Capítulo 2

1967 Words
Capítulo 2 Henry Miller Sem mãe, sem pai, apenas cuidando do meu avô que, pelo que dá para perceber, está com os dias contados. Falar isso machuca o meu coração. Me sinto abandonado completamente depois que fui deixado pelos meus pais ainda adolescente, eles não pensaram em mim quando decidiram partir para outra vida. Pego uma foto em que nós três estamos juntos, sorrindo abraçados. Lembro-me bem do dia em que tiramos essa foto, foi em um verão bem caloroso, depois foi apenas tragédia em cima de tragédia. Bufo. Lembrar disso me causa arrepios, minha mãe estava com câncer, ela descobriu o câncer depois de sentir muitas dores nos s***s, meu pai colocou os melhores médicos para cuidar da situação dela, que já estava bastante agravada. Infelizmente, nada funcionou, minha mãe, que cuidava de mim com tanto carinho e atenção, veio a falecer, meu pai, revoltado com tudo o que aconteceu, amarrou uma corda na madeira que ficava no teto de casa e suicidou-se, o que ele dizia era que estava fazendo aquilo por amor. Passo a mão pelas mechas do meu cabelo. Aquilo não era amor, depois disso eu nunca mais acreditei nesse tal amor, um amor que foi capaz de abandonar seu próprio filho, jamais irei amar alguém, jamais me entregarei a algo tão t**o chamado “amor”. Uma voz ecoa pelos corredores da nossa grande mansão chamando meu nome. — Henry, vem aqui agora, filho. Sim, é meu avô. Meu bem mais precioso nesse momento é ele, mesmo estando bem velhinho, ainda tenta cuidar de mim. — Sim, vovô, por que está me chamando? — Filho, já disse não para ficar trancado neste quarto o dia todo, você sai apenas à noite e volta bêbado para casa — disse o senhor Frederik, mostrando deveras preocupação. Quando não estou no apartamento, venho à mansão para ver como meu avô está. Geralmente venho aqui quando não estou trabalhando e passo o dia trancado no quarto. Andar por esses corredores me traz lembranças de que eu não quero lembrar. — Já disse para não se preocupar comigo, eu sei bem o que faço da minha vida, senhor Frederik. Desci as escadas da mansão que levavam até a grande sala. — Fica parado aí, menino, estou falando com você. Quando você irá trazer uma mulher decente para esta casa? Você precisa se casar logo. Meu avô e essas manias dele em achar que eu irei me casar, parece que ele não me conhece. Suspiro. — Você sabe que não irei me casar nunca, eu não vou amar ninguém — disse com bastante ousadia. — Lave essa boca, menino, você irá se casar sim. Trate de trazer uma mulher para esta casa logo. Esse velho é muito persistente, ele acha que uma mulher irá curar a dor que meus pais me causaram, nenhuma mulher é capaz de me curar. Eu posso destruir a vida de uma mulher se ela tentar me amar de verdade. Todos na cidade me conhecem como um sem-vergonha, eles dizem que faço as mulheres inocentes sofrerem por mim, talvez eu realmente seja um mequetrefe, contudo, a realidade é que as mulheres se entregam muito fácil para mim, elas se iludem mesmo eu dizendo que é apenas sexo. Preciso ir para aquela empresa que foi deixada para mim depois que meus pais se foram. Normalmente é o senhor Benjamin, o meu motorista, que me leva para o trabalho, mas hoje eu irei dirigir. Fui à garagem e peguei um dos modelos mais avançados dos meus carros. Esse carro é uma belezinha. Fui eu que planejei toda a parte do motor, o designer preto lhe caiu bem. O carro é muito rápido, cheguei na empresa cerca de poucos minutos, na verdade, eu não moro muito longe da empresa. Mesmo assim, tenho um apartamento bem aqui no centro de Nova York, não posso levar todas as mulheres na mansão, lá eu levo apenas a Mia, meu avô já está acostumado com ela. — Eu estava esperando pelo senhor chefinho — disse Mia. Mia é uma grande gostosa, o corpo dela me atrai muito, por isso sempre estou em sua companhia, dificilmente fico com outra mulher que não seja ela, para isso acontecer precisa me cativar muito. — Bom dia, Mia, gosto quando você me espera bem na porta. Disfarçadamente, dei um tapa em uma das suas nádegas. — Isso dói, querido, tente ser mais discreto. Ela passou a língua nos lábios depois de sentir a minha mão pesada lhe apalpando. Entramos na minha sala. — Querido, eu tenho um convite para te fazer — disse Mia toda sorridente. — Qual seria ele? — Eu fiquei sabendo que vai ter uma festa à fantasia naquele bar que a gente sempre vai, você poderia ir de Batman e eu de mulher gato. O que acha? As saídas para dançar com a Mia são sempre as melhores, ela dança de um jeito de tirar o fôlego, o corpo dela chama a atenção de qualquer um que passa. — Claro, gostosa, como irei perder uma mulher sexy como você dançando para mim. Puxei-a para mim e a sentei no meu colo. — É assim que eu gosto do meu chefinho, vou pedir para que tragam as roupas que comprei para a gente usar. Mia tinha um cartão black que eu emprestei para ela comprar tudo o que ela tem vontade. Eu não a amo, nem sou apaixonado pela Mia, mas o corpo dela ganhou de presente minha enorme ereção que lateja quando ela dança. Por isso, deixo ela com esse cartão, quero ver ela andando com as roupas mais sexy de todas. Empurrei para que ela se levantasse. — A festa é só de noite, vamos para a reunião, temos muito trabalho a fazer hoje. Eu sou um cara safado mesmo, tenho que admitir, mas eu não sou um vagabundo, eu sempre coloco a minha empresa como prioridade. Quero fazer dessa empresa que foi herdada para mim em nome dos meus pais a maior empresa de carros de toda a América. Depois da reunião, eu e Mia fomos até minha casa na mansão para se arrumar para essa festa à fantasia. Mia estava com um vestido bem justo, era possível ver o tamanho da sua b***a. — Trouxe essa mulherzinha sem pudor para nossa casa de novo? — Disse o senhor Frederik com uma expressão raivosa. Meu avô não gosta muito quando trago Mia aqui, ele sempre a trata com desprezo e rancor, na visão dele ela não é uma boa mulher para mim. — Não foi assim que você me ensinou a tratar uma mulher, senhor Frederik. Respondi a ele debochando da sua atitude, não gosto quando ele a trata assim, oras, ela é meu brinquedinho pessoal. — Eu gosto muito do seu neto, senhor Frederik, não tenho culpa dele sempre me escolher como mulher — disse Mia, se fazendo de sonsa. — Já disse que você não é mulher para ele. — Não vamos ficar aqui discutindo isso, eu e Mia vamos sair essa noite, amanhã é final de semana, não me espera acordado, velho. Olhei para ele, soltei um leve sorriso debochado e subi para me trocar junto com a Mia. Mia tirou a roupa, deixando seus s***s enormes mirando bem na minha direção. Estou doido para ver ela dançando para mim hoje. A roupa que ela colocou era toda em couro, estava apertando todo seu corpo, deixando-os ainda mais desenhados, ela colocou uma máscara de gatinho, eu estava usando uma fantasia do Batman. — Estou pronta, gostou? — Eu amei essa sua roupa apertadinha. Estávamos prontos, peguei o meu carro que uso apenas para ir às boates, coloquei-a bem do meu lado, chegamos à boate. A boate estava cheia, muitas pessoas fantasiadas, algumas mulheres tentavam falar comigo, porém eu não dava bola. — Vou dançar para você agora, querido. Peguei uma cadeira e coloquei bem de frente para Mia, ele subiu até o palco e começou a dançar pole dance para mim. Mia sempre dança para mim, ganhando toda a minha atenção com sua sensualidade. Abri minhas pernas na cadeira, mordi meus lábios, ele estava avantajado, ereto, vendo-a rebolar. Uma cena me chamou atenção, uma simples menina usando uma máscara com orelhas de coelhinho. Que mulher é aquela que está tirando toda a atenção da Mia e me fazendo apenas admirá-la? Mia começou a dançar ainda com mais sensualidade, porém ela não me prendia, meus olhos estavam sobre a mulher dançando igual uma doida com orelhas de coelhinho. Tive que ir em sua direção. Enquanto eu andava devagar, empurrando as pessoas que estavam na minha frente para poder enxergá-las ainda melhor, pude perceber sua simplicidade e inocência. Vestido justo, apertado, mostrando toda a sua silhueta, sua inocência ao dançar como uma louca, não percebendo que todos os homens ao seu redor estavam olhando para ela com desejo. Cheguei mais perto dela, provoquei a chamando de coelhinha, ela me olhou com um sorrisinho de bêbada e perguntou. — Cadê o Robin, Batman? Parece que essa coelhinha tem bom humor. Pelo jeito que ela fala e dança, é nítido que ela não é daqui. Esse lugar não é para ela. O perigo que essa boate pode trazer para a inocência dessa coelhinha não está escrito. Ela caiu nos meus braços e começou a chorar, desabafando. Respiro fundo. Minha mão quer deslizar e agarrar sua cintura. Não, com essa mulher eu não posso brincar, é o que eu sinto nesse momento. Escutando-a desabafando, minha vontade era de pegar ela no colo, levar para minha cama e brincar com seu corpo a noite inteira, mas alguma coisa dentro de mim diz que ela não é meu brinquedinho. — Qual seu nome? — Perguntei com muita curiosidade. — Liz Hernandez. Quando eu ia responder para ela, meu nome, fui pego de surpresa pela Mia, tive que me despedir da linda mulher de cabelos longos bagunçados com a silhueta mais linda que já vi. — Não gostei do jeito que estava olhando aquela mulher — disse Mia com raiva. Eu sempre fiquei com outras mulheres, Mia sempre fica com ciúmes, mas logo passa. Abro a porta do carro e mando ela entrar. — Vou te levar em casa. — Nós não íamos passar a noite juntos? — Perguntou Mia. — Eu decidi que quero ficar sozinho hoje. — Sozinho? Entendi, olhou para aquela mulherzinha sem pudor com desejo, quer fazê-la de brinquedinho também? — Não, aquela mulher não parece ser o tipo que aceitaria ser um brinquedinho meu. Deixei Mia em casa, ela estava com muita raiva, bateu à porta do carro e entrou. Voltei para casa imaginando aquela coelhinha nua na minha cama, amanhã eu vou pedir para Mia trazer todas as informações dessa Liz. No dia seguinte, quando eu acordei, coloquei meu terno, pedi para Benjamin me levar para a empresa. — Está contente hoje, senhor Henry. — Acordei de bom humor. Na verdade, meu bom humor se chama Liz, preciso saber o que tem por debaixo dessa máscara de coelhinha. Desço do carro, ando até a enorme porta principal do meu prédio. Quando eu entro, me deparo com uma linda mulher de cabelos longos, preto, anotando em uma ficha. Ela me olha com uma ingenuidade e vergonha. Suas bochechas ficaram rosadas, ela veio para uma entrevista. — Manda Mia levar essa moça até a minha sala. Ela chegou na minha sala, sentou-se toda tímida, entregou o currículo. Quando eu olhei o nome que estava no currículo, não me segurei. Um leve sorriso saltou na minha boca, Liz Hernandez. Não pode ser a mesma pessoa! Quando começou a falar sobre a empresa em que trabalhou, era a mesma história da coelhinha, a sua voz me fez lembrar dela, todas as peças se encaixavam perfeitamente. É ela, é a minha coelhinha!
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD