Capítulo 19: A noite é uma criança.

2359 Words
Todos estavam animados conversando e rindo no carro. Júlio não tirava os olhos de Eduarda pelo espelho que estava bem focado onde ela estava sentada. O sorriso dela arrancava-lhe sorriso bobo que Raul percebeu o quanto aquele homem estava caidinho pela sua amiga. Ele solta uma das mãos do volante dando um leve tapa no braço de Júlio atraindo a sua atenção. Com um sorriso malicioso, ele estala a língua e fala como em sussurro. - Tá afim dela né? Arregalando os olhos, Júlio tenta se fazer de desentendido. - Dela quem, do que você tá falando? Raul gargalha. Mas o seu gargalhar não atrai a atenção das meninas, já que as mesmas estão engatadas em um papo que nem perceberam o que rolava nos bancos da frente entre eles. - De quem mais seria, não adianta mentir, tá na cara que você tá caidinho pela Duda! Sentindo um calor, Júlio começa a abanar a sua camisa social ¾ branca com listras vermelhas e ao passar a mão por sua testa, ele admite o óbvio. - Tá tão na cara assim? Raul assente. - Tá! Só a Mari e a própria que ainda não notaram isso. Porque não fala com ela? Júlio se assusta quando ele o pergunta sobre isso. Ele aproxima o seu rosto para murmurar baixo o que tanto deixa-o de mãos atadas em não poder falar o que sente para a sua amiga. - Você está maluco! Ela é minha amiga e não quero perder a sua amizade. Eu não lido muito bem com rejeição. Raul entende o que ele quer dizer, mas o caso dele com Mariana é diferente. Os dois são amigos há anos, mas se enrolam de vez em quando nos lençóis um do outro. Só que os dois são cabeça abertas e esse lance de se envolver sem se apegar, é algo que já está começando a incomodá-lo. Ele quer algo a mais com aquela mulher exuberante de cabelos ondulados e corpo de sereia. O que ele não imagina, é que pela falta de comunicação deles, Mariana também quer algo a mais com ele. Não quer mais estar com ele desse jeito. Só que o medo, sempre esse sentimento assola dentro dela e assim se faz presente nele também. Raul, suspira e dá duas batidas leves no ombro do amigo ao seu lado e assente. - Eu te entendo bem. O medo sempre é o pior sentimento na vida de uma pessoa. As vezes perdemos as oportunidades por deixar o medo nos dominar. De cabeça baixa, Júlio suspira desanimado concordando. - Realmente, concordo com você. Mas espero hoje ter essa coragem toda para onde vamos. De fato, Raul apenas lhe dá um sorriso de lado e continua a sua atenção na estrada rumo ao morro dos Macacos. Ele dá um conselho para Júlio, mas é o mesmo a não seguir e se deixar levar pelo medo que habita dentro dele quando se trata da sua Mariana. Enfim, eles chegam na entrada do morro e Júlio se espanta com o lugar em que eles estão. Raul logo encontra um local para deixar o seu carro e como todos dali o conhecem pelos seus trabalhos sociais com as crianças e por ordem de Henrique e Vinícius, ninguém ousa mexer com ele ou quem quer que Raul esteja acompanhado no morro. - Nós vamos a uma balada aqui? – Júlio pergunta perplexo apontando para fora do carro em direção a uma viela. Colocando as duas mãos sobre os ombros de Júlio, Eduarda com um sorriso, inclina a sua cabeça em sua direção em que quase se beijam e ela murmura. - Sim e vamos nos divertir. Ah, abre essa cabeça Júlio. Nem todo mundo é igual ou criminoso sempre. Vem, vamos! Ela solta dos seus ombros e abre a porta do seu lado saindo do carro. A respiração e coração de Júlio estão como uma bateira de escola de samba descarrilhados. Mas não por eles estarem ali, mas por ela ter o tocado intimamente e com isso, estiveram ao ponto de se beijarem. Júlio solta o ar e puxa de uma forma a manter a sua sanidade e calma, sentindo-se melhor, ele sai do carro onde todos já estavam os aguardando olhando em direção a viela em que iriam subir até uma espécie de galpão onde ocorre os bailes quando Henrique já está disponível para acompanhar. Sorrindo, Eduarda se aproxima de Júlio, entrelaçando o seu braço no dele o puxando para irem até o galpão. O som da música que ressoava por todo o local a medida em que se aproximavam, ficava menos abafada e cada vez mais alta. Júlio observa o brilho no olhar de Eduarda e a contempla. Ela parece uma adolescente ao se encontrar com algo que tano almejopu pela primeira vez. Ele sorri por vê-la tão feliz. A felicidade dela é como um sopro de uma brisa suave para ele. Ao chegarem na porta principal um dos vapor aguardava por eles. Um dos que estavam na entrada do morro avisou a eles pelo rádio. Todos sabiam ali, que a advogada que ajudou o chefe deles a sair da cadeia, adentrava no recinto e com isso, fora conduzida com os seus amigos até o camarote vip que Henrique e a sua turma os aguardavam. Henrique avistou ao longe a sua baixinha astuta passando entre a multidão que dançava, bebia, ria e conversava. Ele lançou olhares para alguns homens que a “comiam com os olhos”, desejando-a da mesma forma que ele a deseja. Ao contrário dos outros, ele tinha uma vantagem que o mesmo não sabia. Ele mexia com ela do mesmo modo que ela mexia com ele. Ele bufa com raiva, uma mulher como ela, claro que chamaria a atenção. Bem vestida, linda com os seus atributos avantajados que apetecem qualquer homem que aprecie uma bela mulher independente do seu corpo ou cor e ainda com aquela cor do pecado que mesmo com a iluminação do jogo de luzes, a sua pele reluz em um brilho que só a sua linda cor emana. Henrique engole em seco e o seu coração erra cada vez mais as batidas com o seu aproximar. Ela segura o corrimão daquela escada e ao direcionar os seus olhos para o alto, os olhares se encontram. Eram como brasas prontas para queimarem a si mesmos pelo desejo e vontade que emanavam pelos poros deles. O morder do lábio inferior é a perdição do resto de sanidade que ele ainda tem na sua mente. A sua vontade é agarrá-la e beijá-la como se não houvesse amanhã. Ele sorri ao se imaginar aquela mulher em seus braços a possuindo de diversas formas. Vinícius o interrompe dos seus devaneios cutucando-o pela cintura com uma leve cotovelada e o mesmo zomba sussurrando alto no seu ouvido devido a música alta no ambiente. - Fecha a boca e limpa a baba que tá dando pinta cara! Ele ri ao falar isso e Henrique o fuzila com um olhar indecifrável, mas logo suaviza sorrindo. Ele há de convir que o seu amigo e parceiro para todas as horas tinha razão. Ele estava babando por ela e não tinha como negar. Ela mexia muito com ele. Nenhuma mulher antes mexeu tanto assim quanto Eduarda Medeiros. A linda mulher com aquele vestido de paetê se aproxima de braços dados com o seu amigo que olha em direção aos rapazes que rodeavam Henrique com armas que somente no exército e polícia poderiam existir. Júlio engole em seco assustado, mas ao sentir o leve aperto no seu braço, ele olha para sua amiga que lhe sorri passando-lhe confiança. - Boa noite a todos! – Eduarda cumprimenta a todos simpática sem tirar os olhos de Henrique. O mesmo está com os olhos fixos na mão dela segurando o braço daquele homem que ele nunca tinha visto antes. Todos respondem e somente Henrique é o único que não fala nada. Só consegue se fixar ao mero detalhe de ver a mulher que ele tanto quer agarrada a um homem que sente vontade de arrancá-lo de perto dela. Ele respira fundo e Vinícius se inclina ao seu ouvido, pedindo-lhe calma antes de tomar qualquer decisão ou fazer algo que se arrependa mais tarde. O mesmo, lhe olha e assente. Virando-se para eles, Henrique força um sorriso e estende a mão para Júlio em cumprimento. O mesmo olha para a sua mão estendida e depois para Eduarda que acena com um sorriso de que ele pode ser gentil e educado. Segurando na mão de Henrique ambos sentem o clima alterado no ar. As testosteronas estão afloradas a ponto de explodir. Mesmo que Eduarda não saiba dos verdadeiros sentimentos de Júlio por ela, Henrique já sentiu e viu nos olhos dele as reais intenções com ela o que por ele, jamais irá permitir. Ela era dele! - Boa noite! Eu sou Júlio Lemos. Os dois pareciam estar testando quem era mais forte, estavam apertando a mão um do outro e pareciam não querer largar. A voz rouca e aveludada de Henrique ecoa no ar, deixando muitos apreensivos pelo que o próprio poderia vir a fazer. - Henrique Fontes, mas conhecido como Alemão Dark. Sejam bem-vindos. Os dois continuam segurando a mão de ambos. Os olhares são fuzilantes entre um e outro parecendo cachorros pronto para uma briga. A voz suave e doce de Eduarda, suaviza o clima que se instalava entre eles. - O Júlio é advogado e além do meu sócio é um amigo meu desde a faculdade. Os dois soltam a mão relutantemente. Henrique, leva o seu copo de bebida na boca e engole de uma só vez o líquido que queima por toda a sua garganta. Ironicamente, ele dispara. - Amigo é, sei. Sentindo o deboche e sarcasmo nas palavras de Henrique, Eduarda retruca um tanto irritada, por só agora se dar conta de que há uma mulher sentada ao seu lado só faltando fazer obscenidades com ele ali mesmo. - Sim, amigos. Se o senhor não sabe o que é isso entre um homem e mulher sem existir a i********e entre eles de forma explicita, sinto informar, mas existe. Surpreso, ele a olha como se ela enchesse o seu coração de alegria. Ele sente naquelas palavras que a mesma está se roendo de ciúmes por ver a mulher ao seu lado quase esfregando a sua i********e nele. Ele sorri de lado, mas logo fecha o seu semblante ficando com uma carranca, quando a mulher ao seu lado começa a passar a mão por sua coxa. Ele segura firmemente a sua mão e a fuzila com um olhar matador. - Natasha, não te dei liberdade pra isso. Vai procurar outro macho para se esfregar. Encolhida pela repreensão, ela se desculpa constrangida. - Desculpa Alemão. Eu vou sair daqui. Aquilo tudo era fingimento. Ao passar por Eduarda que olha toda a cena boquiaberta, a olha com desprezo e raiva. - Venha doutora, sente-se aqui ao meu lado. Ele bate no lugar em que Natasha estava sentada, mas ela se recusa a sentar-se ali. - Desculpe, mas não. Obrigada. - Duda, quer beber alguma coisa? – Júlio pergunta para quebrar o clima. Sorrindo para ele, ela assente. - Uma cerveja. - Eu vou pegar. Já volto. Antes que ele pudesse sair, Eduarda grita por ele, avisando que também vai junto. - Espera Júlio. Eu vou com você. Eduarda dá uma piscadela para Henrique que bufa de raiva por ela estar saindo de perto dele. Até Júlio percebeu a tensão que há entre eles, mas é uma tensão que só se resolverá na cama. Mas o mesmo, não se atreveu a recusar o pedido da sua amiga. Ao chegarem ao balcão, eles pegam as suas bebidas. Ao longe, ela observa todos os passos e conversa entre Henrique e os seus “funcionários”. Ela vê ele sair de perto deles. - Duda, o que tá rolando entre você e esse homem? - Hã, o quê?! Não entendi. – Ela dá uma de desentendida. A essa altura, os amigos deles estão na pista de dança se esbaldando no funk enquanto os dois conversam e a mesma não desvia o seu olhar para onde o Henrique saiu. - Duda, eu sei que rola um clima entre vocês, mas como seu amigo só tenho que te avisar para ter cuidado. Sabe que ele não é o tipo de genro que o seu pai quer na família. Perplexa com o escárnio com o qual Júlio cuspiu as suas palavras, ela o olha fixamente e com um sorriso irônico, ela dispara. - Realmente você só é o meu amigo e não tem nada a ver com quem me envolvo ou deixo de me envolver. Fica aí e vê se arruma alguma coisa melhor pra fazer ao ter que ficar se metendo aonde não é chamado. Com licença. - Duda, espera... Duda... Ele tenta alcança-la, mas as pessoas que estavam ali não deixaram. Ela já havia partido de perto dele sem nem olhar para trás. Eduarda segue por um corredor estreito sem que ninguém note o seu passar por eles. Seguindo os barulhos de gemidos altos vindo daquele estreito corredor, ela segue o som. No corredor com uma grande parede, ela arregala os olhos e leva as mãos a boca pelo choque e os seus olhos se enchem de lágrimas pela cena. A mesma mulher que estava minutos atrás ao lado de Henrique, sendo possuída pelo próprio de forma selvagem. A mesma lança lhe o olhar satisfeita e com um ar de deboche por ver os dois transando ali mesmo. Se recompondo, ela retorna pelo mesmo local que veio enxugando as lágrimas que insistiam em rolar pelo seu belo rosto. Nem ela sabia bem porque chorava, já que a mesma e ele nem tinham nada um com o outro. Sem perceber, ela bate numa parede de músculos, ela ergue o seu rosto para pedir desculpas e se assusta com quem está na sua frente. Ela olha para trás e novamente para aquela pessoa e murmura. - Você! Mas, como? Vendo tudo rodar, ela desmaia sendo amparada por quem estava frente a ela. Continua...
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