CAPÍTULO OITO

1261 Words
Comentem se gostares ANASTASIA/LIZZY O ar frio da noite cortava enquanto eu me movia pelas sombras da Rússia, meu uniforme preto de espiã grudado na pele, me camuflando na escuridão. O cabelo trançado para trás evitando que em caso de confronto meu cabelo longo não fosse uma fraqueza, mas essa missão era furtiva. A tubulação se estendia diante de mim, uma entrada silenciosa e apertada, porém livre de câmeras. Eu engatinhava com o eco de meus passos ressoando nas paredes metálicas e um tanto claustrofóbicas, uma sombra deslizando pelas entranhas do complexo. — Anastasia, estou monitorando sua posição. Siga em frente. — A voz de Cassandra ecoou no meu ponto de ouvido. — Entendido. — Minha resposta foi curta, pronunciada em um sussurro que m*l atravessava o túnel metálico. A missão era clara: Entrar, não ser vista, roubar o pen drive e cair fora. O que havia no pen drive? Informações necessárias para a organização, era só o que sabíamos e, segundo eles, tudo que precisávamos saber. A tubulação me conduzia mais fundo no complexo, o som abafado de conversas distantes e o murmúrio de máquinas preenchendo o ar. Meu treinamento como espiã se manifestava em cada movimento calculado, cada passo sincronizado com a respiração silenciosa da noite. Meu corpo respondia a uma memória muscular onde era necessário a delicadeza de uma gota de orvalho assim como no balé. — A sua esquerda vai ver uma entrada de ar. É a sua saída. — Informou Cassandra. — Ok. Segurei a grade que se soltou com um puxão, a colocando de lado. Abri uma pequena bolsa presa à minha cintura, retirando um dispositivo de interferência que desativaria as câmeras temporariamente. — As câmeras estão offline. Agora é sua chance. Guardei o dispositivo antes de pular pela escotilha aberta aterrisando com uma perna esticada, outra flexionada e uma das mãos apoiadas no chão sem fazer o mínimo barulho, logo já estava caminhando por aqueles corredores furtivamente. Ao alcançar uma interseção, uma visão se desdobrou diante de mim. Guardas, uniformizados e armados, patrulhavam o perímetro. Merda. Eles não estavam todos tão próximos um do outro e a baixa luz estava ao meu favor. Me aproximei do primeiro guarda, envolvendo um braço ao redor do seu pescoço com um mata leão preciso fez com que ele desabasse como uma marionete cujos cordões foram cortados, inconsciente antes mesmo de tocar o chão frio. O segundo guarda, alertado pelo som abafado da queda, girou na minha direção. Seus olhos encontraram os meus, mas já era tarde demais. Desviei-me de seu soco agarrei seu pulso e o girei. Um gemido escapou dos lábios dele, ecoando na sala vazia. Um chute preciso em sua perna fez com que ele perdesse o equilíbrio, caindo de joelhos diante de mim e um chute giratório com toda a força no rosto fez com que caísse inconsciente. — Anastasia? — Só alguns guardas. Seguindo. — Respondi. Os corredores pareciam uma teia complexa, cada escolha determinando o sucesso ou fracasso da missão. Minha mente estava afiada como a lâmina de uma faca, calculando cada movimento com precisão mortal. Ao alcançar a sala onde o pen drive estava guardado, a adrenalina pulsava em minhas veias. Tirando um grampo do cabelo abri a porta sem dificuldade. Adentrei o ambiente escuro, apenas a luz fraca de uma lâmpada piscante revelando o que estava à minha frente. — Anastasia, você está chegando perto do alvo. Fique atenta. — A voz do contato sussurrou em meu ouvido, uma orientação cautelosa. O pen drive repousava sobre uma mesa, protegido por um campo de laser. Meus olhos se estreitaram enquanto eu estudava a armadilha diante de mim. Uma risada silenciosa escapou dos meus lábios, uma resposta ao desafio que se apresentava. Com movimentos ágeis, esgueirei-me pelo campo de laser, cada movimento cronometrado com precisão. Cada cambalhota, cada esquiva, cada rastejo preciso para não acionar nenhum alarme. Ao passar pela armadilha enfim o pen drive estava agora em minhas mãos. — Estou com ele. — Agora, retorne da maneira como entrou. O retorno pela tubulação trouxe-me de volta à superfície, a chuva recebendo-me como uma aliada leal. Enquanto eu emergia das sombras, a missão estava cumprida. — Missão completa, Anastasia. Retorne à base. DIAS ATUAIS Passei a noite enterrando aquela cabeça no parque e esfregando a merda da minha mesa com o cheiro metálico de sangue impregnando o ar. Toda vez que passava a escova eu xingava aquele tal H até suas gerações passadas. Maldito. Como ousa invadir a minha casa e pior ainda, me espionar. Eu já não estava pagando meus pecados o suficiente fugindo de agentes russos? Precisa de um stalker? Até tentei tirar informações daquele celular, mas não me levou a lugar algum. Ele era pré-pago parecia novo, não tinha nada além do vídeo e o número salvo com H que por acaso era desconhecido, impossível rastrear. Todas as informações que eu tinha no momento sobre esse tal de H me levavam a um beco sem saída. Não adiantava. Eu rolava na cama, mas o sono fugia de mim. Sirius dormia na cama comigo ocupando a maior parte do espaço, acariciei seu pelo com inveja por ele estar dormindo e eu não ao mesmo tempo que tentava entender tudo que estava acontecendo. Não deixaria esse desgraçado me intimidar, vou dar um jeito nele, arrancar o m*l pela raiz. Tomando meu café eu encarava aquele celular como se o olhasse por muito tempo ele me daria alguma resposta. A quanto tempo esse cara estava me seguindo? O quanto sabia sobre mim, sobre a minha verdadeira identidade? Meu sangue fervia por agora ter uma espécie de parasita que se achava no direito de poder entrar e sair da minha casa sempre que quisesse. A porta não estava arrombada quando cheguei. Como ele entrou? Tudo bem que não é a coisa mais difícil do mundo abrir uma porta trancada, mas exige certa habilidade, o que quer dizer que ele não é uma pessoa qualquer e com certeza não é de deixar pontas soltas. Não queria ser encontrado, mas queria que eu soubesse que ele existe e que está por perto. — Merda. — Grunhi batendo o punhoi contra a mesa fazendo Sirius se levantar alerta. — Desculpe garoto, não queria te assustar. Ele se aproximou deitando a cabeça no meu colo, não hesitei em lhe fazer carinho nas orelhas como ele amava. — Não se preocupe. Nós vamos pegar esse desgraçado. Fechei todas as portas e janelas da casa, cobrindo cada fresta com panos para que nenhum raio de luz entrasse. Usando o flash do celular passei em cada canto da casa, se houvesse alguma câmera escondida sua lente azulada iria refletir o flash, mas não havia nada. Talvez ele não fosse tão inteligente assim.Ou só não teve tempo. Ainda com a luz do flash abri meu guarda-roupa afastando as roupas dos cabides revelando a parte amadeirada, um fundo falso, o movi para o lado revelando algumas coisas que trouxe comigo. Algumas armas de fogo, adagas, coldres, cordas, gancho de alpinismo retrátil entre outros equipamentos que trouxe comigo, porém meu foco era apenas um e logo os vi. A primeira vista parecia apenas uma pulseira de contas pretas, mas na verdade eram câmeras de espionagem extremamente discretas, autocolantes e de fácil instalação. Tirando conta por conta fui espalhando pela casa em locais mais estratégicos e que me dessem uma visão mais ampla possível. Em pouco tempo todas já estavam instaladas, chequei as imagens no meu celular e estavam funcionando perfeitamente, nem um alfinete cairia no chão sem que eu soubesse. CONTINUA…
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD