medo visceral que ele sentira ao pensar que ela poderia ter sido ferida por aquele garoto na faculdade. A posse de Breno era doentia e intensa, mas vinha de um lugar de proteção profunda e obsessiva. E, pior de tudo, no fundo da sua pele, o toque da autoridade dele ainda fazia o seu ventre pulsar em uma contradição perturbadora de medo e desejo. Com os lábios trêmulos e os olhos marejados, Mel cedeu. Ela dobrou os joelhos lentamente, pousando as pernas sobre o tapete macio de veludo vermelho aos pés dele, mantendo as mãos sobre as coxas e o queixo erguido em um último ato de desafio silencioso. — Mãos para trás. Agora — mandou Breno, aproximando-se. Ela obedeceu, cruzando os pulsos atrás das costas. Breno pegou uma corda de seda n***a e, com nós habilidosos de Shibari, prendeu os braços dela com firmeza, garantindo que ela ficasse completamente vulnerável diante dele. Em seguida, pegou a coleira de couro com o pequeno anel de aço e a ajustou no pescoço dela, ouvindo o clique da fivela se fechar. — Você acha que eu a humilhei hoje, pequena? — Breno ajoelhou-se à frente dela, segurando a coleira e puxando-a suavemente até que seus rostos ficassem a centímetros de distância. Ele podia sentir a respiração descompassada dela e o cheiro do perfume de baunilha misturado ao suor frio de ansiedade. — Eu mostrei àquele mundo que você é intocável. Eu protejo o que é meu com garras e dentes. Se você quer ser médica, você será. Mas se algum homem voltar a colocar a mão na sua pele sem a minha autoridade, o que eu fiz hoje no laboratório parecerá uma carícia comparado ao que farei com ele. — Você... você me assusta quando fica assim — sussurrou Mel, a revolta dando lugar a um desabafo trêmulo. — Eu sinto que não tenho voz... Breno suavizou a pressão na coleira. Sua outra mão subiu, acariciando a bochecha corada de Mel com uma ternura desconcertante que fez o peito dela arfar. — Você tem voz, Mel. A sua voz é ouvida em cada segundo que estamos juntos. Mas quando se trata da sua segurança e do meu lugar na sua vida, não há debate. Você é minha noiva. É minha submissa. E enquanto estiver sob o meu teto e carregando o meu nome, o mundo terá que aprender a respeitar os meus limites em relação a você. Ele se levantou, caminhou até a mesa e pegou um vibrador de silicone anatômico de alta potência, juntamente com o controle remoto. Ele voltou até ela, desceu as mãos pela cintura de Mel e afastou o tecido da saia que ela vestia, revelando a calcinha de renda já levemente umedecida pela tensão e pela excitação involuntária que o ambiente provocava. Sem pedir licença, Breno posicionou o pequeno aparelho diretamente sobre o c******s dela por baixo do tecido, fixando-o no lugar. — Hoje a sua punição não será com dor física severa, Mel. Será com o controle absoluto sobre o seu corpo — disse ele, ligando o dispositivo na intensidade mínima através do controle remoto. Mel soltou um arquejo contido quando a vibração suave começou a massagear seu ponto mais sensível. A sensação enviou um choque direto para sua espinha. — Você vai ficar ajoelhada aqui, presa e estimulada, até compreender que a minha fúria hoje não foi contra você, mas por você — declarou Breno, aumentando um nível na intensidade da vibração. Mel fechou os olhos, jogando a cabeça para trás. Um gemido entrecortado escapou de seus lábios. O quadril dela tentou instintivamente se mover para buscar mais pressão contra o aparelho, mas a posição das cordas e o domínio de Breno mantinham-na travada no lugar. — Breno... por favor... — suplicou ela, a revolta de minutos atrás derretendo-se em uma necessidade física avassaladora. — Por favor o quê, minha pequena? — Breno curvou-se, selando os lábios no pescoço dela, mordiscando a pele delicada logo acima da coleira de couro. — Quer que eu desligue? Ou quer que eu assuma o controle total do seu prazer novamente? Mel engoliu em seco, sentindo a segunda onda de calor se acumular no fundo do seu ventre. A luta entre a sua mente rebelde e o seu corpo entregue chegava ao limite. — Não desliga... — sussurrou ela, derrotada e completamente dominada pela presença dele. — Assume o controle... Breno deu um sorriso sombrio e satisfeito, ajustando a frequência do controle remoto para o nível máximo, pronto para ensinar a Mel o verdadeiro significado da palavra entrega.
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