HADES
Ainda consigo sentir o gosto metálico do sangue que respingou na minha boca.
Normalmente não faço tanta bagunça, mas esse realmente estava disposto a lutar pela sua vida, maldito bastardo. Quando acabei eu estava vestindo mais sangue que roupas.
Nota mental: levar mais roupas para o galpão.
Já começava a amanhecer em Seattle, a garoa deixava a rua ainda mais deserta, mas as gotas geladas eram mais que bem-vindas para a minha pele. Ainda havia muito trabalho a fazer antes do merecido descanso. Em busca de uma dose de energia antes de dirigir entrei em uma cafeteria de esquina. O lugar era simples e rústico, exalava o cheiro de café mesmo tão cedo, havia poucas pessoas tomando lugares nas mesas. Caminhei até a pequena fila que se formava em frente ao balcão.
Com as mãos no bolso da calça olhei ao redor como um velho hábito.
E foi quando a vi…
Mechas em um laranja intenso que pareciam estar em chamas se soltando do r**o de cavalo em ondas, os lábios carnudos e rosados contrastando com a pele pálida como uma porcelana fina. p***a, ela tem os olhos mais lindos e verdes que já vi. Seu rosto era como um quadro que Sandro Botticelli jamais conseguiria retratar com tanta perfeição. Ela usava um vestido verde musgo, imagino ser o uniforme desse lugar, mesmo assim não diminui em nada sua atratividade, pelo contrário, cada curva do seu corpo estava ali e chamavam minha atenção como um outdoor da Time Square. Mas quem estou querendo enganar? Ela com certeza ficaria perfeita até na merda de um saco de batatas.
Sai da fila caminhando até uma mesa mais afastada onde eu podia observá-la melhor e mais discretamente. A ruiva caminhava entre as mesas com uma graça como se flutuasse por aquele chão de madeira velha distribuindo sorrisos meigos aos clientes que atendia totalmente alheia a minha presença. Porém, não demorou para que se aproximasse com aquele sorriso e uma caderneta em mãos.
— Bom dia. O que vai ser? — c****e, nunca ouvi a voz de um anjo, mas tenho certeza que soa exatamente assim.
— Um café preto, forte, sem açúcar.
— Só um instante.
Antes dela se afastar pude ler o nome “Elizabeth” preso ao uniforme. Fingindo ler o cardápio alternava entre olhar para ele e seguir a ruiva com cautela. Quando se trabalha nas sombras e no sigilo se aprende a ter discrição e ser furtivo sempre foi o meu maior trunfo.
— Aqui. Cuidado que está quente. — Avisou colocando a xícara sobre a mesa. — Gostaria de algo para acompanhar?
— Não, apenas isso.
Elizabeth então se afastou para atender mais clientes que chegavam. Será que ela sabe o quanto é atraente sem se quer tentar? Eu poderia jogá-la sobre uma mesa dessa e beijar cada centímetro do seu corpo delicioso. Minha boca ansiava para sentir sua maciez, seu gosto.
Terminei meu café deixando uma gorjeta generosa na mesa antes de deixar o café dando uma última olhada em Elizabeth.
Entrei no meu carro, mas a presença dela ainda estava lá, como uma sombra persistente. Minha mente vagava em pensamentos de como seria tocar sua pele macia, perder-me em seus cabelos de fogo e lábios doces. Aquela mulher simplesmente invadiu meus pensamentos, havia cravado suas unhas até mesmo na minha alma sem ter noção disso.
Estacionei na garagem subterrânea de casa ao lado do meu amado Impala 67 e minha moto BMW K 1600. Quando saía a trabalho sempre optava por um carro popular mais discreto, além de ter uma coleção de placas que mudava a cada novo alvo. Não que fosse de extrema necessidade já que para seguir algo precisa saber o que esse algo é, coisa que a polícia incompetente de Seattle não fazia ideia, sempre atrelavam as mortes a “Atos do acaso”. Prazer, acaso.
Entrei em casa decidido a tomar um banho longo e frio para tentar acalmar os ânimos. No entanto, assim que entrei no banheiro, ela estava lá novamente, invadindo meus pensamentos de maneira incontrolável. Eu podia sentir o calor subindo pelo meu corpo, meu coração batendo descompassado.
Liguei o chuveiro, deixando a água fria cair sobre mim na esperança de apagar o fogo que aquela mulher tinha acendido. Fechei os olhos, mas era inútil. Ela estava lá, como um fantasma delicioso que se recusava a desaparecer.
Enquanto a água escorria pelo meu corpo tenso, não pude deixar de me imaginar tocando-a, explorando cada curva, cada recanto daquele corpo que me atormentava desde seus lábios até a sua b****a. Meu p*u chegava a latejar com o mero pensamento.
— Merda. — Grunhi apoiando a testa contra o azulejo gelado.
Saí do chuveiro, mas a imagem dela continuava a me perseguir. Enquanto me vestia percebi que, por mais que eu tentasse resistir, a atração por ela era irresistível. Não. A obsessão por ela era irresistível. Me sentia um t**o que se via seduzido por algo tão simples quanto um encontro casual. Uma simples civil que para mim não tinha nada de simples. Aquela ruiva me fez sentir como um adolescente na puberdade novamente.
— O que você fez comigo, c****e? — Esbravejei respirando fundo.
No meu closet vesti uma cueca e uma calça de moletom qualquer ainda com o cabelo e peito molhados.
Peguei meu celular da cama e disquei o número de AJ que atendeu no segundo toque.
— Eai Hades.
— A.J vou direto ao ponto. Você me deve uma, e agora é hora de pagar. — Sem rodeios.
Houve uma breve pausa do outro lado da linha.
A.J é um hacker exímio que cruzou o caminho da pessoa errada. Invadiu e desviou dinheiro para sua conta então sua vítima me contratou para acabar com ele, mas vi nele grande potencial então matei seu predador e desde então ele trabalha para mim como um cão leal sob a minha proteção.
— Claro chefe, o que você precisa?
— Preciso de informações sobre uma mulher, o nome dela é Elizabeth. Ela trabalha em uma cafeteria na esquina da rua principal. — Expliquei enquanto andava até a janela panorâmica do meu quarto. — Quero saber tudo o que você puder descobrir: onde ela mora, quem são seus amigos, o que faz nas horas vagas, até mesmo a marca da sua pasta de dentes. Absolutamente TUDO.
— Próximo alvo?
— Não é da sua conta. — Respondi secamente. — Você trabalha para mim, lembra? Não o contrário. Apenas faça o que eu mandei.
Ouvi A.J suspirar do outro lado da linha.
— Tudo bem, Hades, vou dar um jeito nisso. Me dê algumas horas. — O ouvi bocejar. Ele já devia estar acostumado a lidar com meu humor depois de tanto tempo trabalhando juntos.
— Você tem 3 horas. — Disse antes de desligar sem esperar por mais perguntas.
Agora, me restava apenas esperar. Nunca acreditei em destino, sina, ou qualquer merda do tipo, mas essa ruiva seria minha. Minha mulher. Minha esposa. Mãe dos meus filhos. c****e, nossos filhos serão lindos. Isso aconteceria em um futuro bem próximo, mas, mesmo sem saber, ela já me tinha na palma da mão.