Meu Querido Professor
Capítulo 1 — Antes dele
A segunda-feira começou como quase todas as outras: barulho nos corredores, gente reclamando do horário, professores tentando atravessar a multidão sem serem atropelados e alunos procurando desesperadamente alguma coisa para fazer antes da primeira aula.
Lara estava encostada em um dos armários, mexendo no celular enquanto Helena terminava de guardar alguns livros na mochila.
— Você trouxe o trabalho? — Helena perguntou.
Lara levantou os olhos.
— Que trabalho?
Helena parou.
Olhou para ela.
Depois olhou para João.
Depois para Pedro.
— Eu vou fingir que não ouvi isso.
João apareceu atrás das duas.
— Qual trabalho?
Helena fechou os olhos por alguns segundos.
— O de história.
— Ah!!
— Você fez?
— Não.
— João...
— Eu ia fazer.
— Quando?
— Ontem.
— E por que não fez?
João deu de ombros.
— Porque ontem foi domingo.
Lara soltou uma risada.
— Argumento impecável.
— Obrigado.
— Não foi elogio.
— Eu aceitei como se fosse.
Pedro, que até então estava encostado na parede mexendo no celular, finalmente entrou na conversa.
— Eu fiz.
João virou imediatamente para ele.
— Você é meu herói.
— Nem começa.
— Pedro, pelo amor de Deus...
— Não.
— Você nem sabe o que eu ia pedir.
— Sei sim.
— Então você já sabe que é importante.
Pedro guardou o celular no bolso.
— Você quer copiar.
— Eu prefiro dizer que quero consultar uma fonte confiável.
Lara começou a rir.
— João, você não tem vergonha nenhuma.
— Vergonha não aumenta minha nota.
Helena balançou a cabeça, mas estava sorrindo.
Era sempre assim.
Os quatro juntos dificilmente conseguiam passar cinco minutos em silêncio.
Lara era, de longe, a mais intensa dos quatro. Tinha um jeito muito próprio de falar, uma expressão que podia mudar completamente dependendo de quem estivesse na frente dela e uma facilidade impressionante para responder quando alguém a provocava.
Helena era o contraponto.
Mais organizada, estudiosa e atenta aos detalhes, normalmente era a primeira a perceber quando alguma coisa estava acontecendo.
Ou quase sempre.
João era o caos.
E Pedro...
Bom, Pedro sabia que era bonito.
E fazia questão de usar isso a seu favor.
Ele ajeitou distraidamente o cabelo com luzes loiras e perguntou:
— Lara, você acha que meu cabelo ficou bom?
Ela olhou para ele.
— Ficou.
Pedro sorriu.
— Eu sabia.
— Você perguntou só para ouvir alguém confirmar o que você já pensa.
— Exatamente.
— Convencido.
— Realista.
João apontou para ele.
— Isso é o que eu estou falando. O homem não tem humildade.
— E você teria se fosse bonito assim?
João pensou.
— Não.
Os quatro riram.
— Pelo menos é sincero — Helena comentou.
Lara guardou o celular no bolso.
— Vamos entrar? Daqui a pouco começa a aula.
João arregalou os olhos.
— Já?
— João, estamos aqui há quase quinze minutos.
— Eu estava vivendo.
— Você estava pedindo para copiar o trabalho.
— Cada um vive como pode.
A primeira aula passou relativamente rápido.
A segunda também.
Na terceira, João já estava praticamente negociando com Helena para conseguir ajuda em uma atividade que ele deveria ter feito sozinho.
Lara estava sentada ao lado de Helena, tentando resolver as questões enquanto Pedro, na carteira atrás, fazia comentários sobre as respostas.
— A número quatro é letra C — ele disse.
Helena nem olhou para trás.
— Você nem começou.
— Mas eu tenho intuição.
— Você tem chute.
— Também.
Lara riu baixinho.
A rotina seguia normal.
Era exatamente o tipo de manhã que nenhum deles imaginaria que, em pouco tempo, seria lembrada por todos por um motivo completamente diferente.
Quando o sinal do intervalo tocou, os quatro saíram juntos.
No corredor, encontraram alguns colegas conversando sobre uma novidade.
— Vocês ficaram sabendo? — uma garota perguntou.
João imediatamente se aproximou.
— Fiquei sabendo do quê?
— Vai mudar o professor de matemática.
Lara arqueou uma sobrancelha.
— De novo?
— Parece que sim.
Pedro cruzou os braços.
— Quem vai assumir?
— Não sei.
João fez uma expressão preocupada.
— Tomara que seja tranquilo.
Helena riu.
— Você só está preocupado porque não entende matemática.
— Justamente por isso.
Lara encostou no armário.
— E quem vocês acham que vai ser?
A conversa ganhou força quase imediatamente.
Um dos garotos respondeu:
— Aposto que vai ser aquele professor mais velho que dá aula para o terceiro ano C.
— Eu também — outra pessoa falou. — Dizem que ele é bem exigente.
João fez uma careta.
— Aí acabou para mim.
Pedro riu.
— Você já estava acabado antes.
— Cala a boca.
Uma garota entrou na conversa:
— Eu ouvi dizer que é um professor novo.
— Novo na escola? — Helena perguntou.
— Acho que sim.
João abriu um sorriso.
— Se for jovem, já melhora.
Helena olhou para ele.
— Você vai aprender matemática pela idade do professor agora?
— Não. Mas ajuda.
Lara riu.
— Você é impossível.
Pedro levantou a mão.
— Eu tenho uma teoria.
Todos olharam para ele.
— Lá vem...
— Vai ser aquele professor bonitão.
João apontou para ele.
— Essa é a melhor teoria até agora.
Helena revirou os olhos.
— Vocês dois são ridículos.
— Você está dizendo isso porque nunca viu o professor — João respondeu.
— E se for uma senhora de sessenta anos?
Pedro deu de ombros.
— Continuará sendo nossa professora de matemática.
— Exatamente.
Lara estava rindo da discussão quando o sinal tocou novamente.
— Vamos.
Os quatro voltaram para a sala.
Naquele dia, a aula de matemática ainda não começou.
O professor responsável pela turma apareceu apenas para avisar que haveria uma mudança a partir da próxima aula.
— Pessoal, atenção um minuto.
As conversas diminuíram.
Lara estava sentada com Helena. João e Pedro estavam mais atrás.
— A partir de amanhã, vocês terão um novo professor de matemática.
Um murmúrio atravessou a sala.
João levantou a mão.
— Já podemos saber quem é?
Alguns alunos riram.
O professor sorriu.
— Amanhã vocês vão descobrir.
— Isso é crueldade — João reclamou.
— É matemática, João. Você vai sobreviver.
A sala riu.
Lara balançou a cabeça, divertida.
— Aposto que vai ser um senhor de uns cinquenta anos — ela comentou com Helena.
— Você está preocupada?
— Não.
— Então?
Lara deu de ombros.
— Só estou curiosa.
Pedro, atrás delas, entrou na conversa:
— Eu ainda mantenho minha teoria.
Lara virou para ele.
— A do professor bonitão?
— Exatamente.
— Você só quer que seja verdade.
— E qual seria o problema?
— Nenhum.
Ela voltou a olhar para frente.
Sem imaginar que, no dia seguinte, aquela teoria aparentemente absurda de Pedro estaria muito mais próxima da realidade do que qualquer um deles poderia imaginar.
Porque o novo professor de matemática já estava a caminho.
E o nome dele era Arthur Salles.