Capítulo 3

2475 Words
Liz Hernandez Meu primeiro dia de trabalho na empresa “Cars Future”, essa noite, eu pensei bastante em proposta de marketing para levar para o senhor Henry. Coloquei uma roupa que faz total meu estilo, calça jeans, blusa preta e jaqueta. Não estou vestida como as outras meninas da empresa, elas se vestem com lindos vestidos refinados e a Mia com um vestido bem apertado. Eu não tenho carro, então preciso ir andando. Comecei a dar passos largos para ir mais rápido. Fiquei ofegante. Cheguei sem ar, com o coração batendo mais forte que um pandeiro, mas cheguei no horário. — Senhorita Liz, vejo que chegou no horário. Me siga, te mostrarei sua sala — disse Mia. A sala não era muito grande, mas o suficiente para eu elaborar toda a minha estratégia de marketing, tinha computadores, notebook, tudo à minha disposição. — Uma reunião se inicia daqui a 10 minutos, não se atrasa. Da próxima vez, coloque uma roupa a caráter da empresa — disse Mia. — Mas é meu estilo — retruquei. — Seu estilo é repugnante. Ela saiu da sala fazendo uma expressão de nojo para mim, eu vou falar sobre isso com Henry, ele não disse nada sobre eu ter que mudar meu visual quando me contratou. Não vou me deixar levar por essas palavras referidas à minha pessoa, preciso ir para a reunião. Cheguei na sala de reunião e tinham duas cadeiras disponíveis, uma do lado do senhor Henry e outra na ponta da mesa. Eu estava indo para a ponta da mesa quando Henry me chamou. — Liz, sente aqui, não fique tão longe de mim, eu não mordo. — Mas Henry, esse lugar é meu — disse Mia. — Mas hoje quero a senhorita Liz sentada bem ao meu lado, afinal ela precisa ver mais de perto as fotos do nosso novo lançamento. Eu não posso ficar mais perto desse homem, eu não sei se estremeço com a beleza dele ou se fico com medo da expressão raivosa que Mia está fazendo para mim agora. — Sim, senhor Henry, eu irei me sentar aí. Levantei da cadeira que estava na ponta da mesa e sentei ao lado do senhor Henry, olhando-o com a cabeça levantada já que ele estava em pé. Ele se aproximou, colocando uma de suas mãos sobre a mesa. — Não precisa me chamar de senhor, senhorita Liz. Suspirei com aquela presença forte perto de mim, meu corpo ficou todo arrepiado. — E você não precisa me chamar de senhorita — respondi. Ele sorriu, se virou para todos e começou a falar. — Durante esse mês, todos poderão ver os nossos esforços perante a nova linha de lançamento do Cars Future. Agora, o que a gente precisa para poder vender esses carros no mercado hoje é uma boa estratégia de marketing. Pensando nisso, contratamos a Liz, sei que ela começou hoje, entretanto, queria saber se você Liz pensou em alguma coisa para esse lançamento? — disse Henry. — É claro que ela não pensou, ela entrou hoje, não pode simplesmente ter pensado em alguma coisa durante a noite — disse Mia, debochando. Abri o meu notebook, virei para o senhor Henry. — Bom, essa noite eu pensei em algumas coisas que podemos fazer para esse lançamento, primeiro eu preciso saber como será esse lançamento? — disse Liz com entusiasmo. A expressão da Mia mudou quando eu abri o meu notebook e mostrei que sim, eu pensei em alguma coisa. — Viu, Mia, eu não contratei uma mulher incompetentemente — disse Henry rindo. Mia não gostou nada de ouvir o que Henry tinha dito, ela demonstrou isso quando franziu o cenho em sinal de desaprovação. — Já que você perguntou à Liz o que a gente vai fazer para esse lançamento, eu estava pensando em fazer um evento mostrando todos os novos carros — falou Henry. — Então, eu tinha pensado em duas ideias, neste caso podemos usar as duas, uma delas é fazer vídeos dos carros, eu irei editar e fazer um comercial. Tenho alguns vídeos aqui que criei no notebook, eu posso mostrar? — Perguntei. — Vai em frente. Henry me deu carta-branca, peguei um fio, conectei no notebook e na televisão e coloquei um dos comerciais que criei durante a noite usando imagens de outros carros. O vídeo não estava perfeito, mas era um bom rascunho. — Para apenas uma noite, o vídeo ficou bom, claro que ele precisa de ajustes, porém não está r**m — disse Henry. — Esse é só um rascunho, eu irei criar um muito melhor, agora tenho mais tempo. Eu gostaria de olhar os carros, precisamos de uma equipe para fazer as filmagens também. — Fica tranquila, eu pessoalmente te mostrarei todos os carros da nossa nova coleção. — Não precisa fazer isso, Henry, eu posso mostrar para ela os carros — disse Mia. — Não se incomode, eu a levarei, você poderia por gentileza arranjar uma equipe de filmagem para ficar à disposição da Liz — disse Henry. — Ok, eu farei isso. Eu sinto que indiretamente eu estou comprando uma briga com a Mia, o pior é que eu não quero arranjar problemas com ninguém. — Me siga, Liz. Henry me chamou e seguiu andando, eu estava bem atrás dele, chegamos a uma entrada subterrânea, eu não fazia ideia de que existia isso aqui. Pegamos um elevador que tinha depois de descer alguns degraus. Os números do elevador iam até 3, ele apertou no primeiro. — Vamos ir bem fundo, pelo visto — disse Liz com o coração gelado. — Não fique com medo, pode ficar tranquila que não irá ficar com falta de ar. Henry tentou me confortar, funcionou, me senti mais calma assim que chegamos no local e eu vi os carros maravilhosos que tinham aqui. — Eu te apresento a minha coleção — disse Henry com orgulho. Enquanto ele falava dos carros, eu ficava com a boca aberta, o carro brilhava como as estrelas, eu podia ver minha imagem refletindo perfeitamente no capô do carro. — Fecha a boca senão entra mosca Liz. Minhas mãos estavam tão ansiosas, eu precisava tocar no carro preto com uma enorme listra vermelha do lado, o que deixava o carro ainda mais moderno. — Não toque aí! A voz dele falou em um tom forte assim que viu meus dedinhos tentando encostar no carro. — Desculpa, eles são tão lindos que eu tive vontade de tocar. — Eles não são mais lindos do que quem os criou. Um sorriso debochado saltou da sua boca. Fiquei vermelha com o que ele falou, mas ele está certo, sua beleza é radiante, ele tira toda a minha atenção com esse rosto quadrado e essa barba que combina perfeitamente com ele. Eu fiquei parada olhando para ele, movendo sua boca enquanto falava palavras que eu não faço ideia do que são. — Você está entendendo tudo direitinho, senhorita Liz? Ele cruzou os braços enquanto me olhava atentamente, esperando por uma resposta. — Oi? O que você falou? — Não estava prestando atenção, Liz, o que é tão importante que está tirando toda sua atenção? VOCÊ! Era isso que eu queria falar na hora que ele perguntou, mas eu consegui falar somente dentro da minha cabeça oca. — Nada, desculpa. Pode continuar falando, irei prestar atenção. Ele começou a explicar sobre as origens daqueles carros, o de listra vermelha que eu tanto amei foi desenhado pelo pai dele. — Eu tenho vários projetos que foram criados pelo meu pai antes dele falecer. — Eu sinto muito. — Não sinta. Ele retrucou num tom sério os meus pêsames, sabe lá Deus o que esse homem passou para ser tão frio, falando do pai que morreu. Ele está fazendo os projetos do pai, então talvez ele sinta nem que seja lá, no fundo, uma tristeza. — Já disse para não ficar pensando na morte da bezerra Liz, olhe apenas para mim. Fui pega por ele mais uma vez perdida nos meus pensamentos. — Eu posso contar com você, Liz? — Pode. Ele veio andando na minha direção, olhou dentro dos meus olhos e disse. — Eu realmente posso contar com você, Liz. Sua mão pesada pegou uma mecha do meu cabelo e colocou atrás da minha orelha. — Po-po-de, é claro que pode — respondi gaguejando. Voltamos para o elevador e chegamos no térreo de novo. Mia estava esperando bem na porta da entrada subterrânea, o seu nervosismo era perceptível. — Vocês demoram muito — ela disse com uma raiva que bem nítida de ser notada. Esses dois não conseguem esconder que têm alguma coisa dentro da empresa, ela fica em cima dele o tempo todo. Claro que ele vai querer ficar com ela. Mia tem um corpo lindo, qualquer homem deve ser louco por ela. — Mostrei tudo para Liz, não quero você me perturbando hoje, Mia. Parece que Henry já está cansado da importunação dela o tempo inteiro. — Vamos sair hoje — disse Mia, se jogando nos braços dele. Ele revirou os olhos e a empurrou. — Eu vou dar licença para vocês dois poderem conversar. — Obrigada por ser tão atenciosa, Liz. Sai daquele ninho maluco, não quero ficar entre esses dois. O trabalho terminou, finalmente. Irei para casa descansar, quando eu saí pela enorme porta do prédio Cars Future, bem na minha frente estava Arthur me esperando. Arthur é um homem muito bonito, forte, alto, cabelo loiro e olhos verdes. Ele sempre esteve comigo, às vezes meu coração fala para eu dar uma chance para ele. — Esse é seu namorado, Liz? Parece que você tem bom gosto — falou Mia, saindo de dentro da empresa grudada nos braços do Henry. — Ele é meu amigo — respondi. Henry não disse nada, apenas olhou para o Arthur com um olhar nada agradável. Henry e Mia entraram no carro juntos, antes dela entrar, ele me deu tchau, balançando sua mão. Eu a respondi da mesma maneira, mas aquele sorriso me parecia um pouco debochado. — O que você está fazendo aqui, Arthur? — Como hoje foi o seu primeiro dia de trabalho, eu gostaria de te levar para comer alguma coisa, para poder comemorar. — Eu estou muito cansada, mas a gente pode comer lá em casa, o que acha? — Vamos então. Entramos no carro, Arthur colocou uma música e até chegarmos na minha casa ficamos calados, observando os enormes prédios que preenchem toda a cidade. — Sua casa não é longe, mas também não é tão perto, como você vai trabalhar todos os dias? — Eu vou andando, não tenho carro. — Você vai andando! Você é realmente louca — Arthur diz sorrindo sem acreditar no que escuta. — Andar é bom, eu não ficarei sedentária. Chegamos no prédio em que eu moro, meu prédio não tem nada a ver com todos aqueles prédios que acabamos de observar enquanto estávamos vindo para cá, infelizmente não tenho dinheiro no momento para pagar um apartamento melhor que esse, eu recebo bem na empresa Cars Future, só que o tempo que passei na outra empresa ganhando uma merreca de salário me fez juntar uma enorme dívida. Entramos na minha casa, eu e Arthur preferimos pedir algo no Ifood, eu não estou com energia para cozinhar agora. — Olha os pombinhos aí, sentados. Alicia saiu de dentro do banheiro usando seu vestido justo, provavelmente está indo para a boate. — Pedimos uma pizza, você vai ficar para jantar? — Não, vou para a boate agora, como foi no seu primeiro dia de trabalho? — Depois eu te conto. Tenho umas coisas para dizer para ela sobre o Henry, não posso falar com o Arthur aqui, parece que ela entendeu o recado porque piscou para mim. — Falando em trabalho, aquele lá que estava com aquele olhar raivoso é o seu chefe? — Perguntou Arthur com curiosidade. — É sim, ele é o famoso CEO da empresa. — Os boatos sobre ele não são tão bons, mas não vamos falar sobre isso agora. Alicia saiu para a boate, ficamos apenas eu e Arthur naquela sala sozinhos, um tempo depois a pizza chegou. Abri a porta, dei o dinheiro e mais uma gorjeta para o homem e entrei, coloquei a pizza na mesa de centro da sala e sentei ao lado de Arthur. Um silêncio estava tomando conta de tudo, eu sentia que Arthur estava querendo falar alguma coisa para mim, alguns minutos depois ele resolveu falar o que queria dizer. — Eu queria saber se você está pensando bem naquele assunto. Aquele assunto? Lembrei! Sobre a gente namorar, eu ainda não tenho uma resposta exata sobre isso, mas como vou dizer isso para ele? Ele estava parado bem na minha frente me olhando com uma pressão enorme, eu peguei uma enorme fatia de pizza com recheio de pepperone e enfiei toda na boca. Ele espera eu terminar de mastigar, semicerrando os olhos. Por fim, terminei de mastigar, não tenho outra saída, preciso responder à sua pergunta. — Olha… eu não tenho uma resposta para a sua pergunta agora, eu reconheço todo o seu carinho por mim, mas eu estou com a vida turbulenta nesse momento. Eu espero que ele me entenda. — Ok, eu acho que já estou ficando persistente demais com esse assunto, mas eu quero que você saiba que eu não vou desistir de ser seu namorado. — Eu juro que quando tudo estiver melhor, eu te darei uma resposta decisiva — respondi. Ficamos conversando por mais algum tempo, falamos do passado de quando estudamos na mesma universidade, falamos sobre os professores que amávamos e a gente odiou. Arthur tem um bom papo, sinto que nossa amizade pode ir longe e talvez, quem saiba, não vire um relacionamento. Acordei com uma disposição enorme de ir para a empresa, minha ansiedade para fazer todo esse marketing com aqueles carros maravilhosos me deixa louca. — Não vai tomar café? Eu fiz panquecas. Alicia estava na mesa com um pedaço enorme de panqueca na boca. — Fala de boca fechada Alicia. — E como foi ontem? — Sinceramente, ele mais uma vez pediu para namorar comigo. — Por que não dá uma chance para ele logo? — perguntou Alicia. — Eu ainda não sei o que sinto, e outra, a beleza do CEO da Cars Future me cativou. Alicia olhou para mim, rindo. — Não é possível, se apaixonou pelo bilionário? Você acha que ele te daria uma chance? Peguei um pedaço de panqueca e enfiei na boca. — É claro que não, e ele provavelmente tem um caso com a secretária peituda. — Mas não desista, se ele não assumir a secretaria, talvez você tenha chance. — Eu não quero ficar no caminho deles. Peguei minha bolsa barata que comprei no brechó, coloquei minha jaqueta preta e fui para a empresa.  
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