Capítulo 11

1236 Words
Lara caminhava lentamente pelo granado da Marina, cada passo um compasso entre lembrança e despedida. O vento do fim de tarde brincando com seus cabelo, no som calmo das aguas o farfalhar das folhas, ela se encontrava consigo mesma. O lugar sempre fora seu refúgio, o ponto onde podia organizar pensamentos sem interrupções, mas naquela tarde, o motivo era outro. Ela havia voltado para se despedir. Despedir-se de um tempo, de uma dor, de um homem. Despedir-se de Dam. Queria encerrar o ciclo antes de se permitir recomeçar — livre, leve, inteira — ao lado de Gabriel, que trazia a paz que ela nunca soubera sentir. O sol já se despedia, tingindo o céu de tons alaranjados e dourados que dançavam sobre a superfície da água. Sentou-se em seu banco favorito, abraçando os joelhos, o olhar perdido no horizonte. O coração estava calmo pela primeira vez em dois anos. Até que uma sombra se projetou à sua frente, quebrando a paz como uma rachadura súbita no vidro. — Lara. O som daquela voz… o som que ela conhecia tão bem… atravessou o ar como uma lâmina. O corpo dela reagiu antes mesmo que a mente processasse. Os olhos se arregalaram, e o fôlego pareceu escapar. Ele estava ali. Dam Parado como se nada tivesse acontecido. O mesmo sorriso seguro, o porte confiante, o olhar que sempre a deixava sem palavras. Ela sentiu o corpo reagir, mas ergueu a voz, tentando impor distância. — E você ainda não perdeu a mania de aparecer onde não foi chamado, não é? — disse fria, levantando para sair disposta a deixar ele para trás. Ele deu um passo adiante bloqueando o seu caminho, a postura relaxada, confiante. — Não perdi. — A voz dele era calma, segura, provocadora. — Mas você parece feliz… e isso me agrada. Ela respirou fundo, mantendo a raiva contida. — Como se você tivesse alguma coisa a ver com isso. - Disse ela se levantando e tentando se afastar dele. — Precisamos conversar — disse ele, aproximando-se mais um passo, apenas o suficiente para testar a reação dela, mas ela o ignorou — Interessante… pensei que depois de dois anos, você teria algumas palavras guardadas para mim. - Então, durante anos você decide que não tem nada pra falar comigo, some sem deixar rastro e aparece como. Se nada tivesse acontecido, como esse se esse tempo todo não tivesse passado. E agora você aparece e quer conversar? - ela sorriu irônica - Não, Dam. Eu não quero conversar. Não temos nada falar um ao outro — A raiva misturava-se com o desejo que insistia em surgir cada vez que ele bloqueava seu caminho. Ele parou a um passo de distância, inclinando a cabeça e olhando para ela com aquele ar de experiência e segurança que sempre a desconcertava. — Eu sei que foi difícil para você. Mas eu tive meus motivos. Ele o encarou o desafiando - É quais foram esses motivos? Dam franziu levemente o cenho, mas continuou aproximando-se, cada passo firme e seguro. — Isso não importa já foi resolvido, e agora que estou de volta… — Ele parou a centímetros dela — Você não é muito rápido para resolver seus "motivos" — murmurou ela, a voz trêmula de raiva . — Espero que seja mais rápido pra entender que eu não te quero aqui. — Você não espera que isso aconteça — disse ele, aproximando-se novamente, baixando a voz. — E eu não vou esperar nem mais um segundo. O beijo foi inevitável. Primeiro leve, exploratório, mas logo intenso, carregado de desejo, tensão s****l e experiências passadas, lembrando Lara de cada toque, cada suspiro e cada memória que ela havia lutado para esquecer. Seus corpos se aproximaram, respirando quase juntos, e a confusão emocional aumentou a cada segundo. Ela tentou empurrá-lo, mas ele segurou o rosto dela suavemente, mantendo o beijo firme e provocador, dominando a situação sem ser agressivo. Lara sentiu raiva, desejo, medo e confusão misturados em um turbilhão incontrolável. Quando finalmente se separaram, ofegantes, ela apoiou a testa na dele, o peito acelerado e a mente a mil. — Você não tinha esse direito — murmurou, incapaz de controlar as batidas aceleradas do coração. — Não? — disse Dam, a voz baixa, firme, segura. — Eu sei o que está sentindo, mesmo que você tente me afastar, mesmo que tente lutar, você ainda sente isso por mim. Não negue. Não tente. Apenas sinta. Ela suspirou, tentando respirar, mas cada gesto dele, cada olhar intenso, cada toque breve deixava o corpo dela reagindo sem controle. O beijo voltou, mais intenso, mais carregado de experiência e desejo contido, deixando Lara completamente atordoada. Cada toque, cada suspiro, cada aproximação a deixava confusa e perdida entre raiva, desejo e lembranças de tudo que já viveram. Quando finalmente se separaram, ela ficou ali, ofegante, com o coração disparado, sabendo que nenhuma decisão seria simples. A presença dele, a força, a experiência, o desejo… tudo a deixava confusa, dividida e vulnerável Ela desviou o olhar, cruzando os braços ainda mais firme. — E nesse tempo, eu conheci alguém. — Ela respirou fundo — Você não pode reaparecer sem aviso e bagunça tudo - Isso… não significa nada! — cortou ele tentando controlar a raiva — Termine com ele. Ela respirou fundo, erguendo o queixo e encarando-o. — Você não tem o direito de me pedir isso — Sim — disse ele, firme e desafiador — eu tenho. Dam deu um passo mais perto, segurando o rosto dela com cuidado, os olhos fixos nos dela. — Você sente isso, não sente? Cada célula do seu corpo ainda me reconhece. Ela tentou resistir, recuando levemente, mas o corpo não obedecia completamente. — Não se aproxime de mim — murmurou, o coração disparado, a mente embaralhada. — Shhh — disse ele, aproximando o rosto. — Apenas sinta. Não pense, não resista. Sinta. O toque dele foi quase imperceptível no primeiro instante, a ponta dos dedos roçando levemente o braço dela, provocando arrepios. Mas o efeito era devastador: cada centímetro de seu corpo reagia, lembrando de memórias, de momentos antigos, do toque dele que sempre a deixara fora de controle. — Você acha que pode resistir? — perguntou ele, inclinando o corpo de forma que quase tocassem, os olhos cinzas brilhando com intensidade e experiência. — Lara, você sabe que não consegue. Nem deveria tentar. Ela respirou fundo, tentando controlar a raiva que surgia. Queria gritar, empurrar, rejeitar. Mas cada passo dele, cada leve aproximação, fazia o corpo dela reagir, apesar da mente insistir em resistir. A tensão s****l era palpável, carregada, impossível de ignorar. Ele sorriu, inclinado-se lentamente. — Não lute contra. - Então, sem aviso, ele inclinou e a beijou mais uma vez. O beijo foi intenso, carregado de experiência e desejo. Cada gesto dele era calculado, seguro, maduro, dominando o espaço entre eles. A raiva controlada por ela ter se entregado a outro em sua ausência. Dam se afastou olhou para ela, seguro, firme, e disse: — Eu voltei, Lara. E dessa vez… não vou embora. Ela fechou os olhos, sentindo o corpo ainda reagindo, o coração disparado e a mente confusa. — Então o tempo que quiser Dam, porque dessa vez quem vai embora sou eu - ela virou-se e caminhou a passos firmes até seu carro, entrou deu partida e se distanciou dele o mais rápido que conseguiu sem nem mesmo olhar para trás.
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