CAPÍTULO 3

1179 Words
Annabella tentava se concentrar na sua salada, mas a presença de Luke na mesa oposta era como um ímã. — Eles são os Foster — sussurrou Evelyn, inclinando-se para frente para que apenas Annabella, Leo e Scarlet ouvissem. — Donos de metade da cidade e, bem, você já sabe, de toda a faculdade. São brilhantes, as notas deles são assustadoras, mas ninguém realmente consegue ser amigo deles. Eles se mantêm nesse círculo fechado, como se estivessem em outro século. — E são estranhos — completou Leo, sem tirar os olhos do tablet, mas diminuindo o tom de voz. — Meu irmão trabalha na oficina e disse que o rádio da polícia não parou hoje cedo. Seu pai, o Xerife Thomas, foi visto lá na fronteira da reserva. Parece que acharam algo... grande. E não era um urso. Annabella sentiu um aperto no peito. A fronteira da reserva era exatamente onde Dylan morava. — O que quer que seja, os Foster não parecem felizes com a movimentação — Scarlet observou, lançando um olhar rápido para a mesa de Luke. Na mesa de elite, o clima mudara. Liam e Mason, que antes pareciam estátuas, agora estavam com os ombros tensos. Eles trocaram um olhar rápido e depois fixaram os olhos em Annabella. Mason franziu o nariz sutilmente, como se sentisse um odor desagradável — ou perigoso. Luke, no entanto, não parecia incomodado. Ele apenas observava Annabella com uma curiosidade científica. Seus sentidos captavam algo que os outros humanos na mesa dela ignoravam: o rastro de Dylan Cooper. Para Luke, o cheiro de Annabella agora estava misturado com o de terra molhada, pinheiro e o calor animal característico de um lobo. Aquilo era uma afronta, um sinal de que o território estava sendo invadido. — Annabella? Você está pálida — Evelyn tocou o braço dela. — Só estou cansada da mudança — mentiu Annabella, mas ao olhar novamente para Luke, ele inclinou a cabeça e deu um sorriso de canto, quase imperceptível. Era um sorriso que dizia: Eu sei com quem você esteve ontem à noite. O céu de Silver Falls estava mais escuro do que o normal, carregado de nuvens de chuva. Annabella caminhava apressada para o seu carro, ainda pensando no que Leo dissera sobre a investigação do pai na floresta. Antes que pudesse alcançar a maçaneta do carro, uma silhueta bloqueou seu caminho. Annabella quase deixou cair as chaves. Era Luke. Ele estava parado ali, sem casaco apesar do vento cortante, parecendo perfeitamente imóvel, como se estivesse esperando por ela há horas. — Você já conheceu o Dylan Cooper, não foi? — A pergunta de Luke foi direta, sem os rodeios intelectuais da sala de aula. Sua voz estava mais fria, desprovida de qualquer tom amigável. Annabella sentiu um calafrio que não vinha do vento. Ela tentou manter a voz firme. — Ele me ajudou ontem com uma caixa de mudança. Por quê? Eu m*l o conheço. — Ela o encarou, curiosa e um pouco irritada com a intromissão. — Como você sabe o nome dele, Luke? Luke deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal dela. O frio que emanava dele era quase físico, como se ele absorvesse todo o calor ao redor. Seus olhos castanhos pareciam escurecer, tornando-se duas poças de sombra. — Fique longe dele, Annabella. — O aviso foi sussurrado, mas soou como um comando. — Ele é perigoso. Mais do que você pode imaginar. Existem coisas nesta cidade que não seguem as leis que você estuda na sala de aula. Dylan Cooper é uma delas. — Ele pareceu gentil comigo — rebateu Annabella, embora a imagem daquelas pegadas estranhas na lama voltasse à sua mente. — O fogo também parece atraente antes de queimar tudo o que toca — Luke disse, com uma nota de amargura. — Considere isso um conselho de amigo... ou um aviso de quem conhece a natureza selvagem daquela floresta melhor do que qualquer Xerife. Sem esperar resposta, ele se virou e caminhou em direção ao carro preto e luxuoso dos Foster, deixando Annabella sozinha com o som do vento e o cheiro de chuva que começava a cair. Sem esperar resposta, ele se virou e caminhou em direção ao carro preto e luxuoso dos Foster, deixando Annabella sozinha com o som do vento e o cheiro de chuva que começava a cair Annabella estaciona o carro sob uma chuva fina. Ao entrar, o cheiro de café forte se mistura com o cheiro metálico de óleo de limpeza. Thomas estava sentado à mesa da cozinha. Diante dele, não havia relatórios de trânsito, mas sim fotos granuladas tiradas na floresta e as peças de sua pistola de serviço espalhadas sobre um pano flanelado. — Oi, pai — disse Annabella, tentando soar casual. — Dia difícil? Thomas nem levantou o olhar de uma foto que mostrava uma árvore com o tronco estraçalhado por garras imensas. — Algo está matando o gado dos arredores, Bella. E não é um lobo comum. É grande, pesado e... inteligente. Fique longe das trilhas, ouviu? Não quero você fora de casa depois que o sol se puser. Annabella assentiu, mas o aviso do pai, somado ao de Luke, só serviu como combustível para sua teimosia. Ela subiu, trocou os sapatos de faculdade por botas de trilha e, aproveitando que Abigail chamou Thomas para a garagem, escapou pela porta dos fundos. A floresta à noite era um labirinto de sombras e estalos. Annabella caminhou por dez minutos, o coração martelando contra as costelas, sentindo que cada árvore a observava. Ela parou perto da clareira onde vira Dylan pela primeira vez. O silêncio era absoluto, até que o vento mudou de direção, trazendo aquele cheiro de terra e algo... quente. — Você não ouviu o que o Xerife disse? Annabella deu um grito abafado e girou nos calcanhares. Dylan estava parado a poucos centímetros dela. Ele não fez barulho ao se aproximar; ele simplesmente materializou-se entre as sombras. Ele não usava casaco, e o calor que emanava dele era tão forte que Annabella sentiu o rosto esquentar. — O que você está fazendo sozinha em uma trilha perigosa a esta hora, Annabella Willis? — Ele cruzou os braços, os olhos brilhando com uma intensidade que beirava o selvagem. — Eu... eu queria te ver — ela admitiu, a voz falhando um pouco. — Um colega de classe, Luke Foster, me disse para ficar longe de você. Ele disse que você é perigoso. Dylan soltou um riso curto e seco, um som que lembrava mais um rosnado baixo. Ele deu um passo à frente, obrigando Annabella a encostar as costas no tronco de um carvalho frio. — E você acredita no que o "perfeito" Luke Foster diz? — Dylan inclinou a cabeça, o rosto a milímetros do dela. Annabella podia sentir a respiração quente dele na pele. — Ele está certo sobre uma coisa: eu sou perigoso. Mas a diferença entre eu e ele, Annabella, é que eu não escondo o que sou atrás de ternos caros e salas de aula.
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