O lago estava calmo. O reflexo da lua dançava sobre a água, e o ar frio trazia o cheiro úmido da floresta. Dentro do chalé , as luzes estavam baixas, e um silêncio suave envolvia tudo — como se o mundo tivesse decidido parar para que apenas eles existissem. Lara sentia o coração leve, como há muito tempo não sentia. Os dias ao lado de Gabriel haviam desarmado as defesas que ela erguera durante anos — camada por camada, ele as derrubara com gestos, risadas e silêncios cheios de verdade. Ele era simples nas palavras, mas profundo no olhar. E era ali, naquele olhar, que ela se reconhecia. Ouviu os passos atrás de si. Virou-se e o viu — Gabriel vinha descalço, o cabelo bagunçado, o sorriso preguiçoso, com duas canecas de chocolate quente nas mãos. — Achei que fosse fugir pra floresta

